Descrição de chapéu Eleições 2018

Paes tenta desvincular ex-juiz Witzel de Bolsonaro no Rio

Ex-prefeito disse ter 'muito mais relação e proximidade' com o presidenciável do PSL

Italo Nogueira
Rio de Janeiro

O ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) adotou como estratégia neste segundo turno da eleição do governo do Rio de Janeiro disputar com o ex-juiz Wilson Witzel (PSC) quem tem maior proximidade com o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), líder nas pesquisas de intenção de votos.

Paes afirmou que o adversário está usando o presidenciável como “bengala” e que se apresenta como um “holograma” para representar Bolsonaro na disputa regional.

 

“Essa candidatura tem cara, nome e não se esconde atrás de ninguém. Estamos elegendo o governador do estado do Rio de Janeiro. Não estamos elegendo alguém para representar o próximo presidente da República”, afirmou Paes, após o primeiro debate entre os dois no segundo turno, promovido pelo Grupo Band e Firjan.

Witzel obteve mais de 40% dos votos válidos no primeiro turno, surpreendendo os adversários. Ele foi impulsionado pelo apoio que declarou ao presidenciável do PSL, ainda que sem reciprocidade. Nas últimas semanas da campanha participou de atos ao lado do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL).

Paes também buscou distanciar Witzel da imagem de Bolsonaro. Afirmou ter mais proximidade com o deputado do que o ex-juiz.

“Tenho muito mais relação e proximidade com o Jair Bolsonaro do que o meu adversário. Mas isso importa pouco. Temos que entender que essa é uma relação institucional. [...] A gente não pode votar em personagem, holograma, que a gente não sabe quem é”, afirmou Paes.

Durante o debate, afirmou que Witzel conhecera o deputado "outro dia" e que não tinha legitimidade para defender as bandeiras históricas do presidenciável.

O candidato do DEM tem feito aceno ao eleitorado de Bolsonaro, embora declare neutralidade na eleição presidencial. O capitão reformado teve quase 60% dos votos válidos no estado.

Witzel classificou ser chamado de “bengala” como “frase de candidato em desespero”.

“As minhas propostas estão alinhadas à proposta do candidato do PSL. A população que deu a resposta. Essa pergunta, 3,1 milhões de pessoas responderam”, afirmou ele.

Os acenos a Bolsonaro têm desagradado membros do PSOL que pretendiam declarar “voto crítico” a Paes a fim de evitar a eleição de Witzel. O deputado Marcelo Freixo (PSOL) pediu que o ex-prefeito se posicione de forma clara contra bandeiras do capitão reformado que considera antidemocráticas, como o “combate a qualquer tipo de ativismo”.

Paes já criticou, por exemplo, o ato com a presença de Witzel em que a placa em homenagem a Marielle Franco (PSOL), assassinada em março, foi quebrada. O PSOL, contudo, espera posicionamentos mais claros, o que não exige, contudo, um apoio a Fernando Haddad (PT).

O candidato do PSOL, Tarcísio Motta, teve 10,72% dos votos válidos. A sigla se reúne nesta quinta-feira (11) para definir o posicionamento no segundo turno. Os candidatos derrotados Índio da Costa (PSD) e Romário (Podemos) declararam apoio a Witzel.

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