Descrição de chapéu Eleições 2020 datafolha

Datafolha no Rio: Paes, com 70%, mantém larga vantagem sobre Crivella, com 30%

No total de votos, 18% dos moradores da capital fluminense declaram voto em branco ou nulo

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Rio de Janeiro

O ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) mantém, a quatro dias do segundo turno, a ampla vantagem na disputa pela Prefeitura do Rio de Janeiro com 70% das intenções de votos válidos contra 30% de Marcelo Crivella (Republicanos), candidato à reeleição, aponta pesquisa Datafolha.

O cenário é de estabilidade comparado ao levantamento divulgado há uma semana, quando Paes tinha 71% das intenções de votos válidos e Crivella, 29%.​

Considerando os entrevistados que declararam voto nulo (18%) ou indecisão (5%), o cenário também não variou de forma significativa. O ex-prefeito aparece com 55% —um ponto percentual a mais do que há uma semana—, contra 23% do atual —eram 21% na quinta (19) passada.

O Datafolha entrevistou 1.148 eleitores nos dias 24 e 25 de novembro. A pesquisa, feita em parceria com a TV Globo, tem margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

O resultado indica que a radicalização do discurso de Crivella, com ofensas e acusações sem provas contra o adversário não teve efeito até agora.

Crivella disse que o PSOL, que declarou “apoio crítico” a Paes, vai indicar o futuro secretário de Educação —o que tanto o candidato como a sigla negam. O atual prefeito associou sem provas o suposto acordo à “pedofilia nas escolas”.

A Justiça Eleitoral determinou o recolhimento de panfletos de Crivella com essas agressões, que eram distribuídos perto de igrejas evangélicas.

O objetivo de Crivella era consolidar o voto evangélico e conservador a seu favor. A pesquisa mostra que o atual prefeito tem 50% da preferência desse eleitorado, contra 28% de Paes —patamar semelhante ao apresentado na semana passada.

Contudo, Paes continua à frente em todas as faixas de renda, escolaridade, idade e sexo. Seu melhor resultado é entre os entrevistados que declararam renda familiar acima de dez salários mínimos, grupo em que alcança 70% da preferência.

A margem de virada para o atual prefeito permanece estreita. Entre os eleitores de Paes, apenas 8% declara poder mudar o voto. Em razão da distância entre os dois, não basta a Crivella atrair os indecisos ou aqueles que pretendem votar nulo, mas também reverter intenções de votos do ex-prefeito.

A estratégia de Paes no segundo turno é transformar a disputa numa avaliação sobre a administração Crivella. Ele aposta que a gestão mal avaliada do atual prefeito faz com que receba votos mesmo de eleitores que não o apoiam.

Neste segundo turno, Paes acumulou “apoio crítico” da maior parte dos partidos derrotados no primeiro turno. Declararam “veto a Crivella” o PT, PSB e PSOL. O movimento se deve tanto à rejeição ao atual prefeito como ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que o apoia.

O levantamento mostra que Paes continua herdando a maior parte dos eleitores da pedetista Martha Rocha (71%) e da petista Benedita da Silva (83%) no primeiro turno. Crivella, por sua vez, é escolhido por apenas 11% dos que optaram pela ex-chefe de Polícia Civil, e 5% da ex-governadora.

Os dois candidatos que permanecem na disputa foram alvos de operações policiais às vésperas do início da campanha.

Paes foi alvo de busca e apreensão em razão de uma acusação por corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral pela prática de caixa dois na eleição de 2012 com recursos da Odebrecht. Ele se tornou réu e responde pelos supostos crimes na Justiça Eleitoral.

Crivella, por sua vez, também sofreu buscas em sua casa e gabinete numa investigação sobre um suposto esquema de cobrança de propina dentro da prefeitura. Ainda não há denúncia nesse caso.

Ambos também disputam graças a decisões do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que suspenderam os efeitos de condenações do Tribunal Regional Eleitoral do Rio que os tornavam inelegíveis.

Crivella também sofreu um revés no TRE-RJ no início da campanha ao ser condenado por conduta vedada a agentes públicos na eleição de 2018.

A Justiça entendeu que ele convocou funcionários da Comlurb (empresa pública de limpeza urbana) para ato de pré-campanha de seu filho Marcelo Hodge Crivella, candidato a deputado federal em 2018 —ele não foi eleito.

A Lei da Ficha Limpa impede a candidatura de pessoas condenadas por órgãos colegiados por conduta vedada.

Condenação pela mesma infração recai sobre Paes em decisão de 2017 do TRE-RJ. Os desembargadores viram irregularidade no fato do deputado Pedro Paulo (então no MDB, hoje no DEM) ter apresentado em 2016 como programa de governo para a Prefeitura do Rio de Janeiro o resultado de uma consultoria contratada pelo próprio município durante a gestão Paes.

Paes obteve uma liminar no TSE para concorrer em 2018. O tribunal ainda não julgou o mérito do recurso. O relator do processo, ministro Luiz Felipe Salomão, disse que manifestará seu voto após a eleição.

Crivella também obteve uma decisão provisória para concorrer. O relator do caso, ministro Mauro Campbell, concedeu liminar em favor da manutenção da candidatura do prefeito —decisão confirmada pelo tribunal.

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