Sem acordo na esquerda, Parlamento espanhol rejeita novo mandato a Pedro Sánchez

Atual premiê enfrenta dificuldades para negociar com esquerda radical e separatistas

Madri | AFP

O Parlamento da Espanha rejeitou a recondução de Pedro Sánchez ao cargo de primeiro-ministro. O atual chefe do governo, do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol, de esquerda), teve 124 votos a favor, 170 contra e 52 abstenções, em votação realizada nesta terça-feira (23). 

Haverá uma nova votação na quinta-feira (25), na qual ele poderá ser confirmado se atingir a maioria simples dos votos (mais de 50% dos deputados presentes na sessão). Nesta terça, era necessário obter maioria absoluta (mais da metade do total de deputados).

Em caso de fracasso na quinta, Sánchez terá dois meses para tentar novamente. Se o impasse persistir, novas eleições legislativas, a quarta em quatro anos, terão de ser realizadas em 10 de novembro.

O atual premiê espanhol Pedro Sánchez, durante sessão no Congresso, em Madri - Oscar del Pozo/AFP

A rejeição já era esperada. O partido de Sánchez não consegue chegar a um acordo com outros partidos para formar maioria após as eleições, realizadas em abril. Com apenas 123 dos 350 deputados, o PSOE precisa do apoio de 42 deputados da esquerda radical e de partidos regionais, incluindo separatistas catalães.

Nesta terça, o Podemos se absteve. Os partidos de direita (PP, Cidadãos e Vox) e de grupos separatistas da Catalunha e do país Vasco votaram contra. 

PSOE e Podemos iniciaram negociações na sexta-feira (19), depois que Pablo Iglesias, líder do Podemos (esquerda radical), cedeu às exigências de Sánchez ao desistir de entrar no governo. No entanto, na segunda-feira (22), houve troca de críticas e de ameaças entre os dois líderes. 

"No momento, somos a favor do não", afirmou Ione Belarra, deputada do Podemos. "O que eles nos propõem nessas negociações é um simples papel de figuração no governo."

A esquerda radical acusa os socialistas de negarem a ela todos os ministérios e outras pastas importantes, como Trabalho, Finanças, Transição Ecológica e Igualdade. 

Se houver acordo, a Espanha terá seu primeiro governo de coalizão à esquerda desde 1936, quando eclodiu a guerra civil.

Para complicar a tarefa, Sánchez também precisa negociar com grupos que defendem mais autonomia para a Catalunha e o País Basco, comunidades do país onde há fortes movimentos de independência

O catalão Gabriel Rufian, cujo grupo negocia se abster para permitir que Pedro Sánchez seja reconduzido, acusou-o de ter sido "irresponsável e negligente". A crítica é que o atual premiê mal mencionou a questão catalã em seu discurso político. 

Sánchez é firmemente contrário à principal exigência dos separatistas: a realização de um referendo sobre a situação política da Catalunha. 

Sánchez chegou ao poder em junho de 2018, com apoio dos partidos separatistas, após Mariano Rajoy (PP) ter sido destituído devido a um escândalo de corrupção

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