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Parlamento Europeu denuncia tentativa de golpe de Estado parlamentar na Venezuela

Eurodeputados reconheceram Guaidó como presidente da Assembleia Nacional

RFI

Parlamento Europeu condenou, nesta quinta-feira (16), a situação na Venezuela. O órgão afirmou que o país latino-americano é vítima de uma tentativa de golpe e expressou seu apoio ao opositor Juan Guaidó.

"O Parlamento Europeu condena veementemente a tentativa de golpe de Estado parlamentar pelo regime de Nicolás Maduro e seus aliados", diz a resolução adotada nesta quinta-feira por 471 votos a favor, 101 contra e 103 abstenções. Os eurodeputados também reconhecem "Juan Guaidó como presidente legítimo da Assembleia Nacional e presidente interino legítimo" da Venezuela.

Juan Guaidó (centro) com bandeira venezuelana atrás
Juan Guaidó (centro) durante sessão plenária de deputados da oposição da Assembleia Nacional no teatro El Hatillo, em Caracas - Yuri Cortez - 15.jan.2020/AFP

A resolução do Parlamento Europeu, adotada pelos social-democratas, liberais, conservadores e eurodeputados do PPE (direita), insta os cinco países da União Europeia (UE) que ainda não reconhecem Guaidó como presidente interino, ou seus representantes políticos, a fazê-lo.

O líder opositor já é reconhecido como chefe de Estado por mais de 50 países.

Os eurodeputados também reiteram o compromisso da UE de trabalhar para uma "solução pacífica e duradoura" para a crise na Venezuela e pedem aos países do bloco que estendam suas sanções contra os responsáveis pela repressão.

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, confirmou na terça-feira (14) que novas sanções estão sendo estudadas, embora "não sejam a única ferramenta". Segundo ele, "uma solução sustentável para a crise só pode surgir de um caminho eleitoral negociado, inclusivo e representativo".

Em 2017, a Venezuela se tornou o primeiro país latino-americano sancionado pela UE que, desde então, impôs um embargo de armas, bem como sanções contra 25 autoridades venezuelanas pela "deterioração do Estado de Direito, da democracia e dos direitos humanos".

Os membros do Parlamento Europeu aproveitaram a ocasião para denunciar o que qualificam de atos de intimidação contra os deputados no país, principalmente após a tentativa de impedir que Guaidó participasse da eleição para presidente do Parlamento venezuelano.

O país vive um impasse em relação ao comando da Assembleia Nacional, com o regime de Nicolás Maduro e a oposição tendo realizado eleições separadas que apontaram duas pessoas diferentes para comandar a Casa em 2020.

O ditador anunciou o deputado Luis Parra como novo líderapós uma votação realizada com a sede do Legislativo cercada pela polícia —e chamada de “golpe parlamentar” pelos opositores.

Horas depois, a oposição fez uma sessão alternativa com a presença de cem deputados e reelegeu Juan Guaidó presidente da Casa.  

No último dia 7, já havia ocorrido um embate entre os chavistas e a oposição na sede do parlamento. Guaidó foi proibido de entrar na Assembleia, bateu boca com militares e, após algum tempo,  forçou sua entrada no local.

Lá dentro, conseguiu formalizar os cem votos favoráveis à sua reeleição e fazer novamente o juramento como líder do parlamento por mais um ano.

Com informações da AFP.

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