Twitter classifica vídeo retuitado por Trump como manipulado

É a primeira vez que a plataforma usa novo selo para identificar conteúdos enganosos ou abusivos

Washington e San Francisco | AFP e Reuters

O Twitter usou pela primeira vez seu novo selo de "conteúdo manipulado" para marcar um vídeo retuitado pelo presidente americano, Donald Trump, sobre o democrata Joe Biden —um possível adversário nas eleições de novembro.  

O vídeo publicado no sábado (7) pelo diretor de redes sociais da Casa Branca, Dan Scavino, mostrava Biden dizendo a uma multidão: "Só reelegeremos Donald Trump".

A postagem foi retuitada mais tarde por Trump, e, na segunda-feira, tinha recebido quase 6 milhões visualizações.

O vídeo em questão altera o final da frase de Biden, realizada durante um comício recente no estado de Missouri. Ele fazia referência à necessidade de manter unido o partido democrata durante as primárias.

"Só reelegeremos Donald Trump se, de fato, nos posicionarmos nesse pelotão de fuzilamento. Temos que ter uma campanha positiva", foi a frase completa do democrata.

Por isso, o Twitter colocou no domingo (9) uma etiqueta no vídeo que o descreve como "conteúdo manipulado", o que gerou críticas de Scavino em um tuíte posterior, publicado nesta segunda.

A companhia anunciou na semana passada que seus moderadores começariam a sinalizar os conteúdos que tiverem sido "alterados ou manipulados de maneira enganosa", no mesmo dia que anunciou que aumentaria a proibição dos discursos de ódio.

Logo do Twitter é exibido durante evento na França; empresa anunciou na semana passada que passaria a identificar o conteúdo manipulado
Logo do Twitter é exibido durante evento na França; empresa anunciou na semana passada que passaria a identificar conteúdo manipulado - Loic Venance - 9.mar.20/AFP

A ação foi uma resposta às críticas recebidas pela plataforma por não eliminar conteúdos mentirosos e abusivos.

As empresas de rede social estão sob pressão para policiar informações enganosas ou falsas em suas plataformas antes das eleições presidenciais dos EUA em novembro.

O vídeo, que teve milhões de visualizações no Twitter, também foi publicado na página de Scavino no Facebook, onde recebeu cerca de 1 milhão de visualizações.

A campanha de Biden criticou o Facebook por mostrar o vídeo em suas plataformas sem rótulos no fim de semana.

"O Facebook não diz isso, mas é algo evidente para todos que examinaram sua conduta e políticas: eles se preocupam principalmente com dinheiro e, para isso, estão dispostos a servir como um dos meios mais eficazes do mundo para a disseminação de mentiras", disse Greg Schultz, gerente de campanha de Biden.

Um porta-voz do Facebook disse na segunda-feira que, após as reclamações, os moderadores da empresa classificaram o vídeo como "parcialmente falso".

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