Descrição de chapéu
Hélio Lopes

Nossa cor é o Brasil

Cota racial é absurdo que separa determinado grupo

As perguntas que devemos fazer são: “por que nos passam a imagem de que os portugueses chegaram à África e escravizaram o povo ali existente?; por que omitem o fato de que os escravos vendidos na costa africana eram em sua maioria prisioneiros de guerra de outros povos africanos ali existentes?; por que somos direcionados a lembrar de Zumbi em detrimento de Nilo Peçanha, Luiz Gama, Chico da Matilde e André Rebouças, entre outros?; todo europeu é ruim?; todo negro é coitado?; todo homossexual é discriminado?; e, por fim, todo índio quer continuar sendo visto como vítima?”. Não!

E por que somos constantemente influenciados a pensar assim?

O deputado federal Hélio Lopes (PSL-RJ) ao lado de totem do presidente Jair Bolsonaro, no Rio de Janeiro - Tercio Teixeira - 24.nov.18/Folhapress

As respostas a essas questões se dão pela lógica marxista de “dividir para conquistar”, a fim de agregar conotação política e ideológica a uma questão social que faz parte da história do nosso país. Exemplo disso são as cotas raciais —um absurdo que, pela cor da pele, a pessoa seja separada de determinado grupo. 

A cota racial me remete a pensamentos repugnantes, como os de que negros têm QI inferior ao dos brancos. É só olhar para a história do Brasil, para a criação das favelas, e veremos índios, negros, nordestinos e outros diversos grupos que vivem às margens da atuação do Estado. Isso acontece em especial nas favelas do Rio de Janeiro. Será que o negro que vive aquela realidade é mais ou menos sofredor do que o branco, muitas vezes filho de nordestino e seu vizinho?

Quem pretende mudar verdadeiramente a história do povo brasileiro deve investir pesado na educação de base, além de dar difusão à informação e ao conhecimento, com o objetivo de minimizar as diferenças de oportunidades recebidas. Se o objetivo é minimizar as diferenças de oportunidades recebidas, então vamos implantar cotas sociais com prazo determinado e improrrogável, e não “carimbar” na testa de todos os negros como um ser com menor capacidade intelectual que o restante das raças.

Cota racial, assim como várias ações puxadas pelo “movimento negro”, são meros programas partidários. Isso ficou claro para mim quando, sendo o deputado negro mais votado da história do Rio de Janeiro, não recebi nenhuma linha escrita ou manifesto sobre o fato. Surpreendentemente, ocorreu e ainda ocorre justamente o contrário.

Constantemente sou atacado e xingado por supostamente não atender aos interesses dos movimentos negros e por não compactuar com todo o vitimismo, como ocorreu na solenidade de Homenagem aos 131 anos da assinatura da Lei Áurea. No plenário, fui xingado de fascista, racista e capitão do mato. Ao deixá-lo, continuei sendo agredido verbalmente e quase fisicamente pelos ditos defensores dos negros. O meu crime? Pensar diferente e não acreditar na narrativa defendida por eles.

Falo isso com a consciência tranquila, olhando a minha história. Nascido em Queimados (RJ), município mais violento do estado e o quinto mais violento do país, filho de um negro e uma negra semianalfabetos. Meu pai, um homem de pouca leitura. Já minha mãe aprendeu a ler com a Bíblia e criou e deu educação para seis filhos. Sempre estudei em colégio público. Quando tinha 12 anos, antes de ir à escola, ganhava uns trocados cuidando e recolhendo restos de comida em algumas casas do meu bairro para dar o que comer aos porcos da minha tia Joana, o que me fez ter responsabilidade na adolescência, sempre olhar para trás e não esquecer minhas raízes. Estudei muito, superei adversidades, nunca desisti e, com muito esforço, passei no concurso para sargento do Exército —sem cota racial— em 1992.

Infelizmente, no Brasil, impera a ditadura narrativa. Fui chamado de “escravo da casa grande” pelo músico Marcelo D2. Minha história, luta e vitória se resumiram à visão ideológica de Marcelo D2 contra Jair Bolsonaro. Querem colocar a alcunha de racista em nosso presidente; somos amigos há mais de 20 anos.

Eu não vejo esses que dizem defender o direito dos negros falarem sobre as centenas de policiais militares que morrem por ano no Brasil, onde a esmagadora maioria é parda ou negra. O ator Morgan Freeman, quando questionado sobre o mês da história negra nos EUA, disse: ”Não quero mês da história negra. A história negra é a história americana”.

No Brasil, eu quero falar dos brasileiros e da nossa história, pois todas elas se confundem e se completam.

A nossa cor é o Brasil!

Hélio Lopes

Deputado federal (PSL-RJ), é perito criminal e graduado em gestão pública e financeira

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