Descrição de chapéu Campeonato Paulista

Semi do Paulista é momento de afirmação para Gustavo e Jean Mota

Artilheiros de Corinthians e Santos quase abandonaram carreira no futebol

Alex Sabino Klaus Richmond
São Paulo e Santos

Em janeiro o destino de Jean Mota, 25, parecia selado. O presidente do Santos, José Carlos Peres, disse a pessoas próximas que o meia não continuaria no clube. O Bahia já tinha acordo alinhavado. Rogério Ceni queria levá-lo para o Fortaleza.

O mesmo período era decisivo para Gustavo, 25, provar que poderia ser centroavante do Corinthians. Em 2016, ele havia sido motivo de escárnio por ter feito tatuagem comemorando um gol com a camisa 9 do clube. Algo que não aconteceu naquele ano. 

Jean Mota e Gustavo chegam às semifinais do Paulista deste ano como destaques de Santos e Corinthians. As duas equipes começam a decidir uma vaga na final neste domingo (31), às 16h, no Itaquerão. A partida de volta será o próximo dia 8, no Pacaembu.

Jean Mota comemora após fazer gol em partida do Santos pelo Paulista  em treino do Santos
Jean Mota comemora após fazer gol em partida do Santos pelo Paulista em treino do Santos - Ivan Storti/Santos FC

Com 7 gols, Jean Mota é um dos artilheiros do Paulista, ao lado de Diego Cardoso (Guarani) e Rafael Costa (Botafogo). Gustavo é o principal goleador do Corinthians, com 4.

“Quando o Gustavo fez o teste no Taboão tinha 19 anos. Foi o único aprovado. Depois ele disse que se tivesse sido reprovado, teria abandonado a carreira por causa da idade”, afirma Anderson Nóbrega, presidente do Taboão da Serra, primeiro time do atacante e onde se destacou na Copa São Paulo de 2014.

Mesmo aprovado, pensava que o melhor era largar tudo, voltar a Registro (SP), sua terra natal, e ajudar a família.

Só quando chegou ao Corinthians disse para a mãe parar de trabalhar como doméstica. Enfim, poderia sustentá-la.

Gustavo agradece a Fabio Carille a nova chance da mesma forma que Jean Mota deve ser grato a Jorge Sampaoli.

O técnico fez uma espécie de peneira com os jogadores que estavam no elenco no início do ano. Testou posicionamentos, fundamentos e gostou de Mota. Pediu para que ficasse. Com a dificuldade financeira do clube em contratar reforços, se tornou titular.

Jean Mota também passou meses sem clube quando já tinha idade para ser profissional. Foi dispensado pela Portuguesa quando tinha 21 anos.

Ficou quatro meses desempregado e atuou no Tiradentes, time da várzea na zona leste de São Paulo, para se manter em atividade. Seu pai chegou a sugerir que tentasse entrar em uma faculdade e se formar em direito.

“Era isso ou trabalhar com ele [como vendedor de colchões ou em sua adega]”, conta o avô Atenágoras da Costa Mota, 75, que insistia para que ele continuasse no futebol.

Mota não levou a ideia do pai em consideração porque seu empresário, Diogo Silva, apareceu com uma proposta do Fortaleza. Era para o jogador se apresentar apenas em janeiro de 2016, mas Jean Mota estava tão ansioso que desembarcou na capital cearense em setembro de 2015.

No período, ganhou uma ajuda de custo do clube e morou de favor com o lateral esquerdo Thallyson, que hoje atua no futebol belga.

“Ele estava sem receber salários há oito meses, só estendi a mão, mas a vontade dele era impressionante”, conta.

Thallyson usava o próprio exemplo para mostrar a Jean que era possível chegar longe. Ele tem má formação congênita na mão esquerda e superou essa dificuldade. 

Jean Mota chegou no Fortaleza como lateral esquerdo, função que desempenhou algumas vezes no Santos, mas depois virou meia, posição em que se destacou na várzea.

Corinthians e Santos empataram em 0 a 0 na primeira fase do Paulista
Corinthians e Santos empataram em 0 a 0 na primeira fase do Paulista - Marivaldo Oliveira - 10.mar.19 /Código19/Agência O Globo

“Ele tinha habilidade e passe refinado e, por isso, sugerimos para que jogasse de meia conosco. Ele fez um gol que nos salvou, a torcida quase invadiu o campo”, diz Amilton Pereira, 50, um dos fundadores do Tiradentes e técnico da equipe com Jean Mota.

Gustavo era volante na várzea de Registro e depois se firmou como centroavante.

Sampaoli passou a confiar tanto no poder de finalização do seu meia que o escalou como falso 9, já que não pode contar com nenhum centroavante confiável no elenco.

A classificação e o eventual título paulista podem ser momentos definitivos de afirmação para os dois jogadores que passaram por rejeição e, enfim, parecem se encontrar em grandes clubes do país. 

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