Descrição de chapéu Coronavírus Eleições 2020

Apenas 5 dos 14 candidatos a prefeito de SP têm proposta para enfrentar o coronavírus

Maioria das promessas envolvem aumento de testagem e dos leitos de UTI

Samuel Costa Maurício Moraes
São Paulo | Agência Lupa

A maioria dos candidatos à Prefeitura de São Paulo não apresentou nenhuma medida de contenção ou prevenção da Covid-19 em seus programas de governo.

Embora o número de casos esteja em queda na cidade, especialistas acreditam que a doença continuará a afetar o sistema de saúde no ano que vem. Levantamento feito pela Lupa a partir das propostas disponíveis no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) mostra que apenas 5 dos 14 políticos na disputa trataram de ações concretas contra o novo coronavírus.

A maior parte dos que prometeram medidas de combate à doença propôs expandir a testagem da população, como é o caso de Jilmar Tatto (PT). Alguns enfatizaram a necessidade de ampliar o número de leitos ou de fortalecer o atendimento psicossocial.

Guilherme Boulos (PSOL) apostou na instituição de uma fila única para a internação de pacientes em leitos das redes privada e pública, caso a taxa de ocupação volte a subir. Marina Helou (Rede), Vera Lúcia (PSTU) e Antônio Carlos Silva (PCO) também sugeriram medidas similares. Os cinco ainda fizeram propostas para atenuar o impacto do vírus em outras áreas.

A ausência do combate ao coronavírus em alguns programas foi apontada como falha grave por especialistas ouvidos pela Lupa. Bruno Covas (PSDB) e Márcio França (PSB) até mencionam a importância de se adotar medidas de prevenção contra a Covid-19, mas não entram em detalhes sobre o que seria feito.

"Teremos que lidar com os desafios da pandemia ainda por muito tempo e nos preparar para novas demandas nesse sentido", diz Marilia Louvison, professora da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo) e membro do conselho deliberativo da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva).

As ações adotadas não devem ser mais aquelas de caráter emergencial —será necessário traçar planos para prevenir o contágio e fortalecer o atendimento dos infectados em estágio inicial da doença.

“Não basta só se organizar para receber os pacientes, como foi feito. É importante que haja um controle maior sobre disseminação do vírus”, diz Igor Pantoja, assistente de mobilização da Rede Nossa São Paulo.

Ele destaca a importância de se atuar de forma mais ativa no diagnóstico da Covid-19, com o fortalecimento das UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e a expansão da cobertura da Estratégia Saúde da Família, que hoje atende cerca de 40% da população.

Dos 9 candidatos que não propuseram medidas para deter o coronavírus no ano que vem, 7 trataram a pandemia como um problema que irá afetar a economia e as políticas sociais.

Celso Russomanno (Republicanos), por exemplo, sugeriu ações para reduzir o atraso na aprendizagem das crianças. Covas listou algumas medidas que deverão ser tomadas na área econômica, como o aumento dos investimentos em infraestrutura para ampliar a oferta de empregos.

França, Joice Hasselmann (PSL), Filipe Sabará (Novo), Orlando Silva (PCdoB) e Andrea Matarazzo (PSD) também apontaram soluções para atenuar o impacto da Covid-19 em outras áreas.

Dois candidatos não fizeram nenhuma proposta ligada à pandemia em seus programas. Arthur do Val (Patriota) nem cita o coronavírus em seu plano de governo. Levy Fidelix (PRTB) entregou neste ano uma cópia quase igual das propostas para saúde apresentadas nas eleições de 2016. A única diferença foi a inserção de um item que fala sobre telemedicina.

Veja, a seguir, as principais propostas apresentadas pelos candidatos. A lista está organizada conforme a intenção de votos aferida pela pesquisa Datafolha divulgada no último dia 24.

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Celso Russomanno (Republicanos)
As propostas são direcionadas à atenção básica, priorizando quatro eixos de atuação: implantação da telemedicina, adoção de prontuário eletrônico, integração dos sistemas das unidades de saúde e criação do programa O Médico é Meu, que fortalece equipes de saúde comunitária. Russomanno não faz menção ao coronavírus em suas propostas para a saúde.

Veja o programa completo.

Bruno Covas (PSDB)
Covas promete expandir o atendimento do sistema de saúde pública paulistano “de maneira vigilante em relação aos riscos resultantes do novo coronavírus”. O atual prefeito ainda se compromete em ampliar o hospital Sorocabana e colocar em pleno funcionamento os hospitais Parelheiros e Brasilândia. Ele também promete a implantação da telemedicina na cidade.

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Guilherme Boulos (PSOL)
Boulos comprometeu-se a atacar os problemas causados pela crise do coronavírus intensificando as testagens, aumentando o uso da telemedicina e abrindo novos leitos hospitalares e de UTI, entre outras medidas. Também propôs melhorar a assistência básica, a gestão do orçamento na área, o acolhimento mental e o atendimento à população de rua.

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Márcio França (PSB)
Para amenizar os impactos da pandemia, propõe medidas de assistência social —como fortalecer o atendimento das pessoas que desenvolveram depressão na crise sanitária— e ampliação de horários para reduzir as filas de exames e consultas. Também fala em integrar e informatizar os sistemas da rede pública de saúde, além de reformar e construir hospitais.

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Jilmar Tatto (PT)
Quer ampliar as testagens do coronavírus. Prometeu usar a tecnologia para obter dados sobre saúde, além de reduzir o tempo para agendamentos. Também quer adotar a telemedicina, ampliar a atenção básica e as equipes de saúde da família e retomar a administração de equipamentos de saúde, administrados por organizações sociais, que apresentem falhas.

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Arthur do Val (Patriota)
Promete buscar alternativas para modernizar e otimizar a marcação de consultas, evitando a formação de filas. Fala ainda em integrar os sistemas da rede pública de saúde. Para otimizar a realização de exames, propõe PPPs (parcerias público-privadas) com laboratórios particulares. Também menciona a intenção de criar centros de acolhida para dependentes de crack.

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Andrea Matarazzo (PSD)
Suas propostas prometem a otimização dos serviços de atenção básica e a modernização dos sistemas da rede de saúde municipal. Pretende instituir o funcionamento das UBSs, AMAs e hospitais em todos os turnos e aos finais de semana, modernizar a infraestrutura hospitalar, inaugurar pronto-socorros odontológicos e implementar a telemedicina.

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Vera Lúcia (PSTU)
Defende que a quarentena deve permanecer de forma rígida, com garantia de emprego e renda, e testagem em massa até a descoberta de uma vacina para o coronavírus. Propõe que a saúde seja 100% pública, administrada pelo Estado e supervisionada por conselhos populares. Também sustenta que os hospitais e laboratórios privados sejam estatizados.

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Joice Hasselmann (PSL)
Promete a modernização da saúde, com integração de sistemas e uso da telemedicina. Defende a utilização de big data para reunir informações sobre os pacientes e, inclusive, sugere adoção de biometria facial para reconhecimento das pessoas. Sobre a telemedicina, a candidata defende que o modelo pode substituir a fiscalização da vigilância sanitária.

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Levy Fidelix (PRTB)
Quer implementar a telemedicina. Prometeu ainda criar os “motomédicos” e “motorremédios”, buscar mais recursos, por convênios, para contratar médicos e melhorar atendimento, fundar o Pasp (Plano de Atendimento à Saúde do Paulistano e oferecer bolsas para residentes em medicina. As últimas duas propostas, no entanto, já são realidade no SUS.

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Marina Helou (Rede)
Defende estruturar a Estratégia Saúde da Família para diagnosticar casos da Covid-19, monitorar e rastrear as pessoas contaminadas. Em atenção básica, quer levar os médicos da família a 100% da população. Também propõe instituir o atendimento 24 horas nas AMAs (Assistência Médica Ambulatorial) e promete aumentar o orçamento dos CAPs (Centros de Atenção Psicossocial), fazendo capacitação contínua dos profissionais.

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Orlando Silva (PC do B)
Não apresentou nenhuma proposta objetiva na área da saúde. Ele menciona o setor de forma genérica e, em um trecho de seu programa, se compromete a “cuidar de quem mais precisa”. O plano de Silva diz que, como nem todas as UBSs contam com equipes completas, "as unidades localizadas nas regiões com os piores indicadores serão as primeiras a serem reforçadas”.

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Filipe Sabará (Novo)
Sugere a implementação de prontuário eletrônico e da telemedicina, ampliação da Estratégia Saúde da Família, centrada na prevenção e reestruturação da aplicação do orçamento na área, que deixaria de ser por número de pessoas atendidas, ou horas trabalhadas, para ser feito por procedimentos realizados, como ocorre em planos de saúde privados.

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Antônio Carlos Silva (PCO)
Fala em realizar testes em massa para toda a população contra a Covid-19. Propõe ainda a estatização do sistema de saúde, contratação em larga escala de profissionais e abertura de milhares de leitos nos hospitais públicos. Ele também defende a legalização do aborto no programa, embora isso não seja da alçada da prefeitura.

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