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EUA têm aumento de novos casos de Covid-19 após relaxamento de restrições

Depois de nove semanas consecutivas de queda, infecções aumentaram 5% na semana passada

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São Paulo | Reuters

Após nove semanas consecutivas de queda nos novos casos de coronavírus, os Estados Unidos registraram, na semana passada, um aumento de 5% em novas infecções pelo país, segundo levantamento da agência de notícias Reuters com base nos dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês).

Registrado enquanto o país avança rapidamente em sua campanha de vacinação —o governo de Joe Biden completou a meta de aplicar 100 milhões de vacinas na sexta-feira (19), 41 dias antes do prazo que havia prometido—, o crescimento pode estar relacionado à circulação de novas variantes mais transmissíveis e ao relaxamento das restrições. Segundo o levantamento, 30 dos 50 estados tiveram alta em novas infecções na última semana, em comparação com os sete dias anteriores.

Pessoas caminham nas ruas da cidade de Rochelle, em Nova York; ao fundo, uma placa colada à vitrine de um restaurante diz 'estamos abertos'
Pessoas passam por restaurante com placa de 'estamos abertos' na cidade de Rochelle, em Nova York - Spencer Platt - 11.mar.2021/AFP

“Estou preocupada. Se não tomarmos as medidas certas agora, teremos outro aumento, assim como estamos vendo na Europa”, disse Rochelle Walensky, diretora do CDC, nesta segunda-feira (22). Os estados que registraram algumas das maiores taxas de infecção foram Nova Jersey, Nova York e Rhode Island, com 313, 271 e 239 novos casos por 100 mil habitantes na semana passada, respectivamente.

Os governadores dos três estados decretaram, nas últimas semanas, um relaxamento gradual das medidas de restrição, embora tenham mantido o uso obrigatório de máscaras.

Em Nova York, por exemplo, restaurantes já funcionam com capacidade de 50% nas áreas internas, mas devem fechar até as 23h, assim como os bares. O governador Andrew Cuomo suspendeu as restrições nas chamadas “zonas amarelas”, áreas onde o estado impôs restrições mais rígidas a restaurantes e outros negócios devido a dados preocupantes de coronavírus.

O democrata também anunciou na semana passada que, a partir de 5 de abril, o estado encerraria o toque de recolher às 23h para cassinos, cinemas, pistas de boliche, salas de bilhar e academias. Quando o governador permitiu a reabertura das academias de todo o estado, em setembro, disse que as autoridades locais teriam o poder de vetar o retorno —e foi o que fez Bill de Blasio, prefeito da cidade de Nova York.

No mês passado, um grupo de donos de academias processou De Blasio e Cuomo. A partir desta segunda, as aulas de ginástica da cidade terão um limite de 33% da capacidade, assim como as academias do estado, e os clientes serão obrigados a usar máscara durante os exercícios.

Em números absolutos, Alabama, Montana e Michigan lideram o ranking, com aumento de 102%, 54% e 50% no número de novas infecções, nesta ordem. No começo do mês, a governadora do Alabama, Kay Ivey, rompeu com outros governadores republicanos de estados sulistas ao estender o uso de máscaras por mais um mês —ela disse, porém, que a regra, marcada para acabar em 9 de abril, não será prorrogada.

A mudança veio um dia depois de o presidente Joe Biden criticar os governadores do Texas e do Mississippi por decidirem retirar o uso obrigatório da proteção facial. Ainda assim, Ivey afrouxou algumas medidas. Desde então, restaurantes podem receber mais de oito pessoas em uma mesma mesa. O despacho também permitiu que os idosos retomassem atividades ao ar livre e que hospitais aumentassem de um para dois o número de visitantes que pacientes podem receber.

A governadora de Michigan, Gretchen Whitmer, anunciou um relaxamento ainda maior no começo do mês. Restaurantes já podem funcionar com limite de até cem pessoas, e espaços de entretenimento podem receber até 300 pessoas. Cassinos e academias também podem abrir com 30% de sua capacidade.

Em 10 de fevereiro, pouco mais de um mês após assumir o cargo, o governador de Montana, Greg Gianforte, cumpriu uma promessa de campanha e assinou um decreto que suspendeu o uso obrigatório de máscaras no estado —as autoridades locais ainda podem manter o requisito.

O médico-chefe do estado, Gregory Holzman, renunciou um dia após a medida, embora não tenha dito em sua carta de demissão que a saída estava relacionada à mudança. A justificativa do republicano foi a de que pessoas do grupo de maior risco já tinham ​​começado a receber a vacina —até o momento, o estado aplicou ao menos uma dose a 284 mil pessoas, ou 32,9% da população elegível, com 16 anos ou mais.

O uso da máscara foi instituído em julho pelo antecessor de Gianforte, o democrata Steve Bullock, inicialmente apenas em condados com quatro ou mais casos ativos de Covid-19. A medida foi ampliada em novembro para cobrir todo o estado, conforme o número de casos e hospitalizações aumentou.

O republicano também retirou o limite de 50% de capacidade dos estabelecimentos e permitiu que restaurantes, bares e cassinos pudessem funcionar depois das 22h, vetando outras restrições impostas durante o mandato do democrata. ​

As mortes por Covid-19 caíram 15% em todo o país na semana passada, atingindo a marca de 7.793 vítimas, mas alguns estados também caminharam na contramão dos números nacionais.

Mais uma vez, Montana registrou uma alta de 100% no número de óbitos pelo vírus, com 22 vítimas no total. Em primeiro lugar está Kentucky, com 756 novas mortes, o que equivale a um crescimento de 363% —o estado ainda mantém o uso obrigatório de máscaras, e estabelecimentos como restaurantes, bares, cinemas e salões de beleza podem funcionar com 60% de sua capacidade.

As autoridades de saúde esperam que o esforço de vacinação do país possa evitar um aumento nas mortes, mesmo que os casos aumentem novamente. Pela quarta semana, a média diária de vacinações estabeleceu um recorde, com 2,5 milhões de doses administradas por dia na semana passada.

Segundo dados do CDC desta segunda, até agora, 82,7 milhões de pessoas receberam ao menos uma dose do imunizante, e 43,9 milhões estão completamente vacinadas —porque receberam as duas aplicações da vacina da Pfizer ou da Moderna ou a dose única da vacina da Johnson & Johnson.

O número médio de pacientes com Covid-19 em hospitais dos EUA caiu 6%, para 36 mil, o menor desde outubro, de acordo com a contagem da Reuters. Embora as hospitalizações tenham caído por dez semanas consecutivas em todo o país, elas cresceram em 18 estados na semana passada, ante quatro estados na semana anterior.

Os EUA ainda ocupam o primeiro lugar na lista de países com os maiores números de contaminados e mortos pela Covid-19. Desde o início da pandemia, foram mais de 29,8 milhões de casos confirmados e quase 542 mil óbitos, de acordo com a Universidade Johns Hopkins.

Desde que Biden tomou posse, em 20 de janeiro, o país viu uma queda acentuada na média móvel de mortes. Na semana passada, o democrata usou cerca de 20 minutos no horário nobre da TV americana em seu primeiro discurso em rede nacional para prometer zerar a fila dos grupos prioritários e estender a campanha de imunização a todos os adultos a partir de 1º de maio.

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