Homem é morto ao atacar centro de detenção de imigrantes nos EUA

Agentes americanos estão preparados para prender milhares em ação anunciada por Trump

Los Angeles e Nova York | AFP

Um homem armado que atacou um centro de detenção de imigrantes com artefatos incendiários em Tacoma, no noroeste dos Estados Unidos, foi morto em confronto com a polícia, segundo informaram as autoridades americanas.

Agentes policiais chegaram ao Centro de Detenção de Northwest neste sábado (13) pela manhã, após receber a informação de que o homem, armado com um rifle, havia incendiado um veículo e tentado colocar fogo em um grande tanque de gás, afirmou o departamento de polícia local em um comunicado.

Identificado como Willem Van Spronsen, 69, ele morreu alvejado durante a intervenção policial. Além da arma, levava sinalizadores e um saco, segundo o comunicado. Nenhum dos quatro agentes que participaram da operação ficou ferido.

Spronsen já havia sido condenado por obstruir uma ação policial durante enfrentamento em um protesto do lado de fora do mesmo centro de detenção no ano passado, segundo relatos de veículos de comunicação locais.

A empresa penitenciária GEO Group, responsável pelo centro em Tacoma, agradeceu à polícia por sua intervenção e afirmou que a recente publicação de informações sobre a superpopulação dos locais de detenção de imigrantes assim como sobre a detenção de menores desacompanhados gerou "um ambiente perigoso para nossos empregados".

Onda de deportações

A imigração está no centro de um intenso debate político nos Estados Unidos. Desde sexta-feira (12), dezenas de manifestações foram organizadas em todo o país para pedir o fechamento dos centros de detenção situados na fronteira do país e para se opor às operações contra imigrantes anunciadas para este domingo (14) pelo presidente Donald Trump.

Com protestos registrados inclusive nas primeiras horas de domingo, funcionários locais e estaduais pediram moderação aos manifestantes.

Os milhares de imigrantes ilegais aguardam essas operações com medo e incerteza. Segundo Trump, elas conduziram a uma onda de deportações nos Estados Unidos.

Antes do amanhecer deste domingo, esperava-se que agentes do Serviço de Imigração e Controle de Fronteiras (ICE, na sigla em inglês) saíssem às ruas de ao menos dez grandes cidades americanas para prender ao menos 2.000 imigrantes ilegais que entraram recentemente no país.

O alcance da operação parece mais modesta do que os milhões que Trump havia prometido que seriam detidos e expulsos quando mencionou pela primeira vez, em junho, as operações, que depois foram propostas. Isso, no entanto, não aliviou a angústia daqueles que temem ser alvo.

Sua preocupação se soma às informações divulgadas pelos veículos de comunicação que pontuam que os agentes do ICE estão preparados para deter não apenas aqueles que possuem ordens de deportação, mas também outros imigrantes ilegais que encontrem por acaso.

Isso poderia incluir imigrantes que estão no país há anos, com casa, trabalho e filhos que são cidadãos americanos.

"Essa incerteza, esse medo, está causando estragos, está traumatizando as pessoas", disse à CNN a prefeita de Chicago, Lori Lightfoot. 

Trump insistiu, na sexta, que a maioria dos prefeitos defendem as operações. "A maioria dos prefeitos quer. Sabem por quê? Não quer ter crimes em suas cidades", disse, repetindo sua frequente –e incorreta– afirmação de que os imigrantes são mais propensos a cometer crimes do que os americanos.

O prefeito de Miami, Francis Suárez, disse que, em 2018, seu primeiro ano no cargo, sua cidade alcançou sua "taxa mais baixa de homicídios em 51 anos". "Por isso não entendo a razão para escolher Miami", complementou. "Não nos ajuda, como prefeitos, a manter nossos cidadãos e os que estão em nossa cidade tranquilos e calmos."

Alguns funcionários da cidade, assim como grupos pró-imigrantes e de direitos civis, instruíram sobre seus direitos aqueles que poderiam ser alvo de uma operação.

"Estamos pedindo para as pessoas que, se têm medo de deportação, que permaneçam em casa no domingo e que se desloquem em grupos", disse à CNN Keisha Bottoms, prefeita de Atlanta. "Se alguém bater a sua porta, por favor, não abra a menos que tenham uma ordem."

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, disse a MSNBC que vê as operações como "um ato político para convencer muitas pessoas nos Estados Unidos de que os imigrantes são o problema."

Assim como muitos outros funcionários, ele teme que a agressiva operação possa intimidar os imigrantes, fazendo com que, no futuro, cooperem menos com a polícia local, dificultando assim a segurança pública.

"Temos milhões de pessoas na fila esperando para se tornarem cidadãos deste país", disse Trump na sexta. O presidente argumentou que seria injusto com eles que outros possam simplesmente cruzar a fronteira para conseguir os privilégios da vida americana.

Mas as iminentes operações aumentaram as preocupações de que um novo fluxo afete os centros de detenção já superlotados.

Todos os meses, milhares de pessoas cruzam a fronteira dos Estados Unidos, em sua maioria centro-americanos que fogem da violência e da pobreza de seus países.

O número de imigrantes ilegais que chegaram no mês passado foi de 100 mil, 28% menor do que em maio, mas em nível que segue sendo "crítico", segundo o Departamento de Segurança Nacional.

Vários veículos de comunicação americanos divulgaram que os centros de detenção mantêm crianças pequenas separadas de seus pais, em condições de superlotação e anti-higiênicas

Os funcionários americanos reconheceram a superlotação, mas insistem que estão fazendo o possível para dar condições decentes.

Algumas informações divulgadas neste sábado sugeriram que o ICE poderia pedir quartos de hotel para acomodar os detidos das operações.

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