Descrição de chapéu

Salgada e suja

Levantamento mostra piora da poluição no litoral, fruto do atraso em saneamento

Praia de Itaquanduba, em Ilhabela (SP), que de regular, em 2016, passou a ser avaliada como péssima - Eduardo Anizelli/Folhapress

A abertura da temporada de verão escancara mais um descalabro provocado pelo vexatório atraso brasileiro em saneamento básico.

Nas 31 cidades litorâneas que mais recebem visitantes, consideradas prioritárias pelo Ministério do Turismo por seu potencial de geração de empregos e de renda, 42% dos trechos de praia monitorados tiveram suas águas avaliadas como ruins ou péssimas.

Isso significa que o local ficou impróprio para banho em ao menos 1 de cada 4 medições feitas entre novembro de 2018 e outubro de 2019. O levantamento feito pela Folha seguiu normas federais: considerou o trecho impróprio quando verificada a presença de mais de 1.000 coliformes fecais a cada 100 ml.

A detecção desses organismos constitui um indicativo de que esgoto e outras fontes de contaminação chegam ao mar. Não surpreende que isso ocorra em um país onde apenas 52,4% da população tem acesso à rede de esgoto.

O restante dos dejetos acaba lançado em cursos d’água ou simplesmente escorre a céu aberto; nas regiões costeiras, a sujeira invariavelmente chega ao oceano.

O problema não está restrito às regiões de menor renda: no estado mais rico do país, o número de praias consideradas péssimas quase dobrou neste ano, de 16 para 29 dos 177 pontos monitorados. Não custa lembrar que o saneamento está longe de ser universalizado em São Paulo: coletam-se 90% dos dejetos, mas só 65% são tratados.

No país como um todo, a situação tem piorado, o que se mostra ainda mais vergonhoso: praias com avaliação ruim ou péssima, que eram 29% em 2016, são hoje 35%.

Balneários com águas sujas, que causam doenças e desconforto, espantam turistas e fazem com que se percam recursos que poderiam aquecer a economia das cidades. Mas são muito mais amplos, infelizmente, os impactos da falta de saneamento no atraso do país.

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