Descrição de chapéu The New York Times

Trump demite procurador que investigava seus aliados

Chefe da procuradoria de Manhattan havia se recusado a deixar o cargo

Nova York | The New York Times

O procurador-geral dos Estados Unidos, William Barr, disse neste sábado (20) que o presidente Donald Trump demitiu o chefe da procuradoria de Manhattan, Geoffrey S. Berman, responsável pela investigação de vários aliados do governo.

Na sexta (19), Barr havia anunciado a demiss√£o de Berman ‚ÄĒque insistiu, no entanto, que n√£o sairia do cargo.

Ele e sua equipe estiveram √† frente de investiga√ß√Ķes de corrup√ß√£o no c√≠rculo √≠ntimo de Trump, tendo processado o antigo advogado pessoal do presidente, Michael Cohen ‚ÄĒque foi preso‚ÄĒ, e conduzido investiga√ß√Ķes sobre seu atual advogado, Rudolph Giuliani.

Na tarde de sábado, Berman confirmou a saída, encerrando a queda de braço com Barr.

A disputa revela novos esforços de Trump e de seus aliados para se desfazer de servidores que, para o presidente, não são leais o suficiente a ele.

geoffrey berman
Geoffrey Berman, procurador do distrito sul de Nova York, durante conferência em 2019 - Eduardo Munoz/Reuters

Antes de sair para um comício em Tulsa, em Oklahoma, o presidente, no entanto, tentou se distanciar da demissão. Ele disse a repórteres que "não estava envolvido" na história.

O caso disparou uma crise no Departamento de Justiça, envolvendo um de seus cargos mais prestigiosos, num momento em que a pasta vem sendo acusada de abrir mão de sua tradição de independência para sucumbir a interferências políticas.

Nos Estados Unidos, o procurador-geral √© tamb√©m chefe do equivalente ao Minist√©rio da Justi√ßa, fun√ß√Ķes que no Brasil s√£o separadas.

Numa carta endere√ßada a Berman, Barr disse que estava "surpreso e bastante desapontado" pela declara√ß√£o p√ļblica do procurador na noite de sexta, quando disse que n√£o havia renunciado ao cargo e que n√£o tinha inten√ß√£o de faz√™-lo.

"Pedi ao presidente para removê-lo [do cargo] hoje, e ele fez isso", escreveu Barr.

O an√ļncio de Barr, afirmando que Trump buscava substituir Berman, n√£o teve aviso pr√©vio. O procurador- geral disse que o presidente tinha inten√ß√£o de indicar para o cargo Jay Clayton, chefe da Comiss√£o de T√≠tulos e C√Ęmbio dos EUA, que nunca atuou como procurador.

Segundo fontes do jornal The New York Times, Trump discute há algum tempo com seus conselheiros a remoção de Berman do cargo de procurador do distrito sul de Nova York e estava incomodado com ele desde que seu escritório investigou seu ex-advogado Michael Cohen.

O expurgo de funcion√°rios p√ļblicos por Trump se intensificou nos meses desde que o Senado o absolveu do processo de impeachment, em fevereiro. O presidente, por exemplo, demitiu ou for√ßou a demiss√£o de inspetores-gerais respons√°veis pela supervis√£o independente do governo.

O conflito p√ļblico entre Barr e Berman, que tomou grandes propor√ß√Ķes nesta sexta, foi mais um epis√≥dio do per√≠odo tumultuado pelo qual vem passando o Departamento de Justi√ßa nos √ļltimos meses.

As interven√ß√Ķes do procurador-geral em casos de vulto envolvendo conselheiros pr√≥ximos de Trump, como Roger Stone Jr. e Michael Flynn, provocaram acusa√ß√Ķes de especialistas em direito p√ļblico de que Barr havia politizado o departamento.

O movimento contra Berman vem poucos dias depois de John Bolton, ex-conselheiro de Seguran√ßa Nacional de Trump, afirmar em um novo livro que o presidente quis interferir em uma investiga√ß√£o que o procurador de Nova York conduzia sobre um banco da Turquia, para melhorar as negocia√ß√Ķes de Washington com o presidente Recep Tayyip Erdogan.

O escrit√≥rio de Manhattan √© talvez o posto mais famoso de procuradoria federal nos Estados Unidos. Ao longo de gest√Ķes anteriores de democratas e republicanos, costuma valorizar a tradi√ß√£o de independ√™ncia do Departamento de Justi√ßa em Washington. J√° recebeu o apelido de "Distrito Soberano de Nova York".

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