Otan dá recado para Rússia com 1ª missão no mar de Barents desde os anos 80

Rivais geopolíticos dos americanos têm feito demonstrações de força militar na crise do coronavírus

São Paulo

Pela primeira vez desde os anos 1980, navios de guerra da Otan (aliança militar ocidental) entraram nesta segunda (4) em patrulha no mar de Barents, uma parte do oceano glacial ártico que é considerada um quintal por Moscou.

Como a Folha mostrou há três semanas, a crise do coronavírus levou a uma série de demonstrações de capacidade de mobilização militar por parte dos adversários dos Estados Unidos.

Chineses fizeram manobras com um de seus porta-aviões, norte-coreanos testaram mísseis e ataques aéreos, iranianos colocaram um satélite em órbita e russos fizeram todo tipo de exercício militar.

O destróier norte-americano USS Donald Cook, que está em operação no mar de Barents
O destróier norte-americano USS Donald Cook, que está em operação no mar de Barents - Bogdan Cristel - 14.abr.2014/Reuters

Além disso, a infecção atingiu os dois porta-aviões americanos ora deslocados para o Pacífico Ocidental, área de contenda entre EUA e China, num episódio que derrubou o comandante da Marinha americana.

Após algumas manobras em águas que os chineses consideram suas na semana passada, além de adiantar o cronograma de compra de novas fragatas, agora foi a vez de mandar um recado para os russos.

Segundo a 6ª Frota americana informou em comunicado, os navios promovem um esforço de "asseverar liberdade de navegação e demonstrar a integração perfeita entre aliados".

Participam da missão os destróieres USS Roosevelt, USS Donald Cook e USS Porter, o navio de apoio USNS Supply e uma fragata britânica, a HMS Kent. Os navios estavam em um exercício de guerra anti-submarino no mar da Noruega, vizinho do de Barents.

"Nesses tempos desafiadores, é mais importante do que nunca manter o ritmo firme de nossas operações em todo o teatro europeu", disse a comandante da 6ª Frota, vice-almirante Lisa Franchetti, na mesma nota.

Segundo ela, os russos foram notificados da missão para evitar atritos ou escalada militar não intencionais. Também é calculada a ausência de navios da Noruega, outro membro da Otan, segundo uma reportagem do jornal The Barents Observer.

Nos últimos anos, russos e noruegueses ampliaram a presença militar no Ártico, mas Oslo tem uma preocupação constante em não fazer gestos bruscos para os vizinhos mais poderosos. Além da disputa geopolítica, ambos os lados exploram o petróleo e o gás da região.

O Ministério da Defesa russo disse à agência Interfax que está monitorando o deslocamento dos navios desde as 7h da segunda (1h em Brasília).

O mar de Barents é o território de operação principal da Frota Setentrional russa, baseada na península de Kola. Os submarinos nucleares que patrulham o Atlântico Norte, centrais para o equilíbrio atômico com os Estados Unidos desde a Guerra Fria, têm porto lá.

A disputa retórica entre Washington e Moscou tem crescido neste ano, após uma deterioração rápida nas relações bilaterais desde a anexação da Crimeia por ordem de Vladimir Putin, em 2014.

Na semana passada, o Ministério das Relações Exteriores russo disse que a introdução pelos americanos de um novo tipo de bomba nuclear, de baixa potência, aumentava o risco de um conflito atômico.

O órgão afirmou que a Rússia retaliaria com um ataque nuclear qualquer lançamento de míssil feito por submarino americano, já que não teria como saber se ele seria convencional ou não.

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