Líder nas pesquisas, ex-goleiro recebe sinal verde para disputar Presidência no Peru

George Forsyth chegou a ter candidatura anulada por tribunal eleitoral em Lima por omissão na declaração de bens

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São Paulo

O ex-jogador de futebol George Forsyth, que lidera por pequena margem as pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial de 11 de abril no Peru, recebeu nesta sexta-feira (5) a autorização para disputar o pleito.

O Júri Nacional Eleitoral (JNE) anulou a decisão do órgão eleitoral de Lima, que havia vetado o ex-atleta de ser candidato por omissão na declaração de bens. "Eles nem queriam que um partido novo, com gente nova, com pessoas com experiência, disputasse, nem mesmo para ousasse disputar", afirmou Forsyth, celebrando a decisão do JNE.

Líder nas pesquisas, George Forsyth participa de comício de sua campanha à Presidência do Peru pelo Partido Vitória Nacional
Líder nas pesquisas, George Forsyth participa de comício de sua campanha à Presidência do Peru pelo Partido Vitória Nacional - 13.dez.20/AFP

Avesso a debates e a conversar com a imprensa, Forsyth tem preferido usar as redes sociais para fazer campanha. O TikTok é uma de suas preferidas, em posts em que joga futebol com crianças, brinca com seu cachorro e ensaia a dancinha dos Oompa-Loompas, os funcionários da "Fantástica Fábrica de Chocolates".

Depois de sua inabilitação eleitoral, porém, passou a falar com os principais meios de comunicação, para expor seu repúdio ao tribunal eleitoral, chamando "guerra suja" e de "perseguição política" a decisão que o havia tirado da corrida.

"Os líderes da velha política e a mídia diziam que íamos cair nas pesquisas há um ano. Não caímos e mantivemos o primeiro lugar. Então, agora, de forma fraudulenta, querem nos tirar da disputa. Vamos apelar e estamos na eleição ainda", afirmou em entrevista ao jornal El Comercio.

Forsyth, 38, nasceu em Caracas e é filho de um diplomata peruano e uma ex-miss Chile. Ganhou fama como goleiro do popular clube Alianza Lima, o que o ajudou a ser eleito prefeito do distrito de La Victoria, que faz parte da capital peruana, em 2018.

Não se diz "nem de direita e nem de esquerda" e se apresenta com a típica fórmula do "outsider", que quer gerir o país com técnicos e diretamente com o povo, sem associar-se a partidos tradicionais.

Em termos morais, apresenta-se como conservador —é contra o casamento homossexual e o aborto.

Além de Forsyth, o JNE também deu luz verde a outros dois candidatos vetados, entre eles o empresário ultraconservador Rafael López Aliaga, que gosta de ser chamado de "Bolsonaro peruano". Assim, serão 18 a concorrer à Presidência em 11 de abril, nas eleições que também renovarão o Congresso após crises políticas recorrentes desde 2016.

A figura do ex-goleiro cresceu muito no último ano em que o Peru mergulhou numa crise de instabilidade política, com o Congresso e o Executivo se inviabilizando mutuamente, o que levou à queda do então presidente Martín Vizcarra, e de seu sucessor direto, Manuel Merino de Lama, até que o país chegou a seu quarto presidente num só mandato: Francisco Sagasti —que não disputará a eleição.

Seu apoio, porém, caiu, e agora Forsyth lidera a disputa com 11% das intenções de voto, uma queda dos 18% que registrou em dezembro. Ele está apenas um ponto à frente do ex-legislador Yonhy Lescano, segundo a pesquisa Ipsos. Ambos são de centro-direita, mas no Peru, tradicionalmente, não importa a ideologia, mas sim o candidato.

Eles são seguidos de perto, com 8% cada, por duas mulheres em extremos opostos do espectro político: a duas vezes candidata presidencial Keiko Fujimori (populista à direita) e Verónika Mendoza (à esquerda), ex-legisladora e também ex-candidata presidencial.

Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, Keiko responde a processos por corrupção, um deles refere-se à acusação de ter recebido caixa 2 da Odebrecht quando disputou a eleição de 2011.

Seis outros candidatos têm entre 7% e 3% das intenções de voto, incluindo o líder do partido centrista do presidente Sagasti, o economista Julio Guzmán (4%). A imagem do atual mandatário vem se deteriorando desde que assumiu, com a promessa de dar algo de estabilidade ao país até as eleições. Quando tomou posse, em novembro, tinha 44% de aprovação. Hoje, são 38%.

Os levantamentos com eleitores mostram também uma forte rejeição aos concorrentes —o chamado "antivoto" (definitivamente não escolheria o candidato) vai de 43% a 72% para oito deles.

Um terço dos peruanos ainda não decidiu em quem votar e os analistas preveem que a disputa será resolvida no segundo turno, em junho, em data ainda a ser definida.

Com AFP

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