Em Curitiba, Gleisi pressiona Rosa Weber e diz que políticos tentam visita a Lula

Rosa votou contra a prisão de condenados em segunda instância, como é o caso de Lula, em julgamento de 2016

A cantora Ana Cañas com a senadora Gleisi Hoffmann, durante apresentação para grupo do MST, que esta acampado ao redor da Superintendência da PF Curitiba
A cantora Ana Cañas com a senadora Gleisi Hoffmann, durante apresentação para grupo do MST, que esta acampado ao redor da Superintendência da PF Curitiba - Eduardo Anizelli/Folhapress
Felipe Bächtold José Marques
Curitiba

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, esteve em um acampamento de apoiadores do ex-presidente Lula neste domingo (8), nas proximidades de Superintendência da PF em Curitiba, e cobrou um posicionamento da ministra do Supremo Rosa Weber, que poderia favorecer o petista em julgamento nesta semana.

 

Rosa votou contra a prisão de condenados em segunda instância, como é o caso de Lula, em julgamento a respeito do assunto em 2016. Na sessão em que foi negado o habeas corpus preventivo a Lula, porém, ela disse que iria seguir a tese vencedora na corte naquele ano, a favor da prisão de condenados, o que acabou sendo determinante para a detenção do ex-presidente.

"Temos expectativa na quarta-feira de que a ministra Rosa Weber cumpra com aquilo que falou no julgamento em que ela participou do habeas corpus do ex-presidente Lula de que iria rever a decisão."

Ela disse que os advogados estão fazendo contatos convencionais com os ministros. O caso pode voltar a ser discutido no Supremo nesta semana.

Gleisi também citou expectativa com recursos em cortes internacionais, como a Comissão de Direitos Humanos da ONU. 

Sobre os primeiros momentos de Lula na superintendência em Curitiba, Gleisi, que não o visitou, disse que "ocorreu tudo bem".

"O presidente chegou muito bem aqui, foi bem tratado, foi respeitado. Ele chegou cansado. O presidente estava há dois dias praticamente dormindo pouco ou não dormindo. O presidente foi colocado em instalações dignas e ele estava bem."

Segundo Gleisi, o advogado Cristiano Zanin Martins esteve com o petista à tarde, durante o jogo entre Corinthians e Palmeiras. Por enquanto, não há autorização para outros tipos de visita.

A presidente do PT disse também que autoridades internacionais e congressistas querem se encontrar com Lula no Paraná. A Comissão de Direitos Humanos da Câmara e do Senado também quer se reunir com ele em Curitiba.

Ela conversou com os governadores do Ceará, Camilo Santana, e do Piauí, Wellington Dias, ambos do PT, e falou que os nove governadores do Nordeste pretendem visitar Lula nesta semana.

"Tenho dúvidas se precisa de decisão judicial [para essas visitas]. Senadores e deputados têm representatividade pública e têm direito a visitar o presidente, que também é uma figura política."

ATAQUES A JORNALISTAS

Petistas e simpatizantes promovem uma vigília a uma quadra da superintendência. Neste domingo, houve uma apresentação da cantora Ana Cañas aos apoiadores no meio da rua. O PT pretende trazer mais caravanas ao local e aumentar a aglomeração.

Ela disse que os apoiadores não aceitarão ser transferidos para outro local e prometem resistir até que Lula seja solto.

Sobre agressões a jornalistas ocorridas nos últimos dias em São Paulo e no Paraná, Gleisi disse que é contra a violência contra a mídia e também "da imprensa praticando contra nós". Ela criticou o que chamou de propagação do ódio.

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