Descrição de chapéu oriente médio

Jordânia diz que príncipe conspirou com agentes estrangeiros e vinha sendo investigado

Meio-irmão do rei Abdullah, Hamza nega acusações de tentar desestabilizar país

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Amã, Jordânia | Reuters

O vice-primeiro-ministro da Jordânia, Ayman Safadi, afirmou neste domingo (4) que o príncipe Hamza bin Hussein vinha conspirando com agentes estrangeiros para desestabilizar o país e estava sob investigação havia algum tempo.

No sábado (3), as Forças Armadas prenderam 20 pessoas em uma operação e alertaram o ministro a respeito de ações contra a “segurança e estabilidade” da Jordânia —país aliado dos EUA. Em vídeo, o príncipe Hamza negou a acusação e afirmou estar em prisão domiciliar.

O ex-príncipe herdeiro da Jordânia Hamza bin Hussein participa de evento em Amã em 2009 - Majed Jaber - 9.jun.09/Reuters

"As investigações monitoraram comunicações com agentes estrangeiros sobre o melhor momento para desestabilizar a Jordânia”, disse Safadi. Entre as comunicações interceptadas havia conversas entre agentes de inteligência estrangeira e a esposa do príncipe Hamza para organizar o envio de um avião para tirar o casal do país.

"As investigações iniciais apontaram que essas atividades e movimentos chegaram a um ponto que afetava a segurança e a estabilidade do país, mas sua alteza decidiu que seria melhor conversar diretamente com o príncipe Hamza, para abordar a questão em família e evitar que fosse explorada politicamente.”

Em vídeo, o príncipe Hamza, 41, negou a acusação e afirmou estar em prisão domiciliar. Hamza é meio-irmão do rei Abdullah, 59, e ex-herdeiro do trono. Ele disse que não participou de um complô e acusou as autoridades do seu país de corrupção e incompetência. Os acontecimentos podem afetar a imagem da Jordânia como uma ilha de estabilidade no turbulento Oriente Médio.

Hamza foi criado por sua mãe, a rainha Noor, para suceder o rei Hussein (1935-1999), que governou por quase cinco décadas. No entanto, outro filho, Abdullah, foi apontado como herdeiro e assumiu o trono em 1999. Em 2004, Abdullah tirou Hamza do posto de príncipe herdeiro e deu a posição para um filho dele, também chamado Hussein.

Desde então, Hamza tenta ganhar popularidade entre tribos proeminentes do país. Figuras da oposição têm se aproximado dele, algo visto com reservas pelo rei. Essas tribos de oposição, chamadas Herak, vêm convocando protestos contra a corrupção na Jordânia, onde a pandemia de Covid-19 causou desemprego recorde e aumentou a pobreza.

O rei Abdullah conseguiu trazer estabilidade política para o país e ganhar estatura como um proeminente líder árabe cuja mensagem encontrou eco especialmente em fóruns ocidentais.

Uma ex-autoridade dos EUA com conhecimento das ações na Jordânia afirma que o suposto plano não envolveria um "golpe físico", mas protestos que pareceriam ser uma "insurgência popular nas ruas".

Segundo a agência de notícias estatal, estão entre os detidos na operação deste sábado Sharif Hassan Ben Zaid, um membro da família real, e Bassem Awadallah, um confidente do rei que depois se tornou ministro das Finanças e conselheiro do príncipe saudita Mohammad Bin Salman, o que levantou a hipótese de a Arábia Saudita ter algum tipo de envolvimento num suposto plano na Jordânia.

Após as detenções, a corte real saudita expressou total apoio ao rei Abdullah, assim como Egito, Líbano e o Barein. O Departamento de Estado dos EUA, um importante aliado da Jordânia, disse que Abdullah é um "parceiro-chave" de Washington e tem todo o apoio.

A rainha Noor defendeu seu filho. "Rezando para que a verdade e a Justiça prevaleçam para todas as vítimas inocentes desta calúnia perversa", escreveu a monarca no Twitter.

A maioria dos políticos acha que o príncipe Hamza será silenciado e não é provável que ele represente uma ameaça, dado que as forças armadas e de segurança apoiam fortemente o rei Abdullah.

"Acredito que o rei Abdullah reforçou sua autoridade e que o filho dele, Hussein, consolidou-se como herdeiro do trono”, disse Jawad al Anani, que foi o último chefe da corte do reinado do rei Hussein.

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