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Marco Feliciano

'Maus modos', mas bons princípios

'Elite intelectual' não suporta simbologia bolsonarista

O deputado Marco Feliciano (Pode-SP), vice-líder do governo no Congresso - Vinicius Loures - 10.mai.19/Câmara dos Deputados
Marco Feliciano

Com títulos como “O ‘aprendiz de presidente’”, alguns jornais brasileiros têm açoitado o presidente Jair Bolsonaro (PSL) em seus editoriais. E, com frases como “Bolsonaro não se mostrou nem remotamente à altura dessa tarefa” (de presidir a República), injustamente tentam mostrá-lo como um inepto.

Analisando esse fenômeno cheguei à conclusão de que se trata de um problema de simbologia. Devido a padrões preestabelecidos pela dita intelectualidade sobre a “postura adequada” de um chefe de Estado, a imprensa se centra na forma com que o presidente exterioriza seu pensamento político —em prejuízo de analisar mais profundamente o seu conteúdo. 

Em vez de julgar as medidas administrativas de seu governo, focam na maneira franca e objetiva com que ele se comunica, característica de um homem simples e idealista. 

Vejamos. Por décadas, a elite intelectual brasileira (imprensa aí inclusa) colocou a probidade como uma questão de salvação nacional. Contudo, apesar da luta feroz do presidente no combate à corrupção, realizada desde a indicação de Sergio Moro para chefiar a pasta da Justiça (resultando em inéditos oito meses de gestão sem um escândalo envolvendo malversação de recursos públicos), a manchete foi que o presidente chamou dois adversários políticos de “paraíbas”

Já o loteamento de cargos públicos era exposto pela imprensa como uma imoralidade nacional, fonte primária da ineficiência administrativa. Mas, apesar de Bolsonaro ter nomeado um ministério técnico e ter editado decreto exigindo comprovação de idoneidade, escolaridade e experiência profissional para ocupação de cargos comissionados, relevante parece ser o presidente ter dito que não se passa mais fome no Brasil (óbvia força de expressão, denotando a melhoria da situação).

Por fim, a imprensa dizia que a solução para a economia era a sustentabilidade fiscal. Entretanto, apesar de ter enviado ao Congresso uma reforma da Previdência com previsão de economia de quase 1 trilhão de reais —já aprovada na Câmara dos Deputados, após inédita mobilização popular capitaneada pelo presidente em favor da mesma—, importante foi destacar as contrariedades que ele teve com uma articulista de O Globo que pertenceu a uma organização terrorista no passado. 

Prova da predileção da imprensa por esse interminável “mimimi” foi a divulgação de pesquisa Datafolha, dizendo que 58% dos brasileiros não conseguem citar ao menos uma medida positiva do governo Bolsonaro. Afinal, se existem muitas medidas positivas de grande impacto e a população as desconhece, é porque os meios de comunicação social não as têm avisado, deixando assim de cumprir a sua mais importante função social: informar! 

Ao focar em questões menores do comportamento presidencial (que como se viu pelos exemplos aqui dados logo são esquecidas, por irrelevantes que são), a coluna política parece ter virado coluna social.

O fato transcendental de o presidente Jair Bolsonaro ter sido eleito sem recursos financeiros e sem apoio de um status quo partidário estruturalmente corrompido (por isso dele não sendo refém), operando assim uma verdadeira revolução nos costumes políticos brasileiros, é tratado como irrelevante. 

Talvez estejam com saudades dos políticos bem-comportados, verdadeiros “lobos em pele de cordeiro”, que, apesar de politicamente corretos, tungavam sem dó o dinheiro público. Além disso, essa marola toda tem tornado o Brasil alvo de ataques estrangeiros, que com interesses inconfessáveis instrumentalizam nossa imprensa em desfavor da nação. 

Enfim, o que se vê é o descolamento da imprensa do interesse público. Tudo porque os bons modos da “elite intelectual” não suportam a simbologia bolsonarista. Ao olharem o rótulo, se esquecem do conteúdo. Ao se prenderem à forma, se contradizem, tratando como triviais as realizações pelas quais lutaram uma vida inteira.

Por isso, reforço aqui ao pensamento do ministro Paulo Guedes (Economia) de que o sistema se acostumou com governantes com bons modos, mas sem princípios. Como ele, eu prefiro um presidente que tenhas bons princípios, mesmo que tenha “maus modos”.

Marco Feliciano

Deputado federal (Pode-SP), vice-líder do governo no Congresso, presidente da Comissão de Desenvolvimento Urbano e membro da Comissão de Relações Exteriores da Câmara e pastor evangélico

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