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Depoimento

Amigos nos EUA ficam surpresos que posso ir a um bar, conta americano no Vietnã

Não estive em locais lotados desde que começaram a reabrir, mas me sinto confortável

Michael Tatarski
Ho Chi Minh (Vietnã)

Na Ásia, de onde a Covid-19 se espalhou pelo mundo, o auge da pandemia parece ter passado. A Folha reuniu relatos do dia a dia no Vietnã, em Singapura, na China e na Coreia do Sul, que dão pistas de como deve ser a vida pós-coronavírus.

Minha vida diária no Vietnã foi certamente impactada pelo surto de coronavírus, embora ela esteja voltando ao normal agora.

Durante a campanha nacional de distanciamento social, que durou de 1° a 22 de abril, negócios não essenciais foram fechados, então não podíamos sair para comer, visitar cafés, fazer compras ou algo assim.

Os supermercados permaneceram abertos e estavam com as prateleiras cheias durante esse período; portanto, nunca tivemos problemas em conseguir alimentos ou outros suprimentos.

Muitos restaurantes também mudaram para o delivery, o que foi útil, embora as barracas de comida de rua tenham dificuldade, pois são de baixa tecnologia e nem sempre têm um local estabelecido.

O governo se esforçou para dizer que não estávamos presos, e os regulamentos aqui nunca foram tão rigorosos quanto os da China, Itália, Espanha e outros países.

Muitas pessoas foram multadas por estarem na rua sem máscara, e algumas foram multadas por estarem na rua sem uma boa razão, mas essas foram as exceções, e não a regra.

Ainda podíamos sair livremente, então continuei fazendo corridas pelo meu bairro, mas fiquei a maior parte do tempo na minha área de Ho Chi Minh. Minha moto quase não foi usada.

Também trabalhei em casa durante esse período; na verdade, comecei a trabalhar em casa em meados de março, o que foi um ajuste, embora felizmente a maior parte do meu trabalho possa ser realizada de qualquer lugar.

Agora, todas as empresas, exceto caraoquês e boates, reabriram, e parece que estamos de volta ao normal. A chegada de voos internacionais está suspensa, por isso não há turistas estrangeiros, mas as escolas estão de volta às aulas e o tráfego voltou ao seu ritmo frenético.

Com os números relatados pelo governo —288 casos de coronavírus e nenhuma morte—, é difícil não ficar impressionado com a maneira como as coisas foram tratadas. Eu era cético em relação aos números no início, mas, agora que falei com alguns especialistas em saúde, tenho muita fé nos dados.

As autoridades reconheceram que provavelmente não registraram todos os casos, mas isso é verdade em qualquer país —há um debate nas mídias sociais sobre a precisão de zero morte, mas nada foi verificado para dizer o contrário, embora, obviamente, isso seria difícil em um ambiente de imprensa controlada como este.

O governo não é conhecido pela transparência, mas eles foram muito abertos desde o início —enviando mensagens de texto sobre as medidas de segurança e publicando atualizações regulares pela mídia estatal.

No geral, fiquei incrivelmente impressionado com as ações decisivas tomadas pelo governo. Isso é especialmente distinto comparado ao que está acontecendo em países como os EUA e o Reino Unido.

O governo cortou as viagens dos pontos críticos de infecção rapidamente, além de estabelecer instalações de quarentena centralizadas para as pessoas que entravam no país, e essas etapas se mostraram extremamente eficazes.

Especialistas dizem que isso, junto com o rastreamento rápido de contatos, é um manual de pandemia para países em desenvolvimento como o Vietnã, e a administração o seguiu perfeitamente.

Eu não estive em um restaurante ou bar completamente lotado desde que os lugares começaram a reabrir, mas me sinto bastante confortável com o andamento das coisas.

Passamos quase um mês sem nenhuma infecção comunitária registrada, portanto, embora seja perfeitamente possível que haja pessoas com coronavírus, isso não parece uma grande ameaça.

As máscaras são obrigatórias, e uso uma sempre que estou em público, embora não necessariamente quando estou correndo, pois é difícil respirar. Eu vejo um bom número de pessoas que não usam máscaras, mas a maioria as usa.

As pessoas já as usavam antes do surto, mas para proteção contra a poluição do ar, que é um problema cada vez mais sério nas principais áreas urbanas, como a cidade de Ho Chi Minh. Acho que vamos usar máscaras por um bom tempo.

Desinfetantes para as mãos foram colocados na entrada da maioria das empresas, e a temperatura [corporal] também é checada em determinados locais.

Quando falo com meus amigos nos EUA, eles ficam surpresos ao saber que agora posso ir livremente a um bar ou restaurante ou viajar internamente, o que farei no próximo mês pela primeira vez desde que tudo isso começou, em janeiro.

Michael Tatarski, 32, é editor do site Saigoneer. Depoimento a João Perassolo.

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