Descrição de chapéu datafolha

Paes lidera disputa para Prefeitura do Rio com 30%, e Crivella tem 14%, diz Datafolha

Em empate técnico com o atual prefeito está a deputada Martha Rocha (PDT), com 10%

Rio de Janeiro

O ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) lidera neste início de campanha as intenções de voto para a Prefeitura do Rio de Janeiro, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (8). Ele tem 30% da preferência dos eleitores da cidade que governou de 2009 a 2016.

Em seguida está o atual prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), que tenta reeleição, com 14% das intenções de voto. Crivella tem o apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e de seus filhos.

Em empate técnico com o atual prefeito está a deputada Martha Rocha (PDT), com 10%. Já Benedita da Silva (PT) marcou 8% no levantamento —um empate da petista com Crivella, no limite extremo da margem de erro, é considerado improvável.

O Datafolha ouviu 900 eleitores na segunda (5) e terça-feira (6). A pesquisa, em parceria com a TV Globo, tem margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

Num terceiro grupo estão Renata Souza (PSOL) e Bandeira de Mello (Rede), ambos com 3%, e Cyro Garcia (PSTU), com 2%.

Aparecem com 1% das intenções de voto Clarissa Garotinho (Pros), Fred Luz (Novo), Luiz Lima (PSL) e Paulo Messina (MDB). Não alcançaram um ponto percentual os candidatos Henrique Simonard (PCO), Glória Heloíza (PSC) e Suêd Haidar (PMB).

Mais de um quinto dos entrevistados (22%) declarou que pretende votar em branco ou nulo. Outros 3% se disseram indecisos.

O atual prefeito ainda tem a candidatura ameaçada em razão da condenação que sofreu no TRE-RJ por conduta vedada a agentes públicos na campanha de 2018.

A Justiça entendeu que ele convocou funcionários da Comlurb (empresa pública de limpeza urbana) para ato de pré-campanha de seu filho Marcelo Hodge Crivella, candidato a deputado federal —ele não foi eleito.

A Lei da Ficha Limpa impede a candidatura de pessoas condenadas por órgãos colegiados por conduta vedada. Crivella ainda tenta uma medida cautelar a fim de suspender os efeitos da condenação na análise do seu registro de candidatura.

O atual prefeito do Rio já escapou de cinco pedidos de impeachment na Câmara de Vereadores. A última votação ocorreu no dia 17 de setembro e terminou com o placar de 24 a 20 pela rejeição do processo.

O Datafolha também pesquisou um cenário sem a presença do atual prefeito. Nele, Paes mantém a liderança com 28% das intenções de voto, seguido de Martha Rocha (12%) e Benedita (10%).

Crivella é, atualmente, o candidato mais rejeitado. A maioria dos entrevistados (59%) afirma que não votaria no atual prefeito de jeito nenhum.

Em seguida, estão entre os mais rejeitados Paes (30%), Clarissa Garotinho (29%) e Benedita (20%). Os demais apresentaram 14 pontos percentuais de rejeição ou menos.

Na pesquisa espontânea, aquela em que o entrevistado manifesta sua intenção de voto sem que lhe seja apresentada as opções, 18% disseram que pretendem optar por Paes e 7%, por Crivella. Os demais candidatos aparecem, nesse tipo de levantamento, com três pontos percentuais ou menos.

Quase metade dos eleitores (45%) não manifestou espontaneamente sua intenção de voto.

O início da campanha eleitoral na capital fluminense foi marcado por duas operações policiais contra os dois principais candidatos.

Paes foi alvo de busca e apreensão em razão de uma acusação por corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral pela prática de caixa dois na eleição de 2012 com dinheiro da Odebrecht.

Crivella, por sua vez, é investigado sob suspeita de participação num esquema de cobrança de propina dentro da prefeitura.

O atual prefeito conta com um discreto apoio do presidente Bolsonaro. O presidente não endossou publicamente a reeleição de Crivella, mas fez acenos importantes como a filiação de dois filhos, o senador Flávio e o vereador Carlos Bolsonaro, no Republicanos.

O deputado Luiz Lima (PSL) busca se apresentar como uma novidade capaz de crescer ao longo da campanha. Ele foi alçado a vice-líder do governo na Câmara a fim de reforçar seu vínculo com Bolsonaro.

Em dezembro de 2017, Paes também ficou inelegível após ser condenado pelo TRE-RJ por abuso de poder político-econômico e conduta vedada.

Os desembargadores consideraram irregular o fato de o deputado federal Pedro Paulo (DEM), que disputou o cargo de prefeito do Rio, ter apresentado como programa de governo o resultado de uma consultoria contratada pela Prefeitura do Rio, comandada à época por Paes.

Em maio de 2018, no entanto, decisão liminar (provisória) do ministro Jorge Mussi, do TSE, suspendeu a condenação do TRE até que a corte em Brasília julgasse o mérito da questão —o que até este momento não aconteceu.

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