Descrição de chapéu Governo Trump

Após violência em Portland, Trump ameaça mandar forças federais a outras cidades

Presidente cita Nova York e Chicago como possíveis destinos das tropas militares

Portland e Washington | Reuters

Mesmo após virem a público registros de abusos cometidos pelas forças federais enviadas pelo governo Donald Trump a Portland, no Oregon, o presidente ameaçou nesta segunda (20) mandar os agentes a outras grandes cidades americanas.

Em entrevista coletiva, o republicano mencionou Nova York, Chicago, Filadélfia, Detroit, Baltimore e Oakland como possíveis destinos das tropas federais —e ressaltou que seus prefeitos são "democratas progressistas".

Os agentes fazem parte de uma força-tarefa do Departamento de Segurança Nacional criada por um decreto presidencial, em 26 de junho, para proteger monumentos e instalações diante do movimento de derrubada de estátuas de líderes confederados e de outras figuras históricas ligadas à discriminação e ao colonialismo.

Agentes de segurança federais apontam para manifestantes antes de lançar bombas de gás lacrimogêneo durante protestos em Portland - Caitlin Ochs - 19.jul.2020/Reuters

As ações ganharam força na esteira dos protestos antirracistas que varreram os EUA depois do assassinato de George Floyd, um ex-segurança negro, por um policial branco em Minneapolis, no fim de maio.

Governadores e líderes locais reagiram enfaticamente à decisão do presidente, acusando Trump de fazer uso político da violência empregada para dispersar os protestos.

O republicano, que aparece atrás de seu rival democrata, Joe Biden, na corrida à Casa Branca, tem usado o tema e apelado ao discurso da lei e da ordem para mobilizar sua base.

Ted Wheeler, prefeito democrata da capital historicamente progressista do Oregon, afirmou que a intervenção federal configura abuso de poder e que os agentes estavam escalando a violência.

A Procuradoria-Geral de Portland entrou com uma ação contra as agências federais envolvidas pedindo a retirada das forças, alegando que houve detenções sem causa justificada. Deputados democratas exigiram investigações sobre os abusos dos agentes na contenção dos protestos na cidade.

Em resposta, Trump afirmou que as forças estão no local há três dias e que fizeram um trabalho fantástico em um curto período de tempo, "sem problemas". "Eles pegam um monte de pessoas e prendem os líderes. Esses são anarquistas", disse.

No domingo (19), cerca de 1.500 manifestantes se reuniram em frente ao tribunal de justiça federal em Portland, pedindo para as tropas federais deixarem a cidade.

Quando os manifestantes começaram a derrubar partes de uma cerca colocada ao redor do prédio, os agentes responderam com bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral.

Um vídeo de um suposto veterano da Marinha questionando os policiais e sendo agredido violentamente com cassetetes e spray de pimenta também tem circulado pelas redes sociais.

Segundo o secretário de Segurança Nacional, Chad Wolf, os agentes federais fizeram apenas seu trabalho.

"O departamento não irá abandonar suas responsabilidades. Não estamos escalando [a violência], estamos protegendo", afirmou Wolf, em entrevista ao canal Fox News.

De acordo com o Departamento de Polícia de Portland, os policiais locais não confrontaram a multidão e não utilizaram gás lacrimogêneo.

Apesar das críticas à atuação das forças, autoridades do Departamento de Segurança Nacional afirmaram também nesta segunda que não têm intenção de recuar.

O secretário-executivo do órgão, Ken Cuccinelli, disse que os agentes federais serão mantidos na cidade.

Os protestos em Portland começaram poucos dias depois do assassinato de Floyd. Derek Chauvin, o policial que permaneceu quase nove minutos ajoelhado sobre o pescoço de Floyd, foi preso quatro dias após a morte do ex-segurança.

Ele responde por homicídio de segundo grau, que na lei brasileira equivale a homicídio doloso —com intenção de matar.

Chauvin está detido na prisão de Oak Park Heights, considerada a mais segura do estado de Minnesota, sob fiança de US$ 1,25 milhão (R$ 6,6 milhões).

Os outros três policiais que estavam na cena do crime, J. Alexander Kueng, Thomas Lane e Tou Thao, foram denunciados como cúmplices. Eles pagaram fiança e foram soltos.

No início de junho, o Congresso americano começou a debater um projeto de lei apresentado pelo Partido Democrata, de oposição a Trump, para reformas mais profundas no sistema policial.

A proposta previa, entre outras mudanças, a criação de um registro nacional de má conduta dos agentes e a proibição de estrangulamentos e outras táticas de abordagem violenta.

A nova legislação, que dependia da aprovação do Senado, de maioria republicana, e da sanção do presidente, acabou não seguindo adiante.

Uma semana depois, porém, Trump assinou um decreto que estimula novos padrões de operação para a polícia do país —mudanças muito semelhantes ao que os democratas já haviam proposto.

A decisão do presidente, porém, foi considerada fraca porque não obriga a polícia a mudar de conduta. É apenas um estímulo: departamentos que a seguirem terão preferência ao receber recursos federais.

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