Após mobilização russa, Otan faz exercício naval com a Ucrânia

EUA e outros seis países manobram no mar Negro, três dias depois de megaexercício de Moscou na região

São Paulo

A Ucrânia iniciou nesta segunda (20) manobras navais com os EUA e outros seis membros da Otan (aliança militar ocidental) no mar Negro perto da Crimeia, um dos quintais geopolíticos da Rússia de Vladimir Putin.

A ação ocorre depois que a Rússia anunciou, na sexta-feira, uma das maiores mobilizações surpresa de sua historia recente, com 150 mil militares no seu flanco sudoeste.

O motivo principal do exercício russo foi o de demonstrar preparo para agir caso a crise no Cáucaso, entre sua aliada Armênia e o Azerbaijão, escale.

Putin chega a cerimônia naval em Kerch, na costa oriental da Crimeia, nesta segunda
Putin chega a cerimônia naval em Kerch, na costa oriental da Crimeia, nesta segunda - Alexei Drujinin/Sputnik/via Reuters

A intimidação parece ter dado certo, já que no fim de semana não houve incidentes sérios entre os países, que disputam desde o fim da União Soviética a região de Nagorno-Kabarakh. Quase 20 pessoas morreram em combates na semana passada.

Só que a Ucrânia, que perdeu a Crimeia para a Rússia em 2014 e vive uma guerra civil congelada com separatistas pró-Kremlin no seu leste desde então, leu a mobilização com uma ameaça a seus interesses também.

O exercício, chamado Sea Breeze-2020 (brisa marinha), é anual e estava programado. Vai durar seis dias. Em setembro, a Ucrânia deverá fazer jogos de guerra mais amplos com países da Otan, para fazer frente a um grande exercício russo no Cáucaso.

Participam da manobra no mar Negro 2.000 marinheiros, 19 aviões e 27 navios da Ucrânia, dos EUA, da França, da Turquia, da Romênia, da Espanha, da Bulgária e da Noruega. Para evitar risco de contágio pela Covid-19, não haverá a etapa costeira do exercício, com presença de tropas.

O movimento também é simbólico, como em outras ações navais recentes da Otan: neste mesmo dia, Putin visitou um estaleiro na Crimeia que iniciou a construção de quatro navios de guerra e dois submarinos, na cidade de Kerch, na região mais oriental do território.

A antiga província ucranaiana vem sendo militarizada por Putin. Sebastopol, sua principal cidade, já era a base da Frota do Mar Negro sob licença desde que a Ucrânia ganhou a Crimeia como um presente de Moscou em 1954.

O mar é a única saída de águas quentes da Rússia para o Ocidente, conectando o país ao Mediterrâneo por meio dos estreitos da Turquia.

Na frente diplomática, os EUA fizeram nesta segunda outro movimento duro contra a Rússia, uma hostilidade que tem caracterizado a gestão Trump desde que o presidente ficou para trás de Joe Biden nas pesquisas para a eleição de novembro.

O país anunciou sanção a um dos mais próximos aliados de Putin, o presidente da Tchetchênia, Ramzan Kadirov. Ele está proibido de viajar aos EUA sob acusação de abusos contra os direitos humanos na pandemia.

"O Departamento de Estado tem informações críveis de que Kadirov é responsável por diversas violações graves de direitos humanos há mais de uma década, incluindo tortura e assassinatos extrajudiciais", afirmou o secretário Mike Pompeo.

Washington já havia aplicado um banimento a Kadirov antes, devido a seu suposto envolvimento na morte de um dissidente russo, Serguei Magnitski.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, ironizou a medida. "Pompeo, nós aceitamos a briga. Isso vai ficar interessante. Será difícil reagir de igual para igual, mas vamos pensar em algo", afirmou.

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