Partidos de esquerda não chegam a acordo e podem liberar voto para presidente da Câmara

PSB, PDT e PC do B não se entenderam, mas querem manter bloco para negociar espaços no comando da Casa

Brasília

Depois de três horas de conversa na noite desta terça-feira (15), a reunião entre PSB, PDT e PC do B para definir quem o bloco apoiará na disputa pela presidência da Câmara terminou do mesmo jeito que começou: sem consenso.

Enquanto PDT e PC do B querem apoiar a reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) em 1º de fevereiro, o PSB insistiu que não tem como seguir com ele depois que o PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, entrou na chapa.

Plenário da Câmara durante sessão extraordinária para discussão e votação de diversos projetos
Plenário da Câmara durante sessão extraordinária para discussão e votação de diversos projetos - Luis Macedo - 5.dez.2018/Agência Câmara

Sem conseguir convergência, os três partidos de esquerda buscam agora uma saída para manterem o bloco sem que precisem defender oficialmente um mesmo candidato na Câmara, o que acaba sendo negativo para todos aqueles que esperavam um apoio formal do grupo.

Juntos, esses partidos têm 69 deputados, mais que o PT, sigla com a maior bancada na Casa, com 56 deputados.

PSB, PDT e PC do B fazem força para se manterem juntos porque, no início de uma legislatura, tamanho é, sim, documento.

Com 69 integrantes, o bloco tem estatura para, independentemente de quem vença a eleição, negociar posições na Mesa Diretora da Câmara e o comando de comissões, algo que, além de cargos, garante força política às legendas.

"Ninguém mudou de posição. Até porque, como foi uma decisão tirada nas bancadas, não dá para a direção do partido nem a liderança alterar este posicionamento. É algo que teria que ser reavaliado em cada bancada. Se não tem convergência em relação à presidência, qual é o movimento que a gente pode fazer que garanta a constituição e a continuidade do bloco? É nisso que a gente ficou de pensar", afirmou o líder do PSB na Câmara, Tadeu Alencar (PE), após a reunião.

A cúpula de cada sigla vai voltar a reunir suas bancadas para buscar um caminho regimentalmente viável para manter o bloco. Uma alternativa aventada é liberar o voto para presidente, o que exigirá que cada candidato negocie individualmente com os deputados.

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