Descrição de chapéu Coronavírus

Governo só tem cronograma de entrega de menos da metade dos testes previstos

Material deveria ser entregue até julho; previsão é de cerca de 40% dos 22,9 mi anunciados

Brasília

O Ministério da Saúde só tem, até agora, o cronograma de entrega de 9,2 milhões dos 22,9 milhões de testes previstos para diagnóstico do novo coronavírus. Esse montante chegaria à pasta em etapas, atingindo o total até julho.

O cronograma consta de boletim epidemiológico da pasta divulgado nesta quinta-feira (9).

A previsão que vem sendo divulgada em boletins do ministério é que a epidemia atinja seu pico até junho deste ano. Já em algumas regiões onde já há maior incidência, o auge é previsto para o fim de abril e início de maio.

Dos 9,2 milhões, já foram entregues pelos fornecedores e empresas doadoras ao menos 904.872, o equivalente a 9,9% do total, segundo a pasta.

Destes, 104 mil são de testes fornecidos pela Fiocruz, e que usam a técnica de RT-PCR, que visa identificar a presença de material genético do vírus em amostras.

Outros 300 mil testes, do mesmo modelo, foram de doação da Petrobras.

Também já foram entregues 500 mil testes rápidos doados pela mineradora Vale. Diferente do teste pela técnica de PCR, esse modelo funciona pela detecção de anticorpos para o novo coronavírus.

A ideia do ministério é usar os testes PCR para identificação do vírus em pacientes internados com quadro grave e em amostras de unidades sentinelas.

Já os testes rápidos devem ser direcionados a profissionais de saúde e da área de segurança, como policiais, em caso de sintomas. O objetivo é verificar, após um período de isolamento, se eles podem voltar ou trabalho ou devem continuar em casa.

Segundo o documento, uma nova quantidade de testes, doada pela mineradora e Petrobrás, deverá ser entregue a partir da próxima semana até julho.

Ao todo, são 3,6 milhões de testes da Fiocruz, 600 mil da Petrobrás e 5 milhões da Vale, atingindo a soma de 9,2 milhões.

Apesar de fixar o prazo até julho, o próprio ministério vê a possibilidade de impasses no cumprimento de etapas de entrega.

O documento cita que, no caso dos testes entregues pela Fiocruz, "o cronograma é dependente de acesso ao insumos no mercado internacional".

O boletim também não informa o que ocorreu com os outros 13,7 milhões de testes anunciados inicialmente pela pasta para chegar à conta de 22,9 milhões.

Questionados, membros da pasta afirmam que o volume restante ainda está em negociação com empresas.

O problema ocorre pela dificuldade de acesso a insumos e alta demanda no mercado.

"A capacidade de produção no Brasil é limitada diante da demanda que estamos vivendo", disse nesta quinta o secretário de vigilância em saúde, Wanderson Oliveira.

Segundo ele, a pasta ainda busca adquirir mais testes para chegar ao montante de 22,9 milhões.
Do volume de testes já adquiridos, a pasta deve distribuir 320 mil na próxima semana.

O secretário fez um apelo para que haja uso desse volume apenas em casos graves.

Atualmente, há cerca de 120 mil casos de síndrome respiratória aguda grave em etapa de testes para diferentes vírus respiratórios, informa. De acordo com Oliveira, o volume é esperado para o período do ano. Inicialmente, os casos são testados para gripe e outros vírus mais comuns. Caso deem negativo, são testados para o Sars-CoV-2.

"Com os 320 mil, temos uma folga importante, mas é importante esse recurso que seja bem administrado. Não é para testar casos que não sejam internados ou por vigilância sentinela. Se acabar testes, não temos como suprir imediatamente", disse.

"É fundamental que estados que estão testando fora dessas estratégias evitem fazer dessa maneira", completou.

Atualmente, a ausência de testes é apontada como um dos principais impasses para o controle da epidemia do novo coronavírus.

Diante da dificuldade de ampliar os exames, o ministério tem recomendado que os testes sejam aplicados apenas para casos graves, de pacientes internados.

A pasta, porém, também vem citando a possibilidade de instalar postos volantes para testagem em cidades acima de 500 mil habitantes —o prazo para que isso ocorra, porém, ainda não divulgado.

O secretário-executivo do ministério, João Gabbardo dos Reis, rebateu em coletiva de imprensa críticas sobre a baixa testagem.

"Tento nos comparar com os melhores. Quem teve melhor política de testagem: a Coreia do Sul, que testou 450 mil pessoas. Vamos fazer muito mais do que a Coreia do Sul fez", disse, citando o fato de que 904 mil testes já foram entregues pelos fornecedores e o restante está previsto até julho.

No documento divulgado nesta quinta, o ministério volta a afirma que “a capacidade laboratorial do Brasil ainda é insuficiente para dar resposta a essa fase da epidemia”.

Em seguida, reforça a importância do distanciamento social no enfrentamento ao coronavírus.

O texto aponta que essas políticas contribuem para evitar o colapso do sistema de saúde e oferecem tempo aos gestores para melhorarem a estrutura de seus serviços médicos.

O documento diz ainda que estados e municípios que adotaram o distanciamento social ampliado só devem fazer a transição para uma forma mais branda caso disponham de equipamentos e profissionais de saúde em número suficiente.

A medida ocorre após o ministério divulgar uma proposta de distanciamento social seletivo, focado em idosos e pessoas com doenças crônicas. Segundo a pasta, a medida vale apenas para locais onde os casos confirmados não tenham impactado mais de 50% da capacidade instalada.

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