Descrição de chapéu Eleições 2020

Em novo mandato, Covas terá vereador do DEM em tropa de choque e série de aliados para acomodar

Prefeito evita adiantar formação do governo, mas tem coligação ampla e apoios no 2º turno para contemplar

São Paulo

O prefeito reeleito Bruno Covas (PSDB) terá o vereador Milton Leite (DEM) como homem forte de sua tropa de choque na Câmara Municipal e uma multidão de aliados para acomodar em sua nova gestão.

Milton Leite será candidato a presidente da Câmara Municipal e é favorito para vencer a disputa, após dois mandatos de Eduardo Tuma (PSDB), outro aliado de Covas.

No comando do Legislativo, Leite será o responsável por manter a governabilidade do tucano, que tem a maioria dos vereadores a seu lado.

O governador João Doria, o vereador Milton Leite e o prefeito Bruno Covas
O governador João Doria, o vereador Milton Leite e o prefeito Bruno Covas - Leon Rodrigues - 06.abr.2018/SECOM Prefeitura de S.Paulo

Nesta gestão, porém, a Câmara será menos amigável a Covas, já que a presença do PSDB caiu, a esquerda cresceu e também proliferou uma direita que faz oposição ao grupo político de João Doria (PSDB), do qual Covas faz parte.

Somando PSOL e PT, a esquerda terá 14 dos 55 votos na Casa. Há ainda três vereadores do Patriota, ligados ao MBL (Movimento Brasil Livre), além de uma vereadora bolsonarista —são os que devem ter atuação contrária às pautas de Covas.

Milton Leite é conhecido pelo estilo trator ao aprovar projetos de aliados. A postura garantiu a confiança do governador Doria. Na gestão estadual, Leite também tem indicações na pasta de Transporte e Logística.

Na cidade de São Paulo, o vereador deve continuar exercendo influência sobre a Secretaria de Transportes, setor ao qual é próximo. Além disso, deve continuar indicando aliados para subprefeituras na zona sul, região onde tem poder político e que recebeu uma enxurrada de obras no ano eleitoral.

Com Leite como cabo eleitoral na zona sul, Covas conseguiu dominar o eleitorado da periferia, região que já teve o PT como partido de preferência no passado.

Ainda é uma incógnita qual será o papel do vice de Covas, o vereador Ricardo Nunes (MDB). Vices muitas vezes assumem secretarias, mas Nunes saiu da eleição desgastado devido à sua relação com entidades gestoras de creches e um registro de 2011 de sua mulher por violência doméstica, ameaça e injúria.

As acusações contra o vice foram exploradas durante o segundo turno, e Nunes acabou sendo escondido pela campanha de Covas.

Durante a atual gestão, o vereador teve influência por meio de indicados na Subprefeitura da Capela do Socorro (zona sul) e também na São Paulo Obras, empresa pública municipal.

Com o MDB na vice-prefeitura e o DEM favorito para o comando da Câmara, Covas terá no Legislativo uma tropa de choque formada pelos oito vereadores do PSDB, além de seis do DEM e três do MDB. Já os nomes fortes de seu novo secretariado seguem indefinidos.

Atualmente, o governo Covas não tem secretários politicamente conhecidos à frente das pastas. O tucano, quando assumiu o posto de Doria, trocou o perfil de pessoas ligadas à iniciativa privada por quadros ligados ao PSDB.

Um dos principais auxiliares de Covas é o secretário de Governo Rubens Rizek, que assumiu o posto no lugar de Mauro Ricardo. Rizek é bastante influente na gestão e tem, inclusive, um ex-chefe de gabinete, da época em que era titular na pasta de Justiça, ocupando a CGM (Controladoria-Geral do Município).

De acordo com tucanos ouvidos pela Folha, o prefeito não deu espaço, durante a campanha, para que surgissem pleitos e demandas de seus partidos aliados em relação a distribuição de cargos.

A postura do tucano foi reservada, e as negociações para a montagem do novo governo ficaram para depois da votação deste domingo (29).

O tema da composição das secretarias foi evitado por duas razões. Primeiro para não dar a impressão ao eleitor de que Covas fazia campanha com a certeza de que ganharia a disputa —a ideia era cortar o clima de já ganhou.

Em segundo lugar porque indicar cargos a um partido ou aliado poderia melindrar o apoio de outros e provocar brigas internas indesejadas num segundo turno em que o tucano viu sua vantagem nas pesquisas diminuir.

O amplo arco de alianças que Covas estabeleceu nesta eleição, cruciais para que ele tivesse vantagem em relação ao tempo de TV e às verbas do fundo eleitoral, se torna agora um desafio na composição de uma gestão que contemple a todos.

O prefeito também prometeu, durante a campanha, compor um secretariado mais diverso, com negros e mulheres.

Se atualmente Covas divide as 32 subprefeituras da cidade entre 8 partidos, como mostrou a Folha, sua nova gestão vai exigir uma ginástica maior de acomodação. Isso porque o prefeito ampliou seu arco de alianças na eleição.

Sua coligação tem 11 siglas: PSDB, MDB, PP, Podemos, PSC, PL, Cidadania, DEM, PTC, PV e Pros.

O objetivo é manter esses partidos em sua base de apoio na Câmara e, mais do que isso, usar essa frente como base para uma candidatura presidencial de Doria em 2022 –foi o governador que costurou boa parte dessas alianças.

Além disso, Covas recebeu o apoio, no segundo turno, de mais cinco partidos: Republicanos, PSD, PSL, Novo e Solidariedade. O Republicanos, por exemplo, estava na gestão do prefeito antes de lançar Celso Russomanno na disputa municipal, ocupando a Secretaria da Habitação, o Procon e o Serviço Funerário.

A distribuição de cargos pode ter que contemplar ainda grupos da sociedade civil que trabalharam pela eleição de Covas, como os evangélicos.

Ainda fora do âmbito partidário, a ex-prefeita Marta Suplicy (sem partido) e o ex-secretário Alê Youssef (Cidadania) lideraram uma frente de apoio a Covas chamada de “Movimento Covas Prefeito (MCP”.

Na nova gestão de Covas, o MCP, que inclui nomes da classe artística e cultural, também terá influência e poder de barganha para ser contemplado com cargos ou políticas de incentivo ao setor. Tucanos não descartam a possibilidade de que Marta e Youssef integrem a administração municipal.

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