Entenda a queda de prédio no centro de SP e qual é a situação atual

Quatro mortos foram confirmados, e cinco seguem desaparecidos; buscas já foram encerradas

São Paulo

​​Entenda o que causou o desabamento do edifício no largo do Paissandu, no centro de São Paulo, quem está investigando a tragédia, quantos estão mortos e desaparecidos, qual é a situação das famílias desabrigadas e onde é possível fazer doações aos atingidos.

 

TRAGÉDIA E INVESTIGAÇÕES

O que aconteceu?
Por volta da 1h30 do dia 1º de maio, um curto-circuito deu início a um incêndio no 5º andar do edifício Wilton Paes de Almeida. O fogo se alastrou rapidamente pelos outros pavimentos atingindo todo o prédio até que, às 2h50, ele desabou. O fogo chegou a atingir imóveis próximos.

O que iniciou o fogo?
Um curto-circuito numa tomada com três aparelhos ligados —TV, geladeira e microondas—, em um cômodo onde morava uma família de quatro pessoas. A mãe e um bebê conseguiram escapar, e o homem e a filha de três anos sofreram queimaduras graves.

Por que o prédio desabou?
Diversos fatores ajudaram na queda. Veja abaixo.

​​De quem era o prédio?
Era da União e havia sido cedido à prefeitura provisoriamente no ano passado, para abrigar a Secretaria de Educação e Cultura. No entanto, como estava abandonado, já sofria invasões desde 2012.

 
Quais outras construções foram interditadas?
Cinco imóveis do entorno, sendo quatro prédios e uma igreja. Segundo a Defesa Civil, não foi encontrado risco iminente de colapso, mas ainda não há previsão de liberação.

Os riscos eram conhecidos?
Sim, mais de um laudo já havia apontado a situação precária do imóvel. Uma vistoria dos bombeiros em nov.2016 constatou que o prédio não possuía medidas de segurança contra incêndio. Em jan.2017, a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento também indicou que não havia extintores ou hidrantes e que existiam instalações elétricas improvisadas e rotas de fuga bloqueadas.

Inquéritos para investigar a situação do imóvel já haviam sido instaurados pelo Ministério Público Estadual (em 2015) e Federal (em 2017). O primeiro pediu arquivamento em mar.2018 por entender que os problemas já estavam sendo tratados pela União e prefeitura, e o segundo recomendou à Superintendência do Patrimônio da União a reforma estrutural do prédio.

E agora, quem está apurando o caso?
A Polícia Civil avalia as causas do desastre e quem pode ser responsabilizado pelos homicídios culposos (sem intenção) dos moradores quem morreram. O Ministério Público Federal instaurou um inquérito para apurar a responsabilidade pela tragédia, com eventual improbidade dos donos do prédio (que era da União). Já o Ministério Público de SP retomou o inquérito civil de 2015 para apurar a vistoria feita na ocasião.

Além disso, um inquérito foi instaurado no Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) para apurar a cobrança de aluguel de moradores de ocupações do centro de SP —a prática existe há décadas, e alguns grupos sem-teto dizem que ela visa custear a manutenção dos edifícios.

Em que fase estão as investigações?
No 3º DP, mais de 30 pessoas foram ouvidas até esta terça (15). Além das causas do incêndio, a delegacia tenta achar parentes ou ex-moradores que deem informações sobre desaparecidos —para  que, eventualmente, quando não houver outras possibilidades, eles sejam declarados como mortos.


MORTOS E DESAPARECIDOS

Quantas pessoas viviam no prédio?
Antes de cair, o prédio era ocupado pelo MLSM (Movimento Social de Luta por Moradia), antigo LMD (Luta por Moradia Digna). Segundo cadastro da Secretaria de Habitação, eram 455 moradores de 171 famílias —10% deles estrangeiros e 38%, crianças ou adolescentes.

Quantos morreram?
Quatro pessoas foram identificadas entre os restos mortais encontrados sob os escombros: Ricardo Oliveira Galvão Pinheiro, 38, que era conhecido como Tatuagem e estava sendo resgatado quando o prédio caiu; o confeiteiro Francisco Lemos Dantas, 56; e os gêmeos Wendel e Werner da Silva Saldanha, 10. Outros ossos achados ainda não foram identificados.

Quantos estão desaparecidos?
Oficialmente, cinco, sendo que os ossos ainda não identificados podem ser de algum deles. Nessa lista estão a catadora de material reciclável Selma Almeida da Silva, 40, mãe dos gêmeos; a faxineira Eva Barbosa, 42, e o seu marido, Valmir de Souza Santos; Gentil de Souza Rocha, 53; e o advogado Alexandre de Menezes, 40.

Pode haver mais desaparecidos?
Sim, como a rotatividade no prédio era alta, é difícil saber quem exatamente estava no local no momento do incêndio. É possível que pessoas registradas como moradoras não estivessem mais dormindo lá, assim como outras podem ter entrado.

As buscas já foram encerradas?
Sim, elas terminaram no domingo (13). Os bombeiros já haviam descartado a existência de sobreviventes no dia 11, porque não havia mais células de sobrevivência nos escombros —vãos que se formam sob os destroços e possuem condições para uma pessoa viver, com temperatura adequada, oxigênio e espaço. Entenda abaixo como as buscas foram feitas.

 

DESABRIGADOS

​​​Onde as pessoas desabrigadas estão?
Segundo a prefeitura, a maioria das famílias está em abrigos municipais, principalmente no do Viaduto Pedroso, no centro. Outras foram para casas de parentes ou ocupações. Parte dos atingidos ainda acampa no largo do Paissandu, mas a prefeitura diz que a maioria ali não é de vítimas do desabamento, e sim de pessoas atraídas pelas doações.

O que vai acontecer com as famílias atingidas?
Elas devem receber um auxílio-moradia de R$ 400 por 12 meses —R$ 1.200 no primeiro mês— pelo governo do estado, através da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano). Depois desse período, a prefeitura prometeu continuar pagando os R$ 400 mensais, "até o atendimento definitivo" dessas pessoas pela Secretaria Municipal de Habitação. Até segunda (14), 144 famílias que moravam no edifício haviam sido cadastradas para receber o benefício, assim como moradores dos outros prédios interditados.

O que vai acontecer com o terreno do prédio que desabou?
Serão instalados tapumes no entorno da área, por segurança. A prefeitura disse que já iniciou negociações sobre o destino do terreno com a União, que era dona do edifício, e com a CDHU. A decisão deve ser anunciada até o fim de maio. A intenção é desenvolver um projeto habitacional no local. 

Doações ainda estão sendo recebidas?
A Cruz Vermelha, que estava centralizando a triagem das doações, informou que já recebeu muitos itens e, por isso, não está mais os enviando ao largo do Paissandu. Mesmo assim, a prefeitura pediu nesta segunda (14) que as doações continuem sendo entregues à Cruz Vermelha, e não no Paissandu, para não incentivar a permanência de pessoas que não têm a ver com o desabamento.

O que e onde doar?
Água, alimentos não perecíveis com prazo de validade superior a 30 dias, itens de higiene pessoal e limpeza, cobertores, sapatos, brinquedos e roupas novas ou em bom estado. É possível doar no abrigo Pedroso, onde está a maioria dos desabrigados (r. Pedroso, 111, Bela Vista. Tel.: 3287-7056).

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