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Forças de segurança lançam granadas e matam 80 manifestantes em Mianmar

Grupos armados atacaram uma estação policial e deixaram ao menos dez agentes mortos

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Rangoon (Mianmar) | Reuters e AFP

As forças de segurança de Mianmar mataram mais de 80 manifestantes pró-democracia em Bago, próximo a Rangoon, a maior cidade do país, entre quinta (8) e sexta-feira (9). As informações foram divulgadas pela AAPP (Associação de Assistência a Prisioneiros Políticos) e pela mídia local.

Segundo os relatos, as tropas usaram granadas para interromper um protesto contra o golpe militar que derrubou o governo civil, prendeu seus líderes e comanda o país desde 1º de fevereiro.

Manifestantes lançam fogos de artifício por trás de barricada na cidade de Bago, em Mianmar
Manifestantes lançam fogos de artifício por trás de barricada na cidade de Bago, em Mianmar - 9.abr.21/Hantarwadi Media via AFPTV/AFP

Imagens gravadas nesta sexta mostram os manifestantes atrás de barricadas feitas de sacos de areia, disparando fogos de artifício. Segundo um morador, as autoridades proibiram socorristas de se aproximarem dos corpos, empilhados e colocados em um caminhão militar para serem levados embora.

Ao menos 538 pessoas já haviam sido mortas nos protestos contra o golpe —141 das quais no sábado (27), o dia mais sangrento desde o início da crise, de acordo com a AAPP.

Conforme a violência escalou, vários grupos armados condenaram a reação da junta militar aos protestos e prometeram se alinhar aos manifestantes que pedem a volta da democracia. Neste sábado (10), ataques a uma estação policial em Naungmon mataram ao menos dez agentes, segundo a imprensa local.

Os combatentes pertencem ao Exército Arakan, ao Exército de Libertação Nacional Ta'ang (TNLA) e ao Exército da Aliança Nacional Democrática de Mianmar. O TNLA afirmou que os militares responderam com ataques aéreos contra suas tropas, matando ao menos um soldado rebelde.

Outros confrontos ocorreram na cidade de Tamu, no noroeste de Mianmar, perto da fronteira com a Índia, quando soldados se dirigiram ao local para desmontar as barricadas. Ao menos dois manifestantes foram baleados, segundo uma testemunha. Os manifestantes responderam lançando um explosivo em um caminhão do Exército e matando uma dúzia de soldados, de acordo com a mesma fonte.

A junta militar não respondeu aos pedidos de comentários feitos pela agência de notícias Reuters.

Com a violência dos confrontos em Mianmar, o embaixador do país na ONU, Kyaw Moe Tun, que permanece no cargo mesmo após ter sido demitido pelos militares, pediu uma ação enérgica da organização e de seu Conselho de Segurança contra o governo.

"Por favor, por favor, interfiram", disse o embaixador, que também solicita uma área de exclusão aérea para contra-atacar as agressões do regime contra as minorias, sanções contra a junta e um embargo de armas.

China e Rússia têm poder de veto no Conselho de Segurança e geralmente se opõem a sanções internacionais. Mas Pequim —principal aliado dos militares em Mianmar— expressou crescente preocupação com a instabilidade, informando estar dialogando com todas as partes.

Para driblar repressões violentas, os manifestantes usam meios de ação alternativos. Neste sábado, eles jogaram tinta vermelha nas ruas do centro de Rangoon, como parte de uma iniciativa chamada Movimento Vermelho. Panfletos com a frase "não nos governarão" foram espalhados em várias partes da cidade. Em Mandalay, esses manifestos foram colados na estátua do general Aung San, pai da líder deposta Aung San Suu Kyi e herói da independência mianmarense.

Suu Kyi, 75, principal líder civil detida na tomada de poder, foi ainda alvo de uma nova acusação: a de violar uma lei da era colonial sobre segredos oficiais, segundo seu advogado. Se for condenada nesse processo, pode pegar pena de até 14 anos de prisão.

Antes, ela havia sido acusada de crimes leves, como importação ilegal de seis walkie-talkies e uma suposta violação dos protocolos de combate à propagação do coronavírus. Ela é mantida em um local desconhecido, e seu advogado só pode conversar com ela por chamada de vídeo.

Legisladores civis, muitos escondidos desde o golpe, anunciaram planos para formar um governo de unidade nacional —com papéis importantes para os líderes étnicos— e estão organizando pela internet uma resistência conjunta aos militares.

No início de abril, o governo mandou desligar o serviço de internet móvel no país, por tempo indeterminado, disseram várias empresas de telefonia.

A determinação para suspender a internet não detalha o motivo. Especula-se que o governo tenha adotado a medida para tentar desarticular os protestos de rua e a mobilização online.

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