Jejum de quase três décadas desafia o Liverpool na Premier League

Atual campeão europeu não venceu o Campeonato Inglês desde 1990

Luciano Trindade
São Paulo

Quando o Liverpool foi campeão inglês pela última vez, o Brasil ainda era tricampeão mundial, a Argentina liderada por Diego Maradona era a dona do título da Copa, conquistado em 1986, e a Premier League, como é conhecida hoje, nem sequer existia.

Isso faz 29 anos. No dia 1º de maio de 1990, com uma vitória por 1 a 0 sobre o Derby County, os Reds levantaram a taça da Primeira Divisão, campeonato organizado pela Football League. Dois anos depois, os clubes ingleses romperam com a instituição fundada em 1888 e fundaram a Premier League.

Liga de futebol mais rica e cobiçada do planeta, a nova competição inglesa teve apenas seis vencedores desde a sua criação, em 1992: Manchester United, Manchester City, Chelsea, Arsenal, Blackburn e Leicester. O Liverpool acumulou quatro vices, incluindo a temporada passada, quando ficou atrás do City por apenas um ponto (98 a 97).

Pressionado a evitar o aniversário de 30 anos deste jejum, os Reds abrem a temporada 2019/20 nesta sexta-feira (9), contra o Norwich, às 16h (de Brasília).

O atacante brasileiro Roberto Firmino (à esq.), do Liverpool, disputa a bola com o meia belga De Bruyne, do Manchester City
O atacante brasileiro Roberto Firmino (à esq.), do Liverpool, disputa a bola com o meia belga De Bruyne, do Manchester City - Reuters

"Sabemos e sentimos que o torcedor e o clube desejam muito esse título, o que é normal", diz o atacante Roberto Firmino, autor de 12 gols pelo Liverpool na última Premier League. "Como é um dos clubes mais tradicionais do país e da Europa, isso chama a atenção", acrescenta.

O jogo desta tarde, no estádio Anfield, será transmitido para mais de 180 países, com uma audiência estimada de 4,7 bilhões de pessoas.

Esse alcance global reflete o sucesso da competição dentro e fora dos gramados. Segundo estudo encomendado pela própria liga, os 20 clubes do torneio geraram 7,6 bilhões de libras (R$ 36,6 bilhões) para o PIB (Produto Interno Bruto) do Reino Unido durante a temporada 2016/2017. 

O Liverpool é um dos principais responsáveis por essa quantia bilionária. Foi o que mais faturou com direitos de transmissão na edição 2018/19 mesmo com o vice-campeonato. Maior fonte de receita dos clubes, a TV gerou 152 milhões de libras (R$ 733 milhões) ao atual campeão da Champions. O City aparece em segundo nesta lista, com 150 milhões de libras (R$ 722 milhões).

Os dois clubes são justamente os principais favoritos na disputa do torneio. O time dirigido pelo alemão Jurgen Kloop, 52, é o atual campeão Europeu. Além disso, não perdeu nenhuma de suas principais estrelas, incluindo os brasileiros Alisson, Fabinho e Firmino, além do egípcio Salah e do holandês Virgil van Dijk.

"Brigamos do início ao fim na última Premier League, tanto que só perdemos uma partida, e o City acabou levando a melhor nos detalhes. Mérito deles. Batemos na trave, mas espero que a gente possa ser mais feliz nessa temporada", diz Firmino.

Mesmo com dinheiro em caixa, o Liverpool optou por não fazer grandes contratações. As principais apostas são os jovens Sepp van den Berg, zagueiro holandês de 17 anos,  Harvey Elliott, atacante  inglês de 16, e o goleiro espanhol Adrian, 32.

"Investimos muito no elenco nos últimos dois anos e não podemos gastar da mesma forma em todas as temporadas", argumenta Kloop. "Hoje em dia só dois clubes podem pagar altas cifras, que são o Manchester City e o PSG. Real Madrid e Barcelona também", pontua. 

Atual campeão, o time de Pep Guardiola, 48, teve uma baixa importante, com a saída do alemão Leroy Sané, 23, negociado com o Bayern de Munique. Por enquanto, não houve reposição à altura. Duas contratações foram feitas até o momento: o meia Rodri, 23, e o lateral esquerdo Angeliño, 22, ambos espanhóis.

Maior concorrente do Liverpool nesta edição da Premier League, o City será cobrado nesta temporada para brigar por outro título, o da Champions League. O troféu é o mais cobiçado pela equipe de Manchester desde 2008, quando ela foi comprada pelo empresário Khaldoon Al Mubarak, de Abu Dabhi, nos Emirados Árabes.

Há 11 anos, o bilionário vem injetando dinheiro no clube para formar um elenco capaz de vencer a competição europeia. Foi isso que motivou o técnico Pep Guardiola a trocar o Bayern de Munique pelo City em 2016.

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