Em sabatina Folha/UOL, Covas erra sobre aumento de casos de Covid-19 em SP

Candidato do PSDB a prefeito foi entrevistado na manhã desta quinta-feira (26)

São Paulo | Agência Lupa

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), candidato à reeleição, participou de sabatina realizada pela Folha, em parceria com o UOL, nesta quinta-feira (26).

Covas chegou ao 2º turno das eleições com 32,85% dos votos e disputa o cargo com Guilherme Boulos, que atingiu 20,24% dos votos válidos. O atual prefeito da cidade tem 55% das intenções de voto segundo a última pesquisa Datafolha, divulgada na terça-feira (24).

A sabatina teve duração de 45 minutos. A Lupa checou algumas das declarações do candidato. Confira:

“A quantidade de casos [de Covid-19] na cidade de São Paulo permanece a mesma”
Bruno Covas

FALSO Desde o dia 12 de novembro, a quantidade de casos de Covid-19 está acima de 1 mil por dia, como mostra o boletim completo de dados sobre o novo coronavírus em São Paulo feito pela Fundação Seade.

Em outubro, a média estava abaixo deste patamar. Na data mais recente, 25 de novembro, a média móvel registrada foi de 1.530 casos.

Em 12 de novembro, a média móvel diária de novos casos estava em 1.147. Esse número subiu para 1.657 casos no dia 16, e está hoje em 1.530. Em outubro, a média móvel ficou abaixo de 1 mil casos diários ao longo de todo o mês. No dia 1º, foram 907 casos, por exemplo. No dia 13 de outubro, a média caiu para 659 casos e voltou a subir no final do mês, quando a média ficou em 965.

No início de novembro, os números pararam de ser publicados por alguns dias. Segundo a Fundação Seade, as variações que ocorreram no número de casos entre 6 e 10 de novembro resultaram de problemas técnicos no sistema de notificação do Ministério da Saúde.

Na época, a média móvel caiu bruscamente para 259 casos. Ainda assim, depois da correção do problema, o patamar continuou a subir e passou dos mil casos por dia.

Em nota, a assessoria do candidato disse que "os dados referentes aos casos confirmados, suspeitos e óbitos são confirmados em boletins diários pela Secretaria de Saúde".


“[A quantidade] de óbitos [por Covid-19] permanece a mesma”
Bruno Covas

FALSO A média móvel de óbidos por Covid-19 cresceu entre meados de outubro e o final de novembro na cidade de São Paulo.

Segundo o boletim sobre o novo coronavírus da Fundação Seade, no dia 15 de outubro a média móvel foi de 23 mortes em razão da doença. No dia 27 de outubro, a média caiu para 16 falecimentos.

Os números voltaram a subir em 15 de novembro, quando a média atingiu 33 mortes diárias. No dia 20 de novembro, foram 42 óbitos —mesma média do começo de outubro. O dado mais recente, de 25 de novembro, indica que a média móvel de mortes ficou em 27.

Em nota, a assessoria do candidato disse que "a cidade vive a menor taxa de mortes por Covid-19 desde março, com média de 24,71 óbitos diários". "No pico da pandemia na cidade, em maio, foi registrada média diária de 119 mortes. Mesmo com o retorno do funcionamento do comércio e de outros setores, a queda dos índices se manteve constante", diz a nota. Embora a quantidade de mortes esteja abaixo do pico registrado em maio, esse número voltou a subir no mês de novembro, como explicado acima.


“Nós ampliamos a quantidade de centros de igualdade racial”
Bruno Covas

AINDA É CEDO PARA DIZER O número de Centros de Referência de Promoção da Igualdade Racial na cidade de São Paulo não foi ampliado. Na gestão do ex-prefeito Fernando Haddad (PT), foram inauguradas duas unidades: uma na Vila Maria (zona norte), e outra na Cidade Tiradentes (zona leste).

Hoje, continuam a existir dois centros em funcionamento, sendo que um deles passou a funcionar em outro endereço. A prefeitura prometeu abrir mais duas unidades na primeira semana de dezembro, mas isso ainda não ocorreu.

A primeira unidade aberta no município ficava no bairro da Vila Maria e contava com apoio do Geledés –Instituto da Mulher Negra. A inauguração ocorreu em 8 de março de 2016. Em 2017, no entanto, o espaço foi fechado pela atual administração, de acordo com reportagem da Carta Capital.

A Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania informou, na época, que isso ocorreu porque a Secretaria Municipal de Saúde havia solicitado o prédio, antes da abertura do centro, para a construção de um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Infantil.

Com isso, outro centro de referência foi inaugurado pelo governo Covas na mesma região, a zona norte da capital, mas em outro endereço, no Parque Edu Chaves. A abertura desse local ocorreu em março de 2019.

O segundo centro criado na capital paulista foi o da Cidade Tiradentes, inaugurado em 25 de julho de 2016, também na administração Haddad. Por telefone, a coordenadora atual do espaço, Sandra Maria Guilherme, afirmou que as atividades foram encerradas ao final da gestão anterior. O local foi reaberto no final de 2018 – já no governo Covas.

Pelo Google Maps, é possível ver uma placa antiga da prefeitura na fachada do imóvel, em foto capturada em junho de 2017. Essa placa aparece trocada por outra, segundo imagem registrada em maio de 2019.

Há, portanto, dois Centros de Referência de Promoção da Igualdade Racial em funcionamento.

Procurada pela Lupa nesta quinta-feira (26), a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania prometeu, em nota, a inauguração de dois novos centros em breve no início do mês que vem. "A gestão já abriu chamamento público para abertura de mais sete novas unidades, sendo que os centros de Campo Limpo e Butantã serão abertos na primeira semana de dezembro. Os outros equipamentos estarão nos seguintes bairros: Itaim Paulista, Vila Guilherme, Brasilândia, Parelheiros e Centro", diz o texto.


“Estamos com 48% de ocupação de leitos de UTI”
Bruno Covas

VERDADEIRO, MAS Segundo o boletim mais recente da Secretaria Municipal de Saúde, de 25 de novembro, a taxa de ocupação de UTI nos hospitais municipais de São Paulo era de 49%. Mas, há exatamente um mês atrás, em 25 de outubro, a taxa de ocupação era de 36% para o mesmo número de leitos disponíveis, o que demonstra que houve crescimento nas internações na cidade.


"Quando a gente vê a quantidade [de mortes] por 100 mil habitantes, São Paulo é a 16ª entre as 27 capitais"
Bruno Covas

VERDADEIRO A cidade de São Paulo aparece no 16º lugar entre as capitais brasileiras, incluindo o Distrito Federal, em total de mortes por 100 mil habitantes por Covid-19.

A cidade está empatada com São Luís (MA), com uma taxa de 116 mortes por 100 mil, de acordo com dados do Ministério da Saúde atualizados até 25 de novembro. O menor índice foi registrado em Florianópolis (SC), com 44 óbitos por 100 mil.


“Chegamos a ter 92% de ocupação dos leitos de UTI”
Bruno Covas

VERDADEIRO O boletim de 20 de maio, com dados diários sobre a Covid-19 no município de São Paulo, mostra que a taxa de ocupação de leitos em hospitais municipais na cidade atingiu a marca de 92% —o pico no mês de maio e o valor mais alto registrado desde o início da pandemia até agora.

Um mês antes, os dados eram bem menores. O indicador do limite de ocupação de UTI (página 62) diz que, em 24 de abril, São Paulo apresentava uma taxa de 63%, chegando a superar os 90% entre os dias 17 e 23 de maio.

A prefeitura afirma que, com a ampliação da oferta de leitos de UTI, a Secretaria Municipal de Saúde reduziu o porcentual de ocupação para 88%, registrados nos dias 24 e 25 de maio. Em junho, a taxa de ocupação teve uma nova queda —atingindo 63% no dia 1º e mantendo a proporção na casa dos 50% e 60% durante o mês.


“A cidade que chegou a ter 31 leitos [de Covid-19] por 100 mil habitantes, hoje tem 19 leitos por 100 mil por habitante”
Bruno Covas

VERDADEIRO De acordo com dados sobre a Covid-19 divulgados pelo governo do Estado de São Paulo, a capital paulista apresenta neste momento uma taxa de 19,6 leitos de UTI de Covid-19 por 100 mil habitantes.

Em junho, os indicadores mostram que a cidade de São Paulo chegou a ter 31 leitos por 100 mil habitantes (em 15 de junho). O pico da série histórica ocorreu em 23 de junho, quando São Paulo alcançou 32,2 leitos por 100 mil habitantes.


“O coronavírus afetou mais a população preta e parda do que a população branca [em São Paulo]”
Bruno Covas

VERDADEIRO Segundo o inquérito epidemiológico produzido pela prefeitura de São Paulo, publicado em outubro, pessoas pretas e pardas foram mais afetadas pelo coronavírus do que as pessoas brancas na capital paulista.

A pesquisa mostrou a evolução da prevalência da infecção no município. Entre 1º e 14 de agosto e entre 11 e 24 de setembro, por exemplo, a proporção de pessoas infectadas entre a população negra chegou a ser o dobro do que entre a população branca.

Em agosto, o Instituto Pólis também divulgou um estudo que mostrou que a taxa de mortalidade da população negra foi maior do que a da população branca no período entre 1º de março e 31 de julho deste ano.


“Abordei esse tema [racismo] logo no primeiro debate na TV Bandeirantes, falando um pouco das ações que realizamos”
Bruno Covas

VERDADEIRO No debate do primeiro turno realizado pela TV Bandeirantes, em 1º de outubro, Covas perguntou ao candidato Orlando Silva (PCdoB), durante o quarto bloco, quais eram as propostas do candidato para combater o racismo em São Paulo.

Na réplica, Covas falou sobre a nomeação de uma oficial negra para o comando da Guarda Civil Metropolitana e citou outros exemplos de atos do município para buscar combater o preconceito racial.

Carol Macário , Juliana Almirante , Chico Marés e Ítalo Rômany

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