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Descalabro é primeiro ano da gestão Haddad, rebate Kassab

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Dizendo-se obrigado a pagar na mesma moeda, o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (PSD) atacou seu sucessor, Fernando Haddad (PT), contra quem usou termos como má-fé, desonestidade e desrespeitoso.

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Foi a primeira vez que o ex-prefeito e presidente do PSD criticou o petista. Foi uma resposta à entrevista de Haddad à Folha em que o prefeito disse ter encontrado a prefeitura em situação de "descalabro" e "degradação".

Kassab negou ter relação com o esquema de fraude no ISS. "Eu me retiro da vida pública se em algum momento alguém identificar qualquer vínculo entre essas afirmações e a realidade", afirmou.

Para ele, seu sucessor utiliza o combate à corrupção como forma de esconder o fracasso do primeiro ano de administração petista.

A seguir, os principais trechos da entrevista.

*

Folha - Como sr. interpretou a afirmação de Haddad de que a situação encontrada na prefeitura era de "descalabro"?
Gilberto Kassab - Na medida em que ele utilizou o termo descalabro, sou obrigado a devolver na mesma moeda. É difícil aceitar essa referência sobre o final da nossa gestão. Se aceitássemos, o final da gestão anterior, que era dele [Haddad participou da administração Marta Suplicy (2001-2004)], estaria duas vezes esse descalabro.

Todos sabem como encontramos a cidade. Ela estava quebrada. E, apesar das dificuldades financeiras e da dificuldade para encaminhar nossas reivindicações ao governo federal sobre o problema da dívida, terminamos com finanças em dia, [com] recursos em caixa.

Fizemos uma transição impecável, segundo o próprio prefeito em sua posse. Ele só esqueceu de olhar para o próprio umbigo, para sua administração, quando a cidade está espantada com o descalabro desse primeiro ano.

Há uma verdadeira situação de falta de controle no transporte público. A prefeitura, pela primeira vez, entra o ano com uma perspectiva de dar um subsídio de aproximadamente R$ 2 bilhões.

Se ele tivesse competência, tinha conseguido administrar essa questão com o governo federal para não tirar esses recursos no ano que vem destinados a casas populares, saúde, ensino público.

Vale lembrar que pela primeira vez na cidade corremos o risco de entrar num novo ano sem reajuste de IPTU, um reajuste razoável.

O reajuste aprovado é razoável?
Não acho razoável. A Justiça acaba de tornar nula essa votação. Foi estranha mesmo. A administração negou à cidade o direito de debater. Foi antecipada a votação na calada da noite.

Vale lembrar, ainda no campo do descalabro, como encontramos a saúde, com programas reduzidos, unidades sucateadas. Chegava ao ponto de faltar medicamentos em toda a rede.

Superamos isso. E não é que voltamos agora a ter falta de medicamentos?

Sobre duplamente descalabro, o sr. fala da gestão anterior?
Se essa é um descalabro, imagina como era antes, duas vezes um descalabro. Nunca assumimos o compromisso de resolver todos os problemas, mas a cidade avançou bastante.

E neste primeiro ano de gestão [Haddad], ela não avançou nada. Ele se iludiu, talvez, com o marketing de sua campanha, de que soluções mágicas eram suficientes. Cadê o Arco do Futuro [projeto urbano de estimular o desenvolvimento em algumas regiões]? Ele deixou de lado. Cadê os investimentos da cidade? Deixamos recursos em caixa.

Virou uma questão pessoal? Houve sua saída de um evento [antes de Haddad chegar].
Eu tinha um compromisso e não fiquei por conta disso. Não tenho problema de cumprimentar o prefeito Haddad. Aliás, tenho cumprimentado pela ação que faz no combate à corrupção, em especial nesse episódio.

Há implicação política? Está ameaçada a aliança PT e PSD?
Não posso apequenar o PSD e vincular essas manifestações incompreensíveis do prefeito com as decisões do partido.

O sr. vai mudar seus planos de disputar o governo do Estado?
As decisões são do partido. Sobre essas ilações, elas são covardes e inadmissíveis.

[A nossa foi] uma das administrações que mais combateram a corrupção. Nesse próprio episódio de grande dimensão, a investigação foi iniciada na nossa gestão.

Questiono essa afirmação do prefeito de que a gestão dele é independente. Foi ele quem nomeou o controlador. Então, tem um vínculo com ele, sim. Ele mesmo disse que acompanhou "pari passu" [simultaneamente], tanto é que contribuiu com recursos de seu bolso para pagar o aluguel de uma sala.

E o próprio controlador admitiu que encontrou a investigação em aberto. Se estava aberta, não estava fechada. Se ele não fechou, estava aberta.

Então ele ignorou a nossa gestão numa ação política, para diminui-la. E omitiu. Ele tinha a obrigação de comunicar ao Ministério Público que nossa gestão tinha feito o início desses trabalhos.

As escutas falam que o sr. mandou arquivar.
Isso nunca aconteceu. Eu nunca tive esse diálogo. É uma afirmação mentirosa, talvez de alguém que quisesse despreocupar seus companheiros. Ou alguém que quisesse mostrar prestígio. Ou alguém que soubesse que estava sendo gravado e queria tumultuar as investigações.

Tentativas sórdidas de manchar minha imagem.

O sr. estava falando desse grupo de servidores ou das pessoas que estão vazando as gravações que o citam?
Se soubesse de onde vêm, falaria. Como sei que não são verdadeiras, de onde quer que venham, são sórdidas.

Eu me retiro da vida pública se em algum momento alguém identificar qualquer vínculo entre essas afirmações e a realidade.

É desonesto intelectualmente da parte do prefeito querer passar a imagem de que nada nunca foi feito para combater a corrupção. Principalmente em relação à nossa gestão.
São dezenas de criminosos e esses criminosos também agiam no passado.

O prefeito foi chefe de gabinete da Secretaria de Finanças. Eu não quero acusá-lo de nada. Porque ele pode ter sido, e com certeza foi, vítima do mesmo crime.

A desonestidade do prefeito é passar a impressão de que ele foi o primeiro a combater a corrupção. Se ele é o primeiro, cadê suas manifestações sobre o mensalão?

Como foi o combate à corrupção na sua gestão?
A elaboração de guias falsas de recolhimento de outorgas onerosas foi identificada, investigada e concluída na nossa gestão. Recuperamos
R$ 80 milhões. Enfrentamos o crime organizado no Aprov [setor da prefeitura que aprova construção de imóveis].

O Ministério Público foi convidado a trabalhar em conjunto, e o caso está na Justiça. Punimos diversos profissionais e avançamos na transparência.

A prefeitura recebeu a denúncia anônima sobre a máfia dos auditores, ouviu as pessoas. Por que o processo parou?
Não ficou parado. Acabou a gestão. O prefeito Haddad demorou dez meses para fazer algo. Tivemos três meses.

Mas, segundo a investigação, grandes esquemas de corrupção operaram em sua gestão.
Mas há alguma dúvida de que funcionaram também no passado, com os mesmos profissionais? Um mesmo profissional se torna desonesto de uma hora para outra? Não quero ser injusto com o Fernando Haddad, mas quantos desses, no atual caso, foram convidados na gestão dele?

Ele acaba de exonerar o seu diretor de arrecadação [Leonardo Leal Dias da Silva]. Se fez isso, é porque tem suspeitas. Não vou devolver na mesma moeda: tenho certeza de que o prefeito não sabia.

O Ronilson Bezerra [ex-subsecretário de Finanças, tido como chefe do grupo suspeito de desvios no ISS] ganhou cargo de destaque por sua decisão?
Eu não o conhecia anteriormente e pouco conheço agora. Estive com ele poucas vezes em sete anos, sempre para discutir assuntos técnicos, e geralmente em meu gabinete. Não tenho nenhuma relação pessoal com ele. Conheço menos ainda os outros envolvidos na investigação.

Por que ele foi indicado para formar a equipe de transição?
Há nisso uma má-fé muito grande, uma afirmação maldosa, que não é digna do Fernando Haddad. Havia um secretário indicado para formar o grupo, e os dois lados fizeram isso. Ele levou sua equipe.

Ronilson estava na transição porque estavam todos daquele núcleo. Ele era da equipe. Ele e centenas de outros

Em grampo, Ronilson diz a outra fiscal que o sr. sabia de tudo. Do que o sr. sabia, afinal?
Não sabia de nada.

O local onde funcionava o "ninho", onde os auditores faziam negociatas, tem alguma ligação com o sr.?
Em determinado momento, quiseram atribuir a mim essa propriedade, mas não tem nenhum fundamento. A própria investigação já mostrou isso. Nem sei onde fica. Nunca estive lá.

O sr. está disposto a falar ao Ministério Público?
Sou obrigado a comparecer, caso seja chamado, mas espero que percebam que a minha vinculação é zero com esse episódio, porque ela é zero.

Na semana passada, o sr. esteve com o ex-presidente Lula e com a presidente Dilma. Falou com eles sobre o Haddad, sobre as investigações?
Não. A minha relação com eles é rotineira. Todos sabem que o PSD está construindo uma aliança nacional que, em breve, será formalizada e as conversas são sobre isso.
Seria deselegante de abordar essa questão e eles também não abordaram. Falei, sim, com o presidente Edinho [Silva, deputado estadual e presidente do PT-SP], mas não sobre a apuração, que aplaudo o prefeito Haddad. Falei sobre algumas manifestações que fiquei desconfortável.

Qual delas mais magoou o sr.?
Essa impressão que querem dar de que a corrupção nunca foi combatida na cidade de São Paulo, nem na nossa gestão. Dezenas de casos foram investigados e várias administrações passadas foram importantes no combate à corrupção.

O que era essa situação de "muito mais descalabro" que o sr. diz que encontrou?
Contas não pagas, bilhões de dívidas, fornecedores sem receber, postos de saúde sem abastecimento, escolas de lata, aquilo era um descalabro.

O que tem achado das primeiras medidas do prefeito?
Quero voltar à campanha. Ele fez promessas sobre vagas em creche e elas já foram diminuídas. É preciso lembrar do Arco do Futuro, da redução do plano de metas. Isso tudo com a colher de chá do governo federal [renegociação de dívidas], que não fez o mesmo com a nossa gestão.

E a ampliação das faixas de ônibus, o sr. é favorável?
Tudo o que puder ser feito para melhorar o transporte urbano eu sou a favor. Vale lembrar que nós começamos o processo, com mais de 60 km de faixas.

O senhor está magoado com o prefeito?
Em diversas oportunidades, até ao longo da campanha [eleitoral], antes de o Serra [José Serra, candidato derrotado por Haddad] decidir ser candidato, manifestei publicamente a possibilidade de discutir apoio a ele [Haddad]. Justificava dizendo que via nele qualidades. Não fiz críticas ele.
Com o Serra candidato, eu dizia que via nele mais qualidades ainda, como a experiência, que está fazendo falta agora à frente da cidade. Está faltando experiência política e administrativa.
Caso o Serra fosse o prefeito, não estaria esse descalabro, para devolver na mesma moeda. Não teríamos essas manifestações pedindo diálogo para a tarifa de ônibus, que sempre foi uma discussão difícil para a cidade. Pela primeira vez, tivemos esses cenários de violência. Estudantes merecem respeito, os movimentos merecem ter dialogo.
O Serra não deixaria que o IPTU ficasse nessa situação, com o reajuste barrado na Justiça por causa de uma votação na calada da noite, sem discussão em audiência pública. O reajuste é necessário para a cidade, mas tem de ser discutido com calma e transparência.

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