Netanyahu retira pedido de imunidade ao Parlamento e é indiciado por corrupção

Premiê israelense é réu em três casos de corrupção e aguarda julgamento

Jerusalém | Reuters e AFP

O premiê israelense, Binyamin Netanyahu, retirou nesta terça-feira (28) o pedido de imunidade que havia feito ao Parlamento israelense. O gesto abre caminho para que ele seja julgado por denúncias de corrupção.

Em novembro, a Procuradoria de Israel havia comunicado Netanyahu que o indiciaria por fraude, abuso de poder e quebra de confiança em três casos. Com vistas às eleições de 2 de março, o premiê então pediu em janeiro ao Parlamento que lhe concedesse imunidade.

A requisição de Bibi, como o primeiro-ministro é conhecido, porém, estava condenada a ser recusada desde o começo, uma vez que ele não tem apoio suficiente no Legislativo do país.

O premiê Binyamin Netanyahu, durante discurso em evento dos 75 anos da liberação de Auschwitz, em Jerusalém - Abir Sultan - 23.jan.2020/Reuters

O movimento de Netanyahu foi feito uma hora antes do início da sessão marcada para debater o assunto. Pouco depois da decisão, o premiê foi indiciado formalmente pela Procuradoria.

"Mais tarde, desmentirei as acusações ridículas contra mim. Não deixarei que meus adversários políticos usem isso [os casos de corrupção] para desviar o foco do processo histórico que estou liderando", disse Netanyahu, em Washington para o anúncio do plano de paz proposto por Donald Trump para o Oriente Médio. 

Nesta terça, o presidente dos EUA revelará sua proposta para solucionar o conflito entre para Israel e Palestina. Os palestinos, porém, não participarão do anúncio e disseram rejeitar a proposta antes mesmo de sua formalização.

Netayahu é acusado de aceitar US$ 264 mil (R$ 1,1 milhão) em presentes de empresários em troca da facilitação de regulações e de oferecer favores em troca de cobertura positiva em um site de notícias, entre outros casos. Se condenado, pode pegar até dez anos de prisão.

O processo contra Netanyahu entra agora na etapa de audiências com testemunhas, que pode levar meses ou anos, a depender de manobras que o premiê fizer para adiar o processo, como alegar que não pode comparecer às sessões por ter outros compromissos no governo. Não há prazo definido para o julgamento.

É a primeira vez que um premiê israelense é processado no exercício do cargo. Como primeiro-ministro, Netanyahu não tem obrigação legal de se demitir por estar sendo investigado. As leis israelenses não preveem regras para processar um líder do governo, e várias questões sobre o processo podem chegar à Suprema Corte.

Netanyahu disse ainda que não renunciará e chama a acusação de "tentativa de golpe" e de "caça às bruxas". ​

No cargo desde 2009, o primeiro-ministro também exerceu a função entre 1996 e 1999. Na última década, dominou a política israelense e foi o principal responsável pela virada à direita do governo do país.

Netanyahu foi o vencedor de duas eleições no ano passado, mas não conseguiu apoio suficiente para formar governo. Com isso, Israel realizará a terceira votação em menos de um ano

Principal rival do premiê nos pleitos passados e no próximo, o centrista Benny Gantz fez dos problemas legais de Netanyahu o ponto principal de suas campanhas em 2019.

"Os cidadãos de Israel têm uma escolha clara: um primeiro-ministro que trabalha para eles ou um primeiro-ministro ocupado com ele mesmo. Ninguém pode governar o país e, em paralelo, cuidar de três sérios casos criminais", publicou Gantz no Twitter após Netanyahu retirar o pedido de imunidade.

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