Lançamentos no Tatuapé encolhem para atender quem trabalha na região

Estúdios são novo foco em bairro da zona leste conhecido por grandes imóveis

São Paulo

Um dos bairros da zona leste mais disputados pelas incorporadoras, o Tatuapé tem mudado de perfil para atender uma demanda específica: quem trabalha na região.

O bairro foi o campeão de empreendimentos imobiliários na região leste em 2019, com 1.825 unidades lançadas de janeiro a novembro de 2019, segundo dados do Secovi-SP (sindicato da habitação). Em segundo lugar, figuram o bairro da Penha, com 1.175 unidades, e em terceiro o Parque do Carmo, com 1.088.

O perfil do bairro de apartamentos tamanho família com 2 e 3 dormitórios tem aberto espaço para unidades mais compactas. Um movimento que responde às transformações urbanísticas e comerciais na região, segundo Angélica Quintela, gerente de marketing da plataforma Imovelweb.

“O Tatuapé vem concentrando cada vez mais serviços e prédios comerciais. Essa é uma tendência na capital. Bairros mais afastados começarem a levar empresas com o intuito de desafogar outras regiões, além de facilitar a mobilidade e as atividades das pessoas que moram ao redor”, diz.

Um estudo da agência Lupa Apê 11 com 27 novos empreendimentos do bairro aponta o crescimento vertical do Tatuapé. “É uma região com muita concorrência entre as incorporadoras, com pelo menos 20 empresas diferentes disputando o mercado”, afirma Leonardo Azevedo, diretor executivo da imobiliária Apê 11, que monitora o mercado de imóveis de diversos bairros paulistanos.

Segundo Azevedo, o perfil de um dormitório tem pautado o mercado imobiliário do bairro, seguindo tendência geral da cidade de unidades mais compactas.

Isso não significa uma invasão dos micropartamentos. No Tatuapé, ainda não há espaço para os lançamentos com menos de 20 m². A área útil média do estúdio por ali é de 42 m².

O preço do metro quadrado, contudo, não acompanhou a redução vista nas plantas. Os estúdios são os que apresentam maior preço médio por metro quadrado: R$ 10.873, em média. O preço médio do metro quadrado quando se consideram todos os lançamentos, independentemente do tamanho, é de R$ 8.183.

Entre as construtoras que apostam na região, a Porte ergue o projeto Eixo Platina, anunciado como um novo pólo urbanístico —e grande responsável pelo boom de compactos na região.

Em uma faixa paralela à avenida Radial Leste, o Eixo Platina abrange uma área de 310 mil m² entre as estações Carrão, Tatuapé e Belém da linha 3-Vermelha do metrô. O objetivo é concentrar áreas comerciais, empresariais e residenciais, além de hotéis e opções de lazer e entretenimento.

O primeiro empreendimento comercial, o Geon 652, na rua Vilela, com escritórios e consultórios de 40 metros quadrados, foi entregue em outubro de 2019.

Em dezembro do ano passado, a construtora lançou o Almagah 227, na rua Airi. O complexo vai ocupar uma área de 66 mil m² , com duas torres de 45 andares, sendo 22 deles corporativos, 20 de estúdios e 1 de coworking. Os estúdios terão 20 m² e 39 m² e custam a partir de R$ 311 mil.

A Patriani lançou ali o Platina Piratini, com entrega prevista para janeiro de 2023. Localizado na rua Platina, no miolo do Eixo Platina, o lançamento aposta das unidades de um dormitório em versão estúdio com 36 m² e planta de 52 m², com cozinha integrada e varanda. O metro quadrado, ali, é R$ 9.078.

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