Parlamentares engordam comitiva ao Vaticano para canonização de Irmã Dulce

Além da delegação oficial do governo brasileiro, ao menos 22 deputados ou senadores farão caravana

Ricardo Della Coletta Angela Boldrini
Brasília

Ao menos 22 parlamentares brasileiros estarão no Vaticano no dia 13 de outubro para participar da cerimônia de canonização de Irmã Dulce.
 
A religiosa baiana Maria Rita Lopes Pontes será canonizada em ato celebrado pelo papa Francisco, após ter dois milagres reconhecidos pela Igreja Católica. Ela será a primeira santa nascida no Brasil.

A delegação oficial do governo brasileiro será chefiada pelo vice-presidente, Hamilton Mourão. 

Fazem parte da comitiva o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli; o da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ); o do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP); o ex-presidente José Sarney; o ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde); o procurador-geral da República, Augusto Aras, e o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM).
 
Também compõe a comitiva do governo a mulher de Mourão, dos presidentes das duas Casas e de Aras. O nome da primeira-dama de Goiás, Maria das Graças Caiado, consta na lista da missão oficial, mas ela desistiu de última hora de participar. Maria das Graças deve ficar em São Paulo, onde o governador Ronaldo Caiado (DEEM) está internado. 

Mas um grupo de deputados e senadores também participará da cerimônia religiosa em missões da Câmara e do Senado. 

Segundo informações disponibilizadas pelas presidências das duas Casas, farão parte das respectivas missões oficiais 7 senadores e 13 deputados —sem contar Maia e Alcolumbre, que estão listados na comitiva oficial do governo divulgada no Diário Oficial da União.  

Os parlamentares que vão em missão oficial a países estrangeiros têm direito a diárias. 

No Senado, a diária para agendas internacionais é de US$ 416 (R$ 1.711). Na Câmara, o valor é de US$ 428 (R$ 1.760). No entanto, o parlamentar pode optar por não receber o valor a que tem direito. 

As assessorias de Maia e Alcolumbre, por exemplo, afirmaram que ambos abriram mão das diárias e que se hospedarão na Embaixada do Brasil em Roma. 

A assessoria da Câmara afirmou ainda que a missão oficial da Casa tem compromissos no Senado italiano.

Além de Maia, a delegação oficial da Câmara será composta pelos deputados André Fufuca (PP-MA) e Celio Studart (PV-CE). Ainda faz parte do grupo o ex-deputado Alexandre Baldy, secretário estadual dos Transportes Metropolitanos de São Paulo. 

Eles viajaram à Itália em avião da FAB (Força Aérea Brasileira).

Outros dez deputados foram autorizados por Maia a integrar a missão oficial, a maioria da Bahia, estado de Irmã Dulce. 

São eles: Elmar Nascimento (DEM-BA), José Rocha (PL-BA), Daniel Almeida (PC do B-BA), Adolfo Viana (PSDB-BA), Arthur Oliveira Maia (DEM-BA), Eduardo da Fonte (PP-PE), Flávio Nogueira (PDT-PI), Leur Lomanto Júnior (DEM-BA), Nelson Pellegrino (PT-BA) e Paulo Azi (DEM-BA). 

Fora da lista, o deputado João Roma (PRB-BA) informou que irá à canonização sem custo para a Câmara. A Câmara não informou se esses parlamentares convidados também realizarão o deslocamento em avião oficial. 

Outros seis deputados cogitaram comparecer, mas desistiram.

Em outra missão oficial ao Vaticano, sobre o Sínodo da Amazônia, eles tinham a intenção de ir à cerimônia, mas a maior parte deve chegar a Roma apenas no domingo, quando a cerimônia já estiver em andamento. São eles: Nilto Tatto (PT-SP), Airton Faleiro (PT-PA), Jandira Feghali (PC do B-RJ), Helder Salomão (PT-ES), Camilo Capiberibe (PSB-AP) e Bira do Pindaré (PSB-MA).

No Senado, além de Alcolumbre, foram sete parlamentares que apresentaram requerimentos para participar do evento religioso em Roma: Jaques Wagner (PT-BA), José Serra (PSDB-SP), Weverton (PDT-MA), Roberto Rocha (PSDB-MA), Elmano Férrer (Podemos-PI), Ciro Nogueira (PP-PI) e Angelo Coronel (PSD-BA) —ele já se encontra na Europa e afirma que não receberá diárias e que pagará seus deslocamentos.

No requerimento apresentado para justificar a missão de seis dias, Wagner argumentou que Irmã Dulce era baiana e que ela dedicou "toda uma vida a acolher e ajudar os que mais precisam".

"Sua história e suas realizações serão ainda mais difundidas e celebradas, na Bahia e em todo o mundo. Daí a importância de meu comparecimento em tão importante solenidade", afirmou. 

A assessoria do senador José Serra (PSDB-SP), por sua vez, ressaltou que ele vai ao Vaticano a convite da família de Irmã Dulce, por ter em 2007 entregue ao hoje papa emérito Bento 16 uma carta pedindo que o processo de canonização da religiosa baiana fosse acelerado.


Parlamentares no Vaticano

22
parlamentares, pelo menos, irão à canonização de Irmã Dulce

7 senadores
fazem parte de comitiva do Senado ao evento

13 deputados
também viajaram para comparecer à cerimônia

13 pessoas
compõem a comitiva oficial do Brasil no evento, liderada pelo vice-presidente Hamilton Mourão


​A FÉ NO BRASIL

Alguns dos santos e beatos

Madre Paulina (1865-1942)
Nascida na Itália, foi canonizada em 2002, 60 anos após a sua morte

Frei Galvão (1739-1822)
Nascido no Brasil, recebeu o título de santo em 2007, 185 anos após a morte

José de Anchieta (1534-1597)
Canonizado em 2014, num processo iniciado em 1597. Não tem milagres comprovados –o papa dispensou a necessidade

Mártires do RN
Em 2017, o papa canonizou 30 mártires assassinados no século 17 no Rio Grande do Norte, no período de dominação holandesa

Irmã Dulce (1914-1992)
Beatificada em 2011, agora será proclamada santa pelo Vaticano

Padre Donizetti
Morreu em 1961 em Tambaú (SP), foi beatificado pelo papa Francisco

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