Descrição de chapéu China Brics

China faz maior incursão militar com aviões contra Taiwan

Pequim enviou 20 aeronaves para zona de defesa de Taipei, que assinou acordo de defesa com os EUA

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São Paulo

A China fez nesta sexta-feira (26) a maior incursão com aeronaves militares contra o território de Taiwan, a ilha autônoma que Pequim considera uma província rebelde. Foram enviados 20 aviões para o setor sudoeste da chamada Adiz (sigla inglesa para Zona de Identificação de Defesa Aérea) da ilha, que começa na metade da distância entre os dois países, sobre o estreito de Taiwan.

Um caça de origem taiwanesa F-CK-1 Ching-kuo na base aérea de Tainan (Taiwan)
Um caça de origem taiwanesa F-CK-1 Ching-kuo na base aérea de Tainan (Taiwan) - Ann Wang - 26.jan.2021/Reuters

Entre eles, 4 bombardeiros com capacidade nuclear H-6K e 10 caças pesados J-16. Antes, a maior ação do tipo ocorrera em setembro do ano passado, com 18 aviões.

Os taiwaneses haviam suspendido nesta semana seus voos de defesa devido a um choque que derrubou dois caças F-5E. Assim, aviões foram despachados em regime de urgência para afastar a frota chinesa, e baterias de mísseis antiaéreos colocaram os aviões adversários na mira.

Os detalhes foram dados pelo Ministério da Defesa de Taiwan, enquanto as autoridades chinesas não fizeram comentários, como é usual.

Esse tipo de incursão visa testar a capacidade de reação de rivais e ocorre quase todos os dias em diversos teatros de operação mundo afora —notadamente, no Pacífico e nos mares Báltico e Negro.

Mas o tamanho da ação chinesa parece relacionado a outro fato: na manhã da sexta, Taiwan e EUA assinaram o primeiro acordo de cooperação desde que Joe Biden assumiu a Presidência, em janeiro.

Pelo acordo, foi estabelecido um grupo de trabalho conjunto para coordenar as ações da Guarda Costeira taiwanesa. O arranjo veio após a China aprovar uma lei segundo a qual sua força litorânea é autorizada a atirar em qualquer navio estrangeiro que considerar suspeito.

Segundo Taipé, alguns dos aviões voaram em direção ao canal de Bashi, que separa a ilha das Filipinas, onde a Marinha chinesa faz um exercício aeronaval de interdição de área contra navios adversários.

A tensão entre China e Taiwan não tem nada de recente, sendo originária da vitória dos comunistas na revolução que fundou a ditadura moderna do continente, em 1949. Parte dos derrotados se refugiou na ilha, que teve governos autoritários por décadas, mas hoje é uma democracia.

Hoje, é um ponto central da disputa hegemônica entre Washington e Pequim.

Quase nenhum país reconhece Taiwan como independente para não melindrar a China, que considera o território seu. Os EUA mantêm um acerto heterodoxo: desde que reconheceram Pequim em 1979, dão teoricamente suporte à demanda chinesa. Mas na prática, e por lei, comprometem-se a defender Taiwan em caso de invasão e são os principais fornecedores de equipamentos militares do governo da ilha.

Nos anos de Donald Trump no poder, entre 2017 e 2021, a relação política foi estreitada. Além das usuais vendas de armas, Washington passou a enviar altos funcionários para visitar Taipé, algo que gerou duras reações de Pequim —inclusive a incursão de setembro de 2020.

Biden, desde que assumiu, manteve os princípios da Guerra Fria 2.0 de Trump com a China. Americanos e chineses até fizeram uma reunião de cúpula diplomática na semana passada, mas o tom foi áspero e pouco construtivo. Um dos itens que a China coloca como inegociáveis é sua integridade territorial, e isso inclui na visão de Pequim tanto o território semiautônomo de Hong Kong, objeto de dura repressão de seus movimentos pró-democracia, quanto Taiwan.

As Forças Armadas chinesas disseram, no começo do ano, que uma declaração de independência da ilha geraria uma guerra. Analistas militares têm dúvidas sobre a exequibilidade de uma operação anfíbia para tomar Taiwan, dado o grau de defesas da ilha e, principalmente, o risco de ver os EUA envolvidos. Mas o perigo de algum fio desencapado causar curto-circuito segue em alta, como provam as ações desta sexta.

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