Descrição de chapéu
O que a Folha pensa enem

The book is not on the table

É desafio do setor público superar deficiências decisivas no ensino de inglês

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

0
Estudante comparece ao Enem deste ano - Marlene Bergamo/Folhapress

Levantamento da Folha revelou que as questões de inglês respondem pela maior desvantagem dos alunos da rede pública ante os das escolas privadas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), principal meio de ingresso na educação superior. Trata-se, portanto, de um gerador de desigualdade.

A análise mostra que estudantes de bom desempenho das redes pública e particular têm notas semelhantes, por exemplo, em matemática. O mesmo não se dá, porém, com a língua inglesa.

Quem acompanha o ensino dessa disciplina no país concorda que tanto estabelecimentos públicos como particulares derrapam na tarefa. A diferença fundamental observada no Enem se deve ao aprendizado fora da escola.

São os jovens de famílias mais abonadas, afinal, que em geral têm acesso aos cursos livres de idiomas —sem contar os intercâmbios culturais e outras opções. O conhecimento de inglês é uma forma importante de inserção cultural e social, o que na maior parte dos casos motiva o investimento.

No ensino regular, as deficiências são notórias. Critica-se o excesso de gramática; mais evidente é o despreparo dos professores.

Dados do Censo Escolar do MEC mostraram que quase metade dos docentes do ensino médio do país ministra disciplinas para as quais não tem formação específica.

Parte integrante da dinâmica escolar há décadas, o ensino de língua inglesa foi fixado como obrigatório pela Base Nacional Comum Curricular, de 2017, documento que guia a elaboração de currículos.

A BNCC determina que o inglês entre na sala de aula a partir dos anos finais do ensino fundamental, quando os alunos têm, aproximadamente, de 11 a 14 anos.

Retirá-lo da avaliação do Enem seria uma saída enganosa. A disciplina não deixará de ser essencial na vida acadêmica por não ser mais objeto de avaliação prévia.

Uma eventual ausência do inglês como requisito para ingresso no ensino superior na prática passaria às universidades e faculdades a missão inglória de remediar as falhas na formação dos alunos. Pode-se prever que as mesmas desigualdades se evidenciariam em uma etapa mais avançada.

Obrigatório como deve ser, o aprendizado da língua inglesa precisa se dar na educação básica, em ampla escala. É desafio do setor público encontrar meios de superar uma deficiência tão decisiva contra o progresso dos estudantes.

editoriais@grupofolha.com.br

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.