Pentágono não comenta anotação sobre possível envio de tropas à Colômbia

Ao anunciar sanções contra a Venezuela, John Bolton segurava caderno com a frase '5.000 tropas para a Colômbia'

Washington | AFP

O Pentágono se manteve em silêncio ao ser questionado nesta terça-feira (29) sobre a possibilidade do envio de 5.000 soldados a Colômbia, conforme anotação em um caderno do conselheiro de segurança nacional, John Bolton.

Bolton segurava o caderno com a frase "5.000 troops to Colombia" quando anunciou novas sanções contra a Venezuela nesta segunda-feira (28), na Casa Branca, juntamente do secretário do Tesouro, Steven Mnuchin.

Ao anunciar sanções contra a Venezuela, o conselheiro de segurança dos EUA, John Bolton, segura caderno em que se lê ‘5.000 troops to Colombia’
Ao anunciar sanções contra a Venezuela, o conselheiro de segurança dos EUA, John Bolton, segura caderno em que se lê ‘5.000 troops to Colombia’ - Jim Young - 28.jan.19/Reuters

"Não discuti isso com o secretário Bolton", afirmou nesta terça o secretário interino de Defesa, Patrick Shanahan. Ao ser indagado novamente por repórteres, ele reiterou: "Não vou comentar nada sobre isso".

O ministro colombiano das Relações Exteriores, Carlos Holmes Trujillo, disse não saber nada sobre as anotações de Bolton.

Durante o anúncio de medidas contra a petrolífera venezuelana PDVSA, Bolton voltou a dizer que "todas as opções estão sobre a mesa", repetindo o discurso do presidente Donald Trump depois que os Estados Unidos reconheceram o líder do Legislativo, Juan Guiadó, como presidente da Venezuela.

Assim que Washington reconheceu a autoridade de Guaidó, o ditador venezuelano Nicolás Maduro anunciou o rompimento das relações diplomáticas com os EUA e ordenou o fechamento da embaixada e dos consulados venezuelanos naquele país. Ele também deu um prazo de 72 horas para os diplomatas americanos na Venezuela voltarem para os EUA, mas o regime estendeu esse limite para 30 dias.

Uma possível intervenção militar foi aventada depois que governos de direita críticos a Maduro assumiram na Colômbia, com Iván Duque, e no Brasil, com Jair Bolsonaro.

Em outubro de 2018, a Folha mostrou que diplomatas do governo Duque estariam dispostos a qualquer ação para derrubar Maduro, e buscavam o apoio de Bolsonaro. Bogotá, em seguida, negou ter sugerido uma aliança militar com o Brasil para destituir o ditador venezuelano.

Bolsonaro e o vice-presidente, general Hamilton Mourão também já descartaram a participação do Brasil em uma ação desse tipo.

“O Brasil não participa de intervenção. Não é da nossa política externa intervir nos assuntos internos dos outros países”, afirmou Mourão no último dia 23, mesmo dia em que Brasil, EUA, Colômbia e outros países reconheceram a declaração de Guaidó como presidente encarregado da Venezuela.

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