Domingo frio em SP tem protestos esvaziados contra e a favor de Bolsonaro

Menor que manifestação da semana anterior, ato contra presidente reuniu movimentos de oposição

São Paulo

Com tempo frio e garoa, São Paulo registrou protestos esvaziados neste domingo (14), tanto contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) como a favor dele. Os opositores se reuniram na avenida Paulista e somaram cerca de mil pessoas, segundo a Polícia Militar. Do lado dos apoiadores, cem pessoas, de acordo com a PM, se manifestaram no viaduto do Chá.

Sob gritos de "fora, Bolsonaro" e com a presença da presidente do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), o ato contra o presidente começou a se deslocar pela avenida Paulista por volta das 15h.

O protesto teve início no Masp e se deslocou sentido Paraíso. A dispersão ocorreu pouco após as 16h, na Praça Oswaldo Cruz. Embora todos os manifestantes usassem máscaras, houve aglomeração, especialmente no encerramento do ato, o que contraria as orientações contra o coronavírus.

Além de Gleisi, estiveram presentes o pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Jilmar Tatto, e Guilherme Boulos (PSOL), que integra a Frente Povo Sem Medo, uma das organizadoras do ato, e também pode ser candidato a prefeito neste ano.

Após o Ministério Público pactuar um revezamento da av. Paulista entre manifestantes pró e contra Bolsonaro, ficou acertado que o local seria exclusivo dos movimentos de oposição neste domingo —como foi exclusivo dos apoiadores no domingo passado.

Uma decisão judicial proibiu que atos contrários simultâneos ocorram no mesmo local, depois que apoiadores e positores se enfrentaram na av. Paulista no último dia 31.

Os apoiadores do presidente realizaram ato no viaduto do Chá, na região central da capital, com carros de som com bandeiras do Brasil e mensagens contra o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

As duas manifestações foram pacíficas e sem incidentes graves, segundo a Polícia Militar. Na av. Paulista, porém, um policial sem identificação empurrou pelas costas um repórter do UOL enquanto ele gravava um princípio de tumulto entre três jovens identificados como neonazistas e manifestantes contrários a Bolsonaro.

Pouco antes do ato contra Bolsonaro, uma senhora vestida de verde-oliva levou uma faixa "SOS FFAA [Forças Armadas]" para a frente da Fiesp, na av. Paulista, mas foi orientada por policiais a deixar o local.

Na região do viaduto do Chá, a PM deteve três homens, no total, por portarem faca, bastão retrátil e uma arma conhecida como nunchaku.

O policiamento foi reforçado para os protestos —mais de 4.300 policiais foram escalados. No último domingo, a PM dispersou uma minoria de opositores de Bolsonaro com bombas de gás depois que o ato já havia sido encerrado.

Na avenida Paulista, a manifestação teve público menor do que o visto no Largo da Batata no domingo passado, de 3.000 pessoas segundo a PM.

Com isso, houve maior distanciamento entre os presentes, que ocuparam pouco mais de um quarteirão —ainda assim a maioria dos manifestantes desrespeitou a orientação de não se aglomerar.

O protesto reuniu movimentos negros, torcidas organizadas, movimentos feministas, a Frente Povo sem Medo, a Central de Movimentos Populares, a UNE, o MTST, a militância do PT e de partidos de esquerda menores, como PSTU e PCO.

A torcida organizada do Palmeiras, ao chegar entoando palavras de ordem, foi aplaudida por corinthianos e outros torcedores ao chegar ao local.

As faixas e cartazes protestavam contra o racismo, o fascismo e o governo Bolsonaro. Uma faixa de cem metros verde e amarela estampava "Fora, Bolsonaro. Sua gripezinha já matou 40 mil".

Houve gritos de "Bolsonaro vai tomar no c." e "miliciano vai pra casa do c.", além de críticas à Polícia Militar.

O movimento Somos Democracia, de torcidas organizadas, soltou gás colorido azul e amarelo. Também houve rojões e sinalizadores, comuns em estádios de futebol.

Das varandas e janelas, moradores demonstraram apoio à manifestação com palmas. Em menor número, houve gritos contrários.

Gleisi Hoffmann e Jilmar Tatto, do PT, em manifestação contra Bolsonaro na av. Paulista
Gleisi Hoffmann, presidente do PT, e Jilmar Tatto, pré-candidato do PT em SP, em manifestação contra Bolsonaro na av. Paulista - Carolina Linhares/Folhapress

Vestindo uma camisa da Gaviões da Fiel e uma máscara vermelha com "fora, Bolsonaro", Gleisi afirmou que quis comparecer à manifestação para conversar com as pessoas e ver a mobilização. Ela disse que o PT apoia os atos de rua, mas ressaltou que cuidados devem ser tomados, como o uso da máscara.

"É importante para mostrar que há resistência nas ruas. Que as pessoas querem enfrentar a escalada autoritária", disse.

Pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Tatto afirmou que a manifestação foi importante para demonstrar indignação. "Não pode ficar só a fotografia dos apoiadores aos domingos. Dava a impressão de que não tinha oposição. O Brasil não tem solução com Bolsonaro na Presidência", disse.

Boulos afirmou que o objetivo dos atos é resgatar a rua para quem luta pela democracia e mostrar resistência. "Não vamos levar milhões às ruas no meio da pandemia", avaliou.

No viaduto do Chá, a manifestação a favor da Bolsonaro foi tímida. Cerca de 50 pessoas estavam reunidas na frente do prédio da prefeitura da capital, e se manifestavam principalmente contra o governador João Doria.

Até as 16h, o ato foi pacífico e acompanhado por policiais militares. Muitos dos manifestantes não usavam máscara.

Em Brasília, com a Esplanada bloqueada por determinação do governo do DF, o encontro de apoiadores de Bolsonaro que tem acontecido na maioria dos domingos em frente ao Palácio do Planalto foi transferido para o QG do Exército, em outra área da cidade.

Após a ação do governo do Distrito Federal para desmobilizar acampamentos de grupos bolsonaristas na Esplanada dos Ministérios, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, esteve no local neste domingo para prestar solidariedade àqueles que ainda permaneciam no local.

Sem máscara, de uso obrigatório segundo as normas locais, Weintraub conversou com um grupo de 20 pessoas ao lado do Ministério da Agricultura, onde apoiadores do presidente estavam acampados havia mais de mês.

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