Jornalista Paulo Henrique Amorim morre aos 76 anos

Suspeita é que morte foi causada por infarto; velório será nesta quinta, no Rio

São Paulo e Rio de Janeiro

O jornalista Paulo Henrique Amorim morreu na madrugada desta quarta-feira (10), aos 76 anos.

Atualmente na Record, ele trabalhou em vários veículos de comunicação. Segundo a emissora, o jornalista passou mal em casa, no Rio de Janeiro. A suspeita é que tenha sofrido um infarto.

O jornalista Paulo Henrique Amorim
O jornalista Paulo Henrique Amorim - Greg Salibian - 19.ago.17/Folhapress

Ele deixa uma filha, a socióloga e ex-apresentadora Maria Amorim, fruto de sua relação com a artista plástica Cláudia Amorim, e a mulher, a jornalista Geórgia Pinheiro. O velório acontece nesta quinta (11), às 10h, na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no centro do Rio de Janeiro.

Nascido em 1943 no Rio, Amorim trabalhou em jornais, revistas, TV e sites de notícias. Na televisão, tornou famoso o bordão "boa noite, boa sorte", com o qual se despedia do público. Com a característica voz aguda, iniciava suas aparições dizendo: "Olá, tudo bem?".

Amorim foi estagiário no jornal A Noite em 1961. Nos anos seguintes, foi repórter das revistas Manchete e Realidade. Em 1972, recebeu o Prêmio Esso por uma reportagem sobre distribuição de renda, para a Veja.

Em 1974, foi promovido a editor-chefe da revista Exame. Depois, passou por cargos de direção no Jornal do Brasil (1976-1984) e na TV Manchete (1984). 

De 1985 a 1996, trabalhou na TV Globo, como repórter, apresentador e correspondente em Nova York. Na década de 1990, colaborou com a CNN.

Depois de deixar a Globo, teve passagens pelas TVs Bandeirantes e Cultura. No início dos anos 2000, comandou um programa no portal UOL, que tem participação acionária minoritária da Folha.

O jornalista estava na Record desde 2003. No mês passado, ele havia sido afastado no mês passado do Domingo Espetacular, mas continuava contratado do canal. Ele apresentava o programa havia 13 anos. 

Em nota, a emissora informou naquele momento que ele ficaria “à disposição de novos projetos” e não confirmou se a decisão tinha motivação política. O jornalista era crítico de Jair Bolsonaro (PSL), que teve a candidatura apoiada pela direção da Record.

Amorim também mantinha na internet o blog Conversa Afiada, desde 2006, de conteúdo alinhado aos governos do PT nas gestões Lula e Dilma. Frequentemente ele fazia comentários negativos sobre a Folha e reportagens do jornal.

Nos últimos anos, apareceu no noticiário envolvido em processos judiciais por injúria e difamação.​

Ele foi condenado no ano passado a pagar indenização de R$ 150 mil ao ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal). 

O magistrado entrou com ação contra Amorim por causa de uma publicação na internet em que que ele anunciava o “lançamento comercial do ano”: um tal “cartão Dantas Diamond”, em referência ao banqueiro Daniel Dantas, que havia sido beneficiado por um habeas corpus do ministro, em 2008.

Também em 2018, o STF confirmou condenação ao apresentador por ter chamado o jornalista Heraldo Pereira, da TV Globo, de "negro de alma branca". A Justiça considerou que ele cometeu injúria racial por causa da afirmação, feita em seu blog em 2009.

Amorim lançou livros ao longo da carreira, entre eles "O Quarto Poder – Uma Outra História", sobre a mídia no Brasil, "De Olho no Dinheiro", sobre economia, e "Manual Inútil da Televisão e Outros Bichos Curiosos", sobre episódios de sua carreira na TV.

Erramos: o texto foi alterado

Diferentemente do que informou versão inicial deste texto, Paulo Henrique Amorim tinha 76 anos, não 77. Ele nasceu em 1943, não em 1942. O texto foi corrigido.

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