Descrição de chapéu The New York Times

Novas denúncias de má conduta sexual levam democratas a pedir impeachment de Kavanaugh

Publicado no New York Times, artigo relata que FBI não ouviu todas as testemunhas

Sandra E. Garcia
The New York Times

Diversos candidatos democratas à presidência pediram o impeachment do juiz da Suprema Corte Brett Kavanaugh neste domingo (15) depois que o The New York Times publicou novas denúncia sobre sua suposta má conduta sexual.

O juiz da Suprema Corte dos EUA, Brett Kavanaugh - Alex Wroblewski - 6.set.2018/Reuters

No sábado, o jornal publicou um ensaio em sua sessão de opinião adaptado do livro "The Education of Brett Kavanaugh: an Investigation" (a educação de Brett Kavanaugh: uma investigação). A obra é assinada por dois repórteres do Times, Robin Pogrebin e Kate Kelly, que ajudaram na cobertura das audiências com o juiz.

 

Pogrebin e Kelly passaram dez meses investigando as denúncias de má conduta sexual e agressão que estavam no centro das audiências, incluindo a de uma ex-colega de Kavanaugh em Yale, Deborah Ramirez

Ramirez relata ter estado em uma festa numa residência universitária na qual os participantes beberam muito. Na ocasião, Kavanaugh levou seu pênis ao rosto dela, fazendo com que ela o afastasse e tocasse o órgão sem querer.

Enquanto os investigadores do Senado concluíram na época que o relato de Ramirez carecia de corroboração, os autores disseram que pelo menos sete pessoas "ouviram falar do incidente de Yale muito antes de Kavanaugh ser um juiz federal", incluindo a mãe de Ramirez e dois colegas de classe que souberam do caso poucos dias após a festa.

O livro também relata que os advogados de Ramirez deram ao FBI uma lista com o nome de ao menos 25 pessoas que podem ter evidências comprobatórias, mas que o órgão não entrevistou nenhuma delas. Os dois agentes que entrevistaram Ramirez disseram que consideram o relato "crível".

Os autores do livro também disseram ter descoberto um segundo incidente não relatado anteriormente envolvendo comportamento semelhante de Kavanaugh em uma festa durante seu primeiro ano na universidade.

O ensaio afirma que um colega do juiz da Suprema Corte, Max Stier, que hoje dirige uma organização sem fins lucrativos em Washington, notificou os senadores e o FBI sobre o que ele havia testemunhado, mas que a agência não investigou.

Duas autoridades não identificadas teriam se comunicado com Stier, que se recusou a falar do episódio para a reportagem. Kavanaugh não quis comentar o assunto.

Na audiência que averiguou a má conduta sexual de Kavanaugh foi ouvido o depoimento de Christine Blasey Ford, professora universitária da Califórnia. Ela testemunhou que, quando adolescentes, ele a prendeu numa cama, agarrou-a e tentou tirar as roupas dela enquanto tapava sua boca. 

Na época, Kavanaugh negou as acusações.

"Essas novas revelações são perturbadoras", escreveu no Twitter a senadora democrata Elizabeth Warren, de Massachusetts, sobre o artigo no Times. "Assim como o homem que o nomeou, Kavanaugh deve ser demitido por impeachment."

A senadora democrata Kamala Harris, da Califórnia, membro do comitê do Senado que presidiu as audiências de confirmação do juiz, repercutiu no Twitter o pedido de impeachment.

 

"Ele foi levado à corte por meio de um processo fraudulento, e seu lugar no tribunal é um insulto à busca da verdade e da justiça", escreveu ela.

 

Julián Castro, secretário de Habitação do presidente Barack Obama, e o senador Bernie Sanders (independente), de Vermont, também pediram seu impeachment.

Líderes republicanos condenaram o ensaio, o qual chamaram de irresponsável, e defenderam Kavanaugh. 

Trump, que nomeou Kavanaugh para a Suprema Corte, saiu em sua defesa no Twitter neste domingo. "Ele é um homem inocente que foi tratado de forma horrorosa", escreveu ele. "São mentiras sobre ele. Eles querem assustá-lo para que se torne um liberal [nos costumes]!"

Em outro tuíte, o presidente sugeriu que Kavanaugh "começasse a processar pessoas por difamação, ou o Departamento de Justiça deveria ajudá-lo".

O líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, disse no Twitter que a "disposição da extrema-esquerda a se apoderar de denúncias completamente sem provas e sem fundamento durante o processo no ano passado foi um capítulo sombrio e embaraçoso para o Senado".

Ronna McDaniel, presidente do Comitê Nacional Republicano, escreveu no Twitter que "o New York Times deveria ter vergonha de tentar manchar a imagem do juiz Kavanaugh".

James Dao, vice-editor de páginas editoriais do New York Times, disse em comunicado que o artigo é "um relato bem pesquisado e digno de publicação, que lança nova luz sobre um assunto que provocou um debate nacional significativo".

O Times foi severamente criticado por um tweet —que foi posteriormente excluído— feito em sua conta de opinião no sábado sobre o ensaio. Ele dizia: "Ter um pênis na cara em uma festa de bêbados no dormitório pode parecer uma diversão inofensiva. Mas quando Brett Kavanaugh fez isso, diz Deborah Ramirez, confirmou que ela, primeiramente, não pertencia a Yale."

Dao disse que o tweet "era claramente ofensivo e nunca deveria ter sido escrito" e pediu "desculpas sinceras".

Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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