Leitores criticam CNBB por posição sobre estupro de criança

Muito triste o nome de Deus ser usado para defender uma atrocidade, diz leitora

Estupro e condenação
Absurdas as críticas feitas pelo presidente da CNBB e pelo líder da frente evangélica condenando ou lamentando o aborto legal feito na menina que teve sua infância estuprada ("Aborto legal em menina estuprada no ES é 'crime hediondo', diz presidente da CNBB", Cotidiano, 18/8). Será que é tão difícil para algumas pessoas entender que manter a gravidez e ter o filho seria obrigar essa criança a se lembrar o tempo todo da terrível tortura que viveu por quatro anos? Que egoísmo profundo é esse que tenta impor valores pessoais à frente do profundo sofrimento de uma criança? Julgar e condenar do lugar protegido e privilegiado que essas pessoas ocupam demonstra imensa falta de humanidade.
Beatriz Telles (São Paulo, SP)

Cartazes homenageiam equipe do hospital em Recife - José Marcos/Enquadrar/Folhapress


"Mas qualquer que escandalizar um destes pequeninos melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de azenha e se submergisse na profundeza do mar". Por que a polícia respeitou a histeria de supostos cavaleiros de Deus e não os expulsou com energia? A pobre menina, com a inocência destruída, teve que ser escondida no porta-mala para escapar à perseguição. Aqueles que fazem da fé e do Evangelho uma arma ignoram as palavras daquele que também foi tratado como o mais abjeto dos homens. E aí, moçada com a Bíblia nas mãos, como será depois? Julguemos a nós mesmos antes que nossa vida se vá.
Teresa Fernandez (Belo Horizonte, MG)

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Muito triste o nome de Deus ser usado para defender uma nova atrocidade contra uma criança que foi e continua sendo vítima
Rita Piovezan (São Paulo, SP)

Dom Walmor de Oliveira, presidente da CNBB - Alexandre Rezende/UOL


Qual foi o crime hediondo, CNBB?
José Geraldo Leite Coura (São Paulo, SP)

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Eu gostaria de entender por que a Folha de S.Paulo dá destaque à declaração sobre aborto do presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo. A organização reúne exclusivamente homens que decidiram voluntariamente não praticar sexo e que, portanto, não vão engravidar ninguém. Não seria o caso de ouvir representantes de entidades formadas por pessoas que possam e queiram engravidar? Não seria importante dar voz às diversas opiniões religiosas e deixar claro que representam apenas visões da religião, não da ciência?
Elcio Cabral Melo (Ubatuba, SP)

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Tenho a imensa felicidade de ser ateu, no entanto, não sou favorável ao aborto. Mas, no caso dessa menina, com apenas dez anos, acho que o certo é seguir a lei e fazer o procedimento. A igreja deveria ficar quieta em seu canto e não se meter em questões que não lhe dizem respeito.
Evando Ferreira Lopes (Planaltina, GO)

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Uma igreja conhecida por proteger pedófilos agora abençoa o estupro de crianças. Negar o aborto a uma criança de dez anos que sofreu estupro de um tio é uma regressão ao horror mais hediondo. O Brasil acabou, acanalhou-se integralmente.
Francisco Barbosa (Guarapuava, PR)

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Se o estuprador fosse se confessar com esse bispo da CNBB, certamente receberia uma penitência sob a forma de orações e seria perdoado. Já a vitima, sua família e os médicos que evitaram a perpetuação do sofrimento decorrente dessa barbaridade, merecem queimar no fogo do inferno, segundo a visão obscurantista desses fundamentalistas!
Renato Modesto (Teresópolis, RJ)


#UseAmarelo pela Democracia


E os girassóis que inspiraram Vincent van Gogh já floresceram, colorindo de amarelo a paisagem holandesa para saudar a democracia!
Zilá Dekker (Amersfoort, Holanda)


Sem pesquisa
A análise dos impactos do projeto de lei 529 foi superficial no editorial "O ajuste de Doria" (Opinião, 19/8). A apropriação de superávit da Fapesp e das universidades de SP não é simples retirada de recursos das instituições, mas a inviabilização da pesquisa científica, que leva anos para ser realizada e não é restrita ao calendário fiscal. Mais um tucano tenta vilipendiar a autonomia constitucional dessas entidades e não tem a coragem de mexer, por exemplo, no volume bilionário de isenções de ICMS.
Adilson Roberto Gonçalves, pesquisador da Unesp (Campinas, SP)


Morte no mercado
"Após morte de representante de vendas, hipermercado cobre corpo com guarda-sóis e continua aberto" (Cotidiano, 19/8). A completa banalização da morte! Num país onde morrem mil pessoas por dia pela Covid-19 e as pessoas continuam agindo como se nada estivesse acontecendo, só poderíamos ter uma cena horrível como essa. É o lucro acima da vida!
Keila Vieira de L. Pieralisi (Curitiba, PR)

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Corpo de representante de vendas Manoel Moisés Cavalcante encoberto por guarda-sóis no Carrefour - Renato Barbosa/WhatsApp

Bolsonaro e o centrão
Aquela galera que adora malhar o PT deve estar se perguntando: mas gente, como assim? Bolsonaro conversando com os acusados para governar com eles o nosso querido país? ("Bolsonaro faz almoço com centrão, incluindo parte dos acusados no 'quadrilhão do PP", Poder, 19/8).
Álvaro Almeida (Rio de Janeiro, RJ)

Parlamentares homens posicionados lado a lado com o presidente no meio
O presidente Jair Bolsonaro almoça com deputados da bancada do PP. Da esquerda para direita: Evair Vieira de Melo, o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, o líder do PP na Câmara, Arthur Lira, Bolsonaro, o senador e presidente do PP, Ciro Nogueira, e Laércio Oliveira - Reprodução/Twitter
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