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Luiza Ribeiro

Diversidade e atração de talentos: um círculo virtuoso

Ambiente plural impacta diretamente nos negócios

Luiza Ribeiro, superintendente de Talentos e Diversidade do Itaú
Luiza Ribeiro

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Reflita comigo: qual seria um bom indicador para uma empresa avaliar seus progressos em diversidade e inclusão? Seriam os resultados de pesquisas de satisfação e engajamento dos colaboradores? Ou a percepção positiva que clientes e sociedade têm dela? Ambas as opções são válidas e estão corretas, mas acrescento mais uma, fundamental: a força que essa empresa possui para identificar, atrair e recrutar talentos, estejam eles onde estiverem.

Se uma organização aspira ter os melhores talentos, deve expandir sua busca para além dos canais tradicionais e estar disposta a desenvolver potenciais candidatos, que não tiveram equidade de oportunidades, para ampliar esse desenvolvimento. A questão central é: como gerar aberturas interessantes e agregadoras tanto para o colaborador quanto para a empresa?

Promover um ambiente de trabalho plural é questão de justiça social e reforça valores fundamentais, como o respeito às diferenças. Mas não são os únicos benefícios: diversidade impacta diretamente nos negócios. O estudo Diversity Matters, da McKinsey & Company, com 366 empresas globais de capital aberto, avaliou que quadros mais diversos têm até 35% mais chance de retorno financeiro do que a média de seu segmento. Quanto mais comprometida com um ambiente diverso, mais bem-sucedida a empresa será. E é assim tem que ser. Afinal, qual organização não quer compreender e representar o seu cliente?

As pessoas querem direitos iguais para viverem suas diferenças. Os colaboradores precisam ser valorizados pelas aptidões que os tornam únicos —e não serem cobrados por habilidades que ainda não possuem. É uma mudança total no “mindset” da liderança, que precisa se tornar cada dia mais respeitosa e inclusiva.

Quem vivencia um ambiente com presença equilibrada entre gêneros, raças, idade, orientação sexual, necessidades, diversidade cognitiva e cultural compreende naturalmente os benefícios: visões distintas e complementares no ambiente de trabalho enriquecem e fortalecem uma empresa. Além de torná-la mais inovadora: quanto mais diversidade no ambiente, maior a possibilidade de responder adequadamente ao desafio ou antecipar tendências.

Ao final, essa também é uma decisão de negócios. A comunidade LGBT movimenta anualmente estimados US$ 3 trilhões no mundo e cerca de R$ 150 bilhões no Brasil, de acordo com dados divulgados pela imprensa nacional. A população negra movimentou R$ 1,5 trilhão na economia brasileira em 2017. As mulheres, em muitos setores, são as principais tomadoras de decisão de compras. Ignorar este público pode sair muito caro.

Todos esses fatores nos remetem ao início da reflexão: empresas mais diversas são capazes de conquistar e manter talentos, com foco na satisfação dos clientes e dos funcionários, melhorando a tomada de decisão e levando a um círculo virtuoso de retornos positivos crescentes.
A jornada da diversidade é longa e desafiadora, mas percorrê-la é gratificante, com ganhos que extrapolam indivíduos e empresas, impactando toda a sociedade. 

O mundo precisa dessas mudanças. Os países desenvolvidos estão um passo à nossa frente, mas enfrentam desafios. No Reino Unido, em 22% das empresas, a liderança reflete a composição demográfica do país, contra 9% do Brasil e 3% dos EUA. O equilíbrio entre gêneros também demanda esforços: as mulheres representam, em média, 16% dos cargos de liderança nos EUA; 12%, no Reino Unido, e 6%, no Brasil.

Ao olhar para a movimentação do mercado e para o futuro, apesar dos desafios que ainda temos, vejo cada vez mais a importância de apoiar iniciativas que promovam a diversidade como um “drive” para a formação de empresas mais justas e maduras. 

São companhias que refletem a pluralidade e a riqueza das sociedades, com mais habilidade para construir e agregar do que para excluir. Quem já compreendeu a importância desse movimento está à frente, mais preparado para os desafios de negócios que surgem a cada dia.

Luiza Ribeiro

Superintendente de Talentos e Diversidade do Itaú Unibanco

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