Descrição de chapéu Financial Times

Para Boris, coronavírus é pior crise do sistema de saúde britânico em uma geração

Premiê pede a pessoas com sintomas brandos para ficarem em casa por 7 dias

Sebastian Payne
Londres | Financial Times

Boris Johnson intensificou os esforços do Reino Unido para combater o coronavírus nesta quinta-feira (12), levando o governo à fase de "adiamento" e dizendo à população britânica que mesmo quem tiver sintomas brandos deve ficar em casa por sete dias.

No entanto, o primeiro-ministro disse que não seguirá o exemplo da Irlanda e da Itália, que fecharam as escolas para limitar a disseminação da doença.

"Não vamos fechar escolas agora, a opinião científica é que isso pode causar mais mal que bem." Mas ele afirmou que o conselho será reavaliado.

Chris Whitty, principal autoridade médica da Inglaterra, afirmou esperar que o Reino Unido alcance o pico de seu surto de coronavírus dentro de 10 a 14 semanas.

"Se você agir muito cedo, as pessoas ficarão cansadas", disse ele, referindo-se à reação do governo. "É um longo percurso."

O premiê Boris Johnson em entrevista coletiva sobre a resposta do governo britânico ao coronavírus
O premiê Boris Johnson em entrevista coletiva sobre a resposta do governo britânico ao coronavírus - Simon Dawson/AFP

Falando em Downing Street, a sede do governo, o primeiro-ministro informou que seu governo "fez o possível para conter a doença", mas admitiu que "esta é a pior crise de saúde pública em uma geração". Boris fez uma dura advertência sobre os riscos do coronavírus.

"Devo me solidarizar com vocês, a população britânica. Muitas famílias ainda vão perder entes queridos antes da hora", disse ele. Boris acrescentou que, por causa da falta de imunidade, o coronavírus é mais perigoso que a gripe comum e que vai "se espalhar ainda mais".

O premiê afirmou que, a partir desta sexta (13), qualquer pessoa com sintomas do coronavírus, incluindo tosse ou febre, deve ficar em casa durante sete dias. Nas próximas semanas, todos os moradores de uma casa onde alguém tenha esses sintomas será solicitado ficar em casa.

Boris também aconselhou pessoas com mais de 70 anos a não fazerem cruzeiros marítimos e sugeriu que viagens escolares internacionais sejam canceladas.

Defendeu ainda a decisão de seu governo de conter a doença para reduzir a pressão sobre o Sistema Nacional de Saúde (NHS na sigla em inglês).

"Se retardarmos o pico em algumas semanas, nosso NHS estará em posição mais forte... Também podemos atuar para estender o pico por um período maior para que nossa sociedade seja mais capaz de enfrentá-lo."

Patrick Vallance, principal autoridade científica, disse que entre 5.000 e 10 mil pessoas no Reino Unido já têm o vírus e "não é possível impedir que todo mundo o pegue".

"As ações que precisamos tomar são para retardar o pico e empurrá-lo para baixo."

O governo sofre pressão crescente para proibir grandes eventos públicos, como jogos esportivos. Mas Boris disse que isso terá "pouco efeito" para conter a disseminação da doença.

"Em todas as fases fomos conduzidos pela ciência. Faremos a coisa certa na hora certa."

Enquanto os preparativos do governo se aceleram, Boris advertiu que o Reino Unido enfrentará "grave perturbação em todo o país durante vários meses" que exigirão que as autoridades "mobilizem milhões de pessoas para se ajudarem e apoiarem".

"O governo fará o possível para ajudá-los e a suas famílias."

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