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Rossieli Soares

Preservar vidas, um princípio inegociável

Em São Paulo, volta dos alunos às escolas é o nosso pequeno grande passo

Rossieli Soares

Secretário de Educação do Estado de São Paulo

Vidas. Não há palavra melhor para descrever a condição para a retomada de qualquer atividade durante a pandemia em que vivemos. Na educação, isso será um princípio inegociável. Iniciaremos o retorno às escolas no estado de São Paulo sempre pensando em preservar vidas.

A retomada será gradual e, se necessário for, daremos passos atrás. Um olho nos nossos estudantes, outro na ciência. Um olho em nossos professores e servidores, outro na saúde. Tudo será feito com a orientação dos principais atores que atuam com base em estatísticas, determinantes nesta fase.

O secretário de educação de SP, Rossieli Soares da Silva, em seu gabinete
O secretário de educação de SP, Rossieli Soares da Silva, em seu gabinete - Eduardo Anizelli - 14.jan.19/Folhapress

Dividiremos a retomada em três etapas, a partir de 8 de setembro. Na primeira, as atividades educacionais presenciais voltam em todos os segmentos, da educação infantil ao ensino superior, com nível de restrição elevado e com apenas 35% da capacidade física das unidades, que terão de preservar, sempre, o distanciamento de 1,5 metro entre alunos e professores. Para respeitar essa determinação, poderá haver revezamento dos estudantes por dia.

Na segunda etapa, estará liberada 70% da capacidade, e na terceira, 100%. As condições do retorno da educação e o avanço estão vinculados aos indicadores de saúde do Plano São Paulo. Ou seja, se uma região regredir para as fases 1 ou 2 do plano, a reabertura será suspensa naquela região.

Para o calendário pensado sair do papel é necessário o cumprimento de uma condição básica: a permanência de todos os Departamentos Regionais de Saúde por dois ciclos (28 dias) consecutivos na fase 3 (amarela) ou superior. Esse período de estabilização das áreas na fase 3 (amarela) ou superior é necessário para evitar o risco de abertura e fechamento de escolas. A data estimada também é importante para as redes públicas e privadas planejarem seus retornos e se organizarem.

Todos os protocolos, como distanciamento social, higiene pessoal, sanitização dos ambientes, comunicação e monitoramento foram construídos em diálogo intenso.

O desafio da retomada na educação é enorme em qualquer lugar do Brasil. Mas, em São Paulo, pelo tamanho do setor educacional — são 13,3 milhões de estudantes e 1 milhão de professores e outros profissionais, ou seja, 32% da população estadual—, a tarefa de retomada das aulas presenciais se torna muito complexa e exige cuidado intenso e frequente.

Não estamos falando apenas em colocar crianças e jovens nas salas de aula com cuidados de higiene. Estamos tratando, também, da nova forma de cuidar da logística de transporte, da merenda, do cuidado no trato dos alunos sobre o tema e, principalmente, do aprendizado. Mesmo com todos os desafios temos de garantir a aprendizagem de todos.

Já estamos preparando instrumentos de avaliação diagnóstica do aprendizado acumulado dos estudantes neste ano para, em seguida, adotar estratégias e materiais pedagógicos personalizados e adaptados às necessidades de recuperação da aprendizagem de cada um, segundo suas respectivas dificuldades. Focaremos as habilidades essenciais de cada série e teremos o 4º ano do ensino médio, optativo, para os estudantes que quiserem se preparar mais e melhor para o acesso ao ensino superior.

Por isso, sempre falamos em não deixar nenhum aluno para trás. Vamos focar a recuperação da aprendizagem de todos, priorizando não só as habilidades essenciais. O acolhimento e o cuidado socioemocional com todos, estudantes e profissionais da educação, é outro eixo essencial. Nestes tempos de incertezas geradas pela pandemia, cuidar das pessoas e promover o desenvolvimento de competências socioemocionais é mais do que nunca necessário.

Todos devem entender a necessidade de mudanças significativas nas rotinas escolares, principalmente nas primeiras etapas. À medida que o tempo for passando e que tenhamos dados que nos permitam avançar, avançaremos. Mas todo o cuidado é para a preservação de vidas de estudantes, pais, famílias, professores, equipes pedagógicas, administrativas e outros serviços.

E, assim, com muito trabalho e seguindo os passos da ciência, vamos caminhando para voltar a vida à normalidade, ou ao "novo normal", como tem sido chamado. Sabemos da importância do ensino presencial, e colocar nossos alunos nas escolas é o nosso pequeno grande passo.

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