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Alexandre Loures e Marcelo Tokarski

Empresas devem investir em comunicação

Cenário pós-pandemia exige reposicionamento e ampliação de investimentos

Alexandre Loures

Fundador da Loures Consultoria e sócio do Grupo FSB

Marcelo Tokarski

Sócio-diretor do Instituto FSB Pesquisa

O brasileiro é viciado em internet e um verdadeiro apaixonado por redes sociais. Somos 150 milhões de internautas, dos quais 140 milhões estão presentes em ao menos uma rede social. Isso equivale a nada mais, nada menos do que dois terços da população total do país (exatos 66%) conectados ao ambiente de rede.

Para se ter uma ideia, no mundo, essa taxa é de 49%. Nos Estados Unidos, chega a 70%. Cada brasileiro passa em média 9 horas e 17 minutos por dia conectado. Pouco mais de um terço desse tempo (3h31min) é dedicado às redes sociais (os dados são do relatório #Digital2020, publicado pela DataReportal).

Nesse cenário, empresas e marcas deveriam estar mais do que preparadas para atuar nesse ambiente digital. Mas a verdade é que muitas empresas brasileiras ainda encontram sérias dificuldades para navegar nesse agitado mar das redes sociais, povoado de fake news e, mais recentemente, de campanhas de cancelamento.

O lado bom é que, diante de tantas mudanças, o sinal de alerta parece ter sido ligado nas companhias. Como arma para se prevenir e combater fake news e lidar com a sombra dos cancelamentos de personalidades e marcas, a maioria dos executivos brasileiros aposta em uma receita: investir em comunicação para fortalecer seus valores e propósitos. Esse é o diagnóstico que emerge de pesquisa exclusiva feita pelo Instituto FSB com mil empresários de todo o país e de todos os segmentos de atividade entre os dias 7 e 20 de agosto.

De acordo com o levantamento, metade das empresas brasileiras admite não estar preparada para lidar, por exemplo, com fake news —outras 4% dizem não saber se estão ou não preparadas. Mesmo entre as grandes e médias empresas, 4 em cada 10 reconhecem não ter um planejamento prévio para lidar com notícias falsas, que muitas vezes arrasam em poucas horas reputações que levaram anos para serem construídas.

Sobre ter ou não capacidade de lidar com as campanhas de cancelamento nas redes sociais, movimento que ganhou tração no mundo pandêmico, o quadro é ainda pior: apenas pouco mais de um terço das empresas ouvidas (36%) dizem estar preparadas para reagir a esse fenômeno. Até entre as grandes, uma minoria (44%) afirma estar pronta para lidar com esses cancelamentos.

Se falta preparo, há sinais de que essa realidade começa a entrar no planejamento dos negócios. Questionados sobre os investimentos em comunicação no pós-pandemia, dois de cada três empresários ouvidos na pesquisa afirmam que irão ampliar os recursos destinados à comunicação externa de suas companhias.

Essa preocupação certamente tem tudo a ver com as inúmeras rupturas provocadas pela pandemia de Covid-19, que alterou o modo como o consumidor se comporta e lida com as marcas. Durante os meses de isolamento social (e mesmo agora, com o receio de retomar uma rotina igual à anterior), as redes sociais se consolidaram de vez como “a” arena de debates. Uma arena que repercute 24 horas por dia e que rompe fronteiras geográficas.

Nesse cenário pós-pandemia, os negócios precisam se reposicionar e ressignificar seus valores e propósitos. E os executivos indicam que isso não poderá ser feito sem ampliação dos investimentos. Em um mundo tão acelerado em mudanças, quem não fizer esse movimento vai ficar para trás. E rápido.

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