Manifestante antirracismo morto no Texas empurrava cadeira de rodas da noiva

Morte de Garrett Foster gerou protestos nas redes sociais; polícia diz que vítima estava armada com rifle

São Paulo

A polícia de Austin, no estado americano do Texas, investiga a morte do ativista Garrett Foster, baleado durante um protesto antirracista na noite de sábado (25). Um suspeito foi preso —segundo a polícia, ele se entregou. Nesta segunda (27), ele foi liberado para aguardar o julgamento em liberdade.

A mãe da vítima, Sheila Foster, disse que, na hora em que o filho foi atingido, ele estava empurrando a cadeira de rodas da noiva, Whitney Mitchell. O casal participava de manifestações havia mais de 50 dias.

"Ele estava indo porque tinha um senso muito forte de justiça e era contra a brutalidade policial", afirmou ela ao Good Morning America, programa da rede ABC. "Ele também queria apoiar a noiva, que é negra."

Antes de identificar a vítima, a polícia de Austin havia informado que ele tinha sido visto na manifestação com um rifle. Segundo o New York Times, ele carregava um fuzil AK-47, assim como outros manifestantes.

As leis do Texas são liberais em relação ao porte de armas e é comum ver pessoas armadas em protestos no estado. Sheila disse que "não ficaria surpresa" se ele estivesse armado, já que tinha licença para carregar a arma e "deve ter sentido a necessidade de se proteger".

 Whitney Mitchell, à dir., noiva de Garrett Foster, durante vigília realizada em Austin, no Texas
Whitney Mitchell, à dir., noiva de Garrett Foster, durante vigília realizada em Austin, no Texas - Sergio Flores/Getty Images/AFP

Num momento de tumulto durante o ato, um carro acelerou na direção dos manifestantes, e uma pessoa que estava dentro do veículo disparou contra o grupo. Foster foi levado ao hospital, mas morreu logo após chegar ao local.

Tanto o atirador quanto Foster tinham autorização para portar as armas que levavam, segundo a polícia.

Pouco antes de ser morto, Foster havia dado uma entrevista a um jornalista indepedente, em vídeo. "Eles não nos deixam mais marchar nas ruas, então eu vim praticar alguns de nossos direitos", disse.

"Se eu usar isso contra os guardas, estou morto", comentou, sobre a arma que levava.

A morte do ativista gerou manifestações nas redes sociais durante todo o domingo. Mais de US$ 108 mil (cerca de R$ 564 mil) foram arrecadados em doações para cobrir os gastos da família com enterro e outras despesas.

Protestos contra o racismo e a violência policial vêm sendo realizados em diversos pontos dos EUA desde a morte de George Floyd, homem negro sufocado por um policial branco em Minneapolis, no final de maio.

Em Portland, agentes federais foram enviados para intervir, enquanto os atos ocorrem há 58 dias consecutivos.

Segundo o jornal The Washington Post, o governo Trump decidiu nesta segunda enviar mais cem agentes federais à cidade, o que deve acirrar ainda mais os ânimos —já que os protestos pedem justamente a retirada desses guardas.

Enviados para proteger prédios e monumentos federais, os agentes federais foram flagrados em cenas violentas contra ativistas.

Nesta segunda, seis prefeitos de grandes cidades americanas enviaram carta pedindo ao Congresso que barrem o envio das forças federais para suas localidades. Na mensagem, afirmam que a presença dos agentes federais tem escalado a tensão dos protestos.

"Pedimos ao Congresso que aprove legislação que deixe claro que essas ações são ilegais e repugnantes", escreveram os prefeitos democratas de Portland, Chicago, Seattle, Albuquerque, Kansas City e Washington.

Segundo a agência Reuters, o secretário de Justiça dos EUA, William Barr irá ao Congresso nesta terça (28) para defender o envio de forças federais a Portland, sustentando que ataques ao tribunal de justiça federal na cidade configuram "um ataque ao governo americano."

Barr irá testemunhar diante da Comissão de Justiça da Câmara dos EUA em um inquérito que investiga se ele está politizando o departamento após intervir em casos envolvendo o presidente Trump e seus aliados políticos para beneficiá-los.

"A responsabilidade mais básica do governo é assegurar o Estado de direito, para que as pessoas possam viver suas vidas de forma segura e sem medo. O Departamento de Justiça irá continuar trabalhando para ir de encontro a essa solene responsabilidade ", dirá Barr, segundo uma cópia de seu discurso de abertura.​

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