Descrição de chapéu Governo Trump

Secretário de Justiça dos EUA publicará versão com trechos suprimidos de relatório sobre interferência russa

Democratas pedem versão sem censura de investigação de Mueller, o que seria ilegal, diz deputado republicano

Washington | Reuters

O secretário de Justiça dos Estados Unidos, William Barr, planeja publicar até meados de abril uma cópia com trechos suprimidos do relatório de investigação de 400 páginas produzido pelo promotor especial Robert Mueller sobre a interferência russa na eleição presidencial de 2016.

"Logo todos poderão ler o relatório por conta própria", escreveu Barr em uma carta enviada a legisladores democratas e republicanos dos comitês do Senado e do Judiciário da Câmara. Barr disse que está disposto a comparecer perante as duas comissões para testemunhar sobre o relatório em 1º e 2 de maio.

O presidente do Comitê Judiciário da Câmara dos Deputados, o democrata Jerrold Nadler, reagiu, dizendo que o relatório deveria ser enviado ao Congresso sem censuras.

"Como informei o secretário de Justiça ​no início desta semana, o Congresso exige o relatório integral e completo de Mueller, sem alterações, bem como o acesso às evidências subjacentes, até 2 de abril", afirmou em comunicado.

O deputado republicano Doug Collins, por sua vez, disse que Barr "infringirá a lei" se liberar o relatório de Mueller sem trechos suprimidos, como exigem os democratas.

O procurador especial completou em 22 de março sua investigação de 22 meses sobre um possível conluio da Rússia nas eleições em que Donald Trump saiu vitorioso.

O procurador especial Robert Mueller, responsável pela investigação
O procurador especial Robert Mueller, responsável pela investigação - Joshua Roberts/Reuters

No domingo (24), Barr enviou uma carta de quatro páginas ao Congresso, descrevendo as principais conclusões de Mueller. Disse aos legisladores que a investigação de Mueller concluiu que os membros da campanha de Trump não conspiraram com a Rússia.

Mueller deixou em aberto se houve obstrução de justiça por Donald Trump durante a investigação. Porém, segundo Barr, as evidências apresentadas não são suficientes para que o presidente seja acusado. 

O secretário de Justiça afirmou que sua carta de quatro páginas no domingo "não era, e não pretendia ser um relato exaustivo" da investigação de Mueller. Disse também acreditar que o público deveria ter permissão para ler e julgar o relatório por si mesmo.

"Não acredito que seria de interesse público que eu tente resumir o relatório completo ou divulgá-lo em série ou de maneira fragmentada", escreveu.

Barr disse, por meio de uma carta publicada nesta sexta-feira (29), que certas informações devem ser suprimidas antes que o relatório seja divulgado, incluindo informações secretas do júri, fontes de inteligência e informações que por lei não podem ser públicas ou podem infringir a privacidade.

Ele disse que Trump tem o direito de reivindicar privilégios executivos em alguns materiais. Devido a disso, não há planos para o Departamento de Justiça submeter o relatório à Casa Branca para uma revisão privilegiada.

Em um comício na quinta-feira (28), em Michigan, Trump celebrou o fim da investigação e o que ele chamou de "mentiras, difamações e calúnias".

O procurador especial Robert Mueller, responsável pela investigação
O procurador especial Robert Mueller, responsável pela investigação - Aaron P. Bernstein/Reuters
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