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Futuro robótico

Agora o espectro da obsolescência cerca também profissões prestigiadas e bem remuneradas

Robô utilizado em unidade da Unilever em Aguaí (SP)
Robô utilizado em unidade da Unilever em Aguaí (SP) - Eduardo Knapp - 2.ago.18/Folhapress

Um estudo sobre o futuro do emprego no Brasil estimou que, até 2026, 54% dos postos de trabalho, ou 30 milhões de vagas formais, podem ser perdidos para softwares e robôs. A pesquisa, feita por um grupo da UnB (Universidade de Brasília), avaliou o risco a que estão submetidas 2.602 ocupações.

Embora a precisão desse tipo de trabalho sempre esteja comprometida pelas contingências do futuro, pode-se ter maior certeza quanto à tendência geral: a substituição, em larga escala, de mão de obra humana por automação.

Se no início da revolução tecnológica a ameaça existia apenas para pessoas que executavam trabalhos manuais e pouco qualificados, agora o espectro da obsolescência cerca também profissões prestigiadas e bem remuneradas. A engenharia química e até algumas especialidades médicas aparecem na lista das carreiras em perigo.

Não é que corram risco de extinção —caso de taquígrafos e cobradores de ônibus—, mas devem perder parte das funções para programas de software que se valem do aprendizado de máquina. Eles já conseguem fazer certos diagnósticos de forma muito mais rápida e precisa que o médico, por exemplo.

No longo prazo, a superautomação não é necessariamente má notícia. Máquinas que produzem sozinhas não são em princípio uma ameaça, e sim o sonho da libertação do trabalho, que daria a cada um a oportunidade de dedicar-se apenas àquilo de que realmente gosta. 

O problema é a transição do mundo atual para um em que as necessidades materiais da humanidade já não dependeriam tanto do trabalho. Os desafios são enormes.

Como sustentar o exército de gente que vai perder o emprego? A renda mínima universal pode ser a solução, mas não há como ignorar os obstáculos no caminho. De onde os Estados sacariam recursos? Quais atividades seriam tributadas? Dá para um país fazer isso sozinho ou teria de haver coordenação global?

Garantir aos indivíduos uma fonte de renda é apenas parte da história. O trabalho hoje não só garante o salário do mês, mas, em muitos casos, também ajuda a formar a identidade individual. Como lidar com os aspectos psicológicos de uma realidade pós-emprego?

O historiador israelense Yuval Harari alerta em seus livros para o risco de uma distopia, na qual bilhões de terráqueos que perderam sua relevância econômica, suas identidades e seus valores se convertem numa massa de destituídos que se dedica a tarefas como consumir drogas cada vez mais poderosas.

Saberemos evitar esses cenários?

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