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Synthia Santana

Diversidade em empresas significa mais do que marketing

Políticas de inclusão podem render mais para as companhias

Synthia Santana

Muito além de parecer inclusiva, cool ou boazinha aos olhos dos consumidores: por que uma empresa deve buscar diversidade em sua força de trabalho?

Em primeiro lugar, precisamos definir sobre qual aspecto de diversidade estamos falando, já que existem inúmeras características dos trabalhadores e diversas maneiras de enxergá-las em um mesmo indivíduo. De uma forma geral, podemos diferenciar os atributos individuais entre aqueles inerentes à pessoa (como gênero e raça) e aqueles adquiridos ao longo do tempo (como a sua condição socioeconômica e escolaridade).

Embora diversos espectros da desigualdade social associada ao mercado de trabalho que o país enfrenta sejam largamente debatidos (e reconhecidos), as evidências empíricas atualmente tratam basicamente de como grupos sub-representados nas empresas sofrem maior rotatividade, ganham salários mais baixos ou estão mais suscetíveis a determinadas ocupações.

Surpreendentemente, entretanto, pouca evidência empírica tem sido produzida sobre o impacto da (falta de) diversidade no desempenho das empresas brasileiras. Com apoio do Partnership for Economic Policy, um grupo de pesquisadores brasileiros aceitou o desafio de mensurar o impacto da diversidade de trabalhadores no desempenho do setor privado brasileiro e mostrou que empresas mais diversas criam um ambiente mais favorável para a criatividade, a resolução de problemas e a produção de novas ideias, gerando mais inovação e promovendo ganhos de produtividade.

Seja nas empresas, no governo, nas universidades ou em qualquer outra esfera de tomada de decisão, a diversidade tem consequências importantes sobre o produto final gerado pela instituição.

Quando a falta de diversidade produz efeitos apenas na esfera privada, talvez as consequências não sejam diretamente percebidas. Mas e quando decisões importantes são tomadas exclusivamente por grupos homogêneos, com visão potencialmente limitadas por suas bolhas?

A falta de diversidade entre os economistas motivou, por exemplo, o surgimento de grupos como o EconomistAs (Brazilian Women in Economics), o GeFam (Grupo de Estudos em Economia da Família e do Gênero) e a Repp (Rede de Economistas Pretas e Pretos), dedicados a dar mais visibilidade a esses temas e a gerar mais diversidade, inclusive na profissão.

O recado está dado: a diversidade não é importante apenas como um aspecto de promoção de bem-estar social. Políticas de inclusão e de diversidade podem ser boas para a sua empresa no fim das contas. Literalmente falando.

Synthia Santana é doutora em economia pela EESP-FGV e pesquisadora do GeFam em inovação e empreendedorismo

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