Descrição de chapéu Governo Trump

Presidente iraniano condiciona reunião com Trump a retirada de sanções

Declaração foi dada um dia após americano dizer que encontro para discutir pacto nuclear é possível

Dubai | Reuters

​Não haverá conversas entre Irã e Estados Unidos até que todas as sanções impostas a Teerã sejam suspensas, afirmou o presidente Hasan Rowhani nesta terça-feira (27). 

"Washington tem a chave para mudanças positivas. Então, dê o primeiro passo. Sem esse passo, essa fechadura não será aberta", disse o líder iraniano em discurso transmitido ao vivo na rede de TV do país persa. 

"Os Estados Unidos deveriam agir tirando todas as sanções ilegais e injustas impostas ao Irã", reforçou.

O presidente do Irã, Hasan Rouhani, em pronunciamento transmitido pela rede televisiva iraniana - Presidência do Irã/AFP

As declarações foram feitas um dia após o presidente americano, Donald Trump, dizer que há a possibilidade de um encontro nas próximas semanas entre ele e seu par iraniano para discutir o pacto nuclear.

"O Irã é um país com grande potencial. Não estamos pedindo grandes mudanças em seu governo ou coisa do tipo. Queremos, apenas, que não haja mais armas nucleares. É muito simples", afirmou Trump durante o encerramento da cúpula do G7, clube de países ricos, em Biarritz, balneário no sudoeste da França. 

O país persa está no centro de uma crise internacional desde que, em meados de junho, aumentou sua produção de urânio enriquecido —material que eventualmente pode ser usado em armamentos nucleares—, quebrando um dos termos do acordo internacional de 2015.

O fato se deu em resposta a sanções econômicas impostas meses antes pelos EUA, que em maio de 2018 decidiram abandonar o pacto. Na ocasião, Trump promoveu uma retirada unilateral do acordo, contrariando a vontade de países aliados a Washington e dando início à crise que se estende até agora. 

Com esta jogada, o país proibiu seus parceiros de comprarem petróleo iraniano, privando Teerã de uma de suas principais fontes de renda.

"Continuaremos a reduzir nossos compromissos [estabelecidos] sob o acordo de 2015 se nossos interesses não forem garantidos", disse Rowhani nesta terça.

O presidente iraniano ainda afirmou que o desenvolvimento ou o uso de armas nucleares foi proibido por uma fatwa (decreto religioso) emitida no início dos anos 2000 pelo aiatolá Ali Khamenei, autoridade superior a Rowhani.

"O Irã não busca tensão com o mundo. Queremos segurança no Oriente Médio, queremos laços melhores e mais amigáveis ​​com outros países", disse. 

As partes europeias do acordo tentam aliviar as tensões entre o Irã e os Estados Unidos.

Durante o G7, o presidente da França, Emmanuel Macron, liderou os esforços ao promover um encontro entre Trump e o chanceler do Irã, Mohammad Javaf Zarif, que fez uma visita surpresa a Biarritz.

Atualmente, nenhuma das potências ocidentais está plenamente satisfeita com o acordo nuclear estabelecido há quatro anos.

A divergência é em como “consertar” o pacto: os europeus querem editar ou fazer adendos ao documento atual, que tem validade até 2031, enquanto Trump prefere descartá-lo integralmente e redigir outro texto.

Trump e Rowhani devem comparecer à Assembleia-Geral das Nações Unidas, em setembro. No entanto, qualquer encontro entre os presidentes teria que ser aprovado pelo aiatolá Ali Khamenei, que tem a última palavra em todos os assuntos de Estado. 

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