Descrição de chapéu Governo Biden

Escolhido por Biden, Lloyd Austin é o 1º negro indicado a secretário de Defesa dos EUA

Nomeação, que precisa de aval do Congresso, gerou críticas por apontar um ex-general

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São Paulo

O presidente eleito Joe Biden confirmou nesta terça (8) o general reformado Lloyd Austin como indicado a ocupar o cargo de secretário de Defesa, responsável por comandar todo o aparato militar dos EUA.

Austin foi comandante das forças americanas no Iraque entre 2010 e 2011, quando Biden era vice de Barack Obama. À epoca, o democrata foi designado para tratar das questões com o país e trabalhou com o militar aposentado.

Ao anunciar a nomeação, Biden disse que pôde testemunhar o caráter de Austin nas muitas horas em que passaram juntos. "Ele compartilha minha crença de que somos mais fortes quando lideramos não só pelo exemplo do nosso poder mas pelo poder do nosso exemplo", escreveu o eleito em uma rede social.

O ex-general Lloyd Austin, durante audiência no Senado em 2016 - Brendan Smialowski - 7.mar.2016/AFP

Analistas apontam que a trajetória do ex-militar indica que ele deve seguir as orientações de Biden sem buscar atritos. Seu perfil discreto, de evitar ser protagonista em eventos públicos, também contou pontos com o democrata, segundo pessoas próximas ouvidas pela imprensa americana.

A escolha de Austin, 67, foi elogiada por ele ser negro —será o primeiro afro-americano a assumir esse cargo na história do país. Mas a nomeação foi criticada por ele ser um ex-general.

A lei americana determina que o secretário de Defesa deve, preferencialmente, ser um civil, para garantir o equilíbrio entre civis e militares no comando da segurança do país. Caso o nome indicado tenha deixado uma função militar há menos de sete anos, caso de Austin, é preciso aprovação especial do Congresso.

Mesmo antes de confirmada a indicação, alguns senadores democratas se disseram contrários ao nome de Austin. No início de seu governo, Donald Trump apontou o ex-general Jim Mattis para ser secretário de Defesa. Ele foi aprovado pelo Legislativo, mas houve grande resistência, especialmente de democratas.

O partido de Biden tem maioria na Câmara, mas o controle do Senado ainda está em disputa. A maioria na Casa será definida pela votação de segundo turno para duas vagas da Geórgia, marcada para 5 de janeiro.

Austin é um dos raros oficiais negros que conseguiram chegar ao topo da hierarquia do Exército americano. Foi o primeiro general negro a comandar uma divisão americana durante um combate, entre vários outros postos no qual foi pioneiro.

O ex-general nasceu em Mobile, no Alabama, em 1953, e cresceu na vizinha Geórgia, ambos estados do Sul dos EUA, em uma época em que a segregação pela cor da pele estava sendo derrubada aos poucos, apesar da resistência de grupos racistas.

Ele se graduou na academia militar de West Point, em Nova York, em 1975. Nas décadas seguintes, passou por várias bases do país e foi subindo na hierarquia. A partir de 2003, como general, chefiou divisões que lutavam no Afeganistão. Ficou no país até 2005 e voltou aos EUA, onde passou a atuar no comando das operações no Iraque.

Em 2010, chegou a comandante-geral das forças americanas no Iraque —e foi o último a ter esse posto.

No ano seguinte, os EUA retiraram boa parte das tropas daquele país, colocando um fim formal à operação de guerra. Essa saída, no entanto, depois foi criticada por abrir espaço para que o grupo terrorista Estado Islâmico dominasse amplas áreas do Iraque.

Atualmente, ainda há alguns milhares de soldados americanos no país.

De volta aos EUA, em 2012, Austin assumiu o cargo de vice-chefe de pessoal do Exército. Uma de suas ações foi tentar reduzir o número de suicídios e de transtornos mentais na tropa e em ex-combatentes. Em 2013, foi nomeado chefe do Comando Central do Exército dos EUA, responsável por todas as operações no Oriente Médio.

Nesse cargo, esteve por trás da implantação de uma estratégia controversa: em vez de se envolver diretamente na Guerra da Síria, os EUA preferiram fornecer armas e treinar combatentes locais para lutar contra o Estado Islâmico. A expectativa era formar em torno de 5.000 combatentes, mas apenas cerca de 100 foram treinados de fato.

A efetividade da estratégia foi questionada por uma investigação no Senado: cerca de US$ 500 milhões foram gastos, com resultados pífios. Austin foi a uma audiência no Senado, em 2015, responder sobre os problemas nesse treinamento, e ouviu perguntas duras de senadores, como o republicano John McCain (1936-2018).

Austin praticamente assumiu que o programa de treinamento na Síria não deu em nada, mas prometeu que nos meses seguintes haveria maior pressão sobre áreas importantes dominadas pelo EI na Síria. O grupo acabou expulso de quase todos os territórios que ocupou nos anos seguintes.

O general se aposentou em 2016, após 41 anos de serviço, e se tornou membro do conselho da empresa Raytheon, uma das principais fornecedoras de armas e equipamentos para o Pentágono.

Também faz parte do conselho de outras companhias, como a Nucor, a maior produtora nacional de aço, e a Tenet, da área de saúde. A proximidade do ex-general com grandes corporações pode gerar críticas de nomes mais à esquerda no Partido Democrata. Por outro lado, ele tem grande experiência em logística, o que pode ser útil no trabalho dos militares para ajudar a distribuir a vacina contra o coronavírus.

Erramos: o texto foi alterado

O ex-general Lloyd Austin nasceu em 1953, e não em 1957, como informou versão anterior desta reportagem. O texto foi corrigido. 

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