Evo Morales viaja a Cuba com justificativa de realizar exames médicos

Ex-presidente boliviano alegou a mesma razão quando deixou México

Buenos Aires

O ex-presidente da Bolívia Evo Morales, que vive na capital argentina há dois meses na condição de refugiado, viajou na madrugada desta segunda-feira (10) para Cuba.

De acordo com nota divulgada por sua assessoria de imprensa em Buenos Aires, Evo foi a Havana para realizar exames médicos.

Essa foi a mesma explicação que concedeu ao deixar o Méxicoprimeiro país no qual o líder boliviano se abrigou, após renunciar, em 10 de novembro. Ele não retornou e desde então está em Buenos Aires.

Agora, a ex-ministra da Saúde da Bolívia Graciela Camaño, que também está na Argentina, afirma que ele voltará, uma vez que o plano é o de coordenar a campanha de seu partido, o MAS (Movimento para o Socialismo), para o Legislativo e para a Presidência, a partir de Buenos Aires.

Evo Morales durante entrevista realizada na Cidade do México
Evo Morales durante entrevista realizada na Cidade do México - Edgard Garrido - 15.nov.19/Reuters

De acordo com Camaño, Evo voltará ao país já no próximo fim de semana, onde, diz ela, tem reuniões marcadas.

A saída de Evo do país ocorre em meio à expectativa de uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral da Bolívia sobre a legitimidade de sua candidatura ao Senado.

Embora a inscrição do ex-presidente para concorrer esteja feita, membros da oposição pressionam para que ela seja revista.

Eles argumentam que conquistar uma vaga no Legislativo seria apenas uma tentativa de ganhar foro privilegiado e, assim, voltar à Bolívia.

Em dezembro, a Procuradoria local emitiu uma ordem que obriga o ex-presidente a prestar depoimento ao Ministério Público, após uma denúncia do governo interino do país de suposto envolvimento com crimes de sedição e terrorismo. 

Em uma entrevista a uma rádio, o presidente da Argentina, Alberto Fernández, tratou o assunto com naturalidade.

Disse ter falado com Evo há alguns dias e que ele manifestou o desejo de sair do país para fazer um tratamento. 

"Eu lhe garanti que isso não muda em nada o nosso acerto sobre seu status de refugiado", disse o mandatário argentino.

Evo, porém, em entrevistas a jornalistas nas últimas semanas, afirmou que os Estados Unidos têm feito pressão para que o governo argentino limite suas ações no país —Fernández teria sido o responsável por demover o ex-presidente boliviano da ideia de fazer um ato de campanha na fronteira da Argentina com a Bolívia.

Para Evo, o movimento é resultado de pressão de Donald Trump sobre Fernández. O presidente argentino não comentou a questão. 

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